Campos 24 Horas - O Ministério Público de São Paulo apresentou uma denúncia contra nove empresários acusados de participar de um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, da exploração de jogos ilegais e de outros crimes. A investigação também aponta uma suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Entre os denunciados estão os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, o "Primo". Ambos haviam sido denunciados, no último dia 26, por suposta participação em um esquema de desvio de metanol para adulteração de combustíveis, e seguem foragidos. Essa é mais uma investigação no âmbito da Operação Carbono Oculto. (Leia mais abaixo)
Segundo a denúncia, um dos serviços clandestinos oferecidos pelo grupo era a "compra de dinheiro". Nesse esquema, os empresários recebiam grandes quantidades de dinheiro em espécie e faziam transferências bancárias para pessoas e empresas indicadas pelos fornecedores do numerário. As comissões cobradas variavam de 1,5% a 4% pelas operações.
As investigações apontam que o grupo teria movimentado inicialmente cerca de R$ 126,8 milhões, conforme informações da Folha de S.Paulo. O valor, no entanto, é considerado conservador pela Polícia Civil, que avalia que o cálculo não incluiu planilhas com divergências aritméticas, registros ilegíveis e programações de pagamento.
A estimativa ainda será consolidada pelo Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil. O MPSP afirma que a consolidação técnica poderá produzir ajustes para valores maiores ou menores.
Operação Falsa Las Vegas
A denúncia é resultado da Operação Falsa Las Vegas, realizada em maio deste ano, que desarticulou uma estrutura voltada à exploração ilegal de jogos de azar e à lavagem de capitais. (Leia mais abaixo)
A operação resultou em duas prisões preventivas, no sequestro de 76 imóveis, na apreensão de um helicóptero e no bloqueio de até R$ 5,3 milhões em 46 contas bancárias. Houve ainda a apreensão de R$ 600 mil em espécie, seis veículos, celulares e documentos. Os mandados foram cumpridos em São Paulo, Carapicuíba, Osasco e Barueri.
Operação Carbono Oculto
A Operação Carbono Oculto foi realizada em 28 de agosto de 2025, que revelou como o Primeiro Comando da Capital (PCC) expandiu sua atuação, infiltrando-se no setor de combustíveis e no mercado financeiro paulista.
O esquema utilizava desde empresas de fachada até fundos de investimentos para mascarar o patrimônio ilícito.
Durante a investigação, foi revelado que, entre 2020 e 2024, o esquema teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões em importações ilícitas de combustíveis. (Leia mais abaixo)
No mesmo período, aproximadamente R$ 52 bilhões teriam sido movimentados em vendas no varejo por meio de mil postos de combustíveis, enquanto outros R$ 46 bilhões foram registrados em transações realizadas por fintechs. A investigação também revelou que dezenas de fundos de investimento fechados e outras estruturas financeiras, que concentravam quase R$ 30 bilhões em ativos, eram utilizados para lavar e reinserir recursos ilícitos na economia. Os valores eram direcionados a negócios como usinas de etanol, terminal portuário, imóveis e frotas de caminhões.