O Ministério Público Estadual (MP-RJ), através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), respondeu a dois ofícios protocolados em 23 de novembro do ano passado pelo vereador Jorginho Virgilio (PRP), um deles cobrando informações sobre os desdobramentos no órgão das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) da Odebrecht e das Rosas. As duas foram abertas na Câmara de Campos e já tiveram os seus trabalhos encerrados e encaminhados ao MP, assim como para outros órgãos de controle e fiscalização. O segundo ofício respondido pelo Gaeco trata sobre uma ameaça sofrida pelo vereador em uma rede social.
Em um dos documentos enviados pela promotora de Justiça e membro do Gaeco, Ludimila Bissonho Rodrigues, ela informa que as CPIs ainda "se encontram em fase de investigação, não tendo ainda a deflagração de ação penal". (Leia mais abaixo)
Para o MP foram enviados pela Câmara tudo o que foi apurado sobre o contrato bilionário do Morar Feliz, feito na gestão da prefeita Rosinha Garotinho, com a Odebrecht, envolvida na Lava Jato, e também a respeito dos serviços de jardinagem prestados pela Emec, no valor total de R$ 76 milhões. A expectativa do vereador Jorginho é que seja aberta a ação penal o mais rápido possível para punições de pessoas envolvidas nos supostos desvios de dinheiro público de Campos. O principal objetivo é repatriar os valores aos cofres do município, penalizando os investigados.
"Nós vereadores somos cobrados pela população, que exige punição dura e exemplar a respeito desses dois escândalos que aconteceram no governo passado na Prefeitura de Campos, mas é preciso esclarecer que nós não temos poder para punir culpados e nem tão pouco mandar prender. Quem pode fazer isso é a Justiça”, disse Jorginho.
O vereador também havia comunicado ao MP, através da sua assessoria jurídica, uma ameaça que sofreu nas redes sociais após cobrar resultados efetivos em relação a vários casos de corrupção ocorridos no município, inclusive no Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fndecam), cuja CPI será aberta logo após o fim do recesso do Legislativo campista, previsto para o dia 15 de fevereiro. A proposta é investigar o possível desfalque de mais de R$ 403 milhões provenientes dos royalties nos governos de Arnaldo Vianna, Alexandre Mocaiber e Rosinha Garotinho.
Um homem se identificando como Edilson Crespo, mas que utilizava fotos de um ex-secretário de Obras de Rosinha, ameaçou o vereador em uma postagem no Facebook dizendo que era "para ele aguardar que receberia em breve algum inesperado". Sobre o fato relatado ao MP pelo vereador, a promotora informou que enviou cópia da notícia crime "para a 134ª Delegacia de Polícia (DP), requisitando a instauração de inquérito policial". "Como já disse na tribuna, o vereador tem que ser livre no exercício das funções e não pode trabalhar sobre qualquer tipo de ameaça", destacou Jorginho.
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