segunda-feira, 11 de maio de 2015 - Foto: Filipe Lemos / Campos 24 Horas

“É preciso ponderar valores. Entre coisas e pessoas, eu fico com as pessoas. Tenho visto ser travado um debate histérico como se o poder público quisesse emparedar ou colocar abaixo o prédio histórico do Mercado Municipal, mas os noticiantes estão olhando apenas para o patrimônio arquitetônico, esquecendo-se do patrimônio social do município, que são as mais de mil famílias que sobrevivem do comércio popular estabelecido ali em torno do Mercado”. A declaração é do promotor de Justiça, Marcelo Lessa, sobre o pedido do Inepac (Instituto Estadual de Preservação do Patrimônio Artístico e Cultural), que requereu o impedimento das obras do Shopping Popular na Rua Barão do Amazonas.
O parecer pela continuação das obras foi divulgado após o promotor Marcelo Lessa ter recebido documentos do projeto e levantamento fotoaéreo solicitado à Prefeitura. O acervo foi levado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Wainer Teixeira de Castro.
O promotor disse durante entrevista coletiva que o ideal é que o prédio não fosse emparedado, como já é há muitos anos. “Recebi todo acervo do projeto e levantamento fotográfico aéreo para comparar a situação atual com a realidade futura, após as obras. Após analisar, percebe-se que o projeto vai mostrar mais o prédio histórico e ficará melhor a mobilidade em torno do Mercado Municipal, situação que será benéfica para quem trabalha, para a clientela e para quem circula por ali”, observou o promotor, que continuou:
- O que os noticiantes querem com apoio do Inepac é um absurdo. Estão criando problemas sem apresentar alternativas. O projeto que querem impedir é uma solução apresentada pelo poder público em atendimento a um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), promovido pelo Ministério Público, em face de demanda apresentada pela ACIC e CDL, que reclamaram prejuízos por causa da atuação dos camelôs nas portas das lojas. Agora querem banir os camelôs como se fossem um câncer? A maior parte deles fazem parte de um comércio popular cultural na cidade. Fazer o que com eles? Mandar para longe? Eles tem qualificação para atuar em outras profissões? - indagou o promotor, para justificar sua negativa ao pedido de embargo da construção do novo prédio do Shopping Popular, corroborado pelo Inepac.
O secretário Wainer Teixeira, que esteve acompanhado do procurador Fábio Borges durante a audiência, destacou detalhes do projeto, para atender exigências do MP e salientou que, “após a realização das obras, o setor da Feira Livre e Peixaria, terá cobertura mais baixa, de forma a mostrar mais o prédio histórico que será totalmente recuperado, seguindo os detalhes arquitetônicos da época de sua construção. Na Rua Barão do Amazonas e na Rua João Pessoa, as calçadas serão mais largas, com itens de acessibilidade tanto na parte interna como na externa, de forma a permitir mais mobilidade e visualização do prédio histórico”, destacou.