O escritor Luis Fernando Verissimo morreu aos 88 anos neste sábado (30). Ele estava internado desde o início do mês no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), com um quadro de pneumonia.O escritor gaúcho tem uma trajetória profissional rica, atuando como cartunista, tradutor, roteirista, publicitário, revisor, dramaturgo e romancista. Sua obra é marcada pelo bom humor, assertividade e crítica. Além das palavras, é um amante da música, dedicado à prática do saxofone.
Filho do escritor Érico Verissimo, Luis Fernando Verissimo já publicou mais de 80 títulos, entre eles As Mentiras que os Homens Contam, O Popular: Crônicas ou Coisa Parecida, A Grande Mulher Nua e Ed Mort e Outras Histórias. (Leia mais abaixo)
Foram as crônicas e os contos que o tornaram um dos escritores contemporâneos mais populares no país. O Analista de Bagé, lançado em 1981, teve a primeira edição esgotada em uma semana.
'Há diferença entre ser humorista e fazer humor' (Leia mais abaixo)
Sua timidez tornou-se outra característica sempre lembrada, reforçando o valor de seu texto: sim, Verissimo sempre buscou ser engraçado na escrita e não na fala. Na verdade, nunca se julgou um humorista. "Acho que há uma diferença entre ser humorista e fazer humor", disse, certa vez. "O humorista é o cara que tem uma visão humorística das coisas. O humor é sua maneira de ver e de ser."
Uma filosofia que se revelou útil durante a dura fase de exceção Verissimo conta que, durante a ditadura, ele enviava uma crônica para o jornal deixando sempre uma na gaveta, de reserva. "E não foram poucas as vezes em que saiu a reserva", comentou, em outra entrevista. "Os censores pareciam achar o cartum algo infantil; então, era mais fácil fazer passar um cartum político que um texto político". (Leia mais abaixo)
O cronista mais popular do Brasil
Em 2020, Elias Thomé Saliba, professor da USP especializado em humor e autor de Raízes do Riso, descreveu o escritor como o cronista mais popular do Brasil, aquele que "diz o que o leitor quer falar, mas não consegue". "Verissimo ultrapassa o transitório não apenas porque suas crônicas se transformam em livros, mas porque estabeleceu desde o início um pacto humorístico com o leitor." (Leia mais abaixo)
"Mais do que qualquer outro, o público que se torna parte do pacto humorístico é aquele que percorre o noticiário sério do jornal ou da revista e torna-se capaz de entender as alusões, ironias e paródias de Verissimo e de seu humor fortemente conectado com os eventos noticiados e, por isso, compreensível apenas naquelas situações", defendia.
Verissimo escrevia poucas palavras, mas era extremamente preciso (Leia mais abaixo)
Em 2016, o escritor foi perguntado: qual a receita para seus textos serem populares e não popularescos? "Não tenho". Em seguida, atribuía o mérito ao gênero: "Acredito que, antes de mais nada, é ter clareza na escrita. E, como a crônica normalmente não é um texto grande, torna-se acessível a qualquer público". Ao longo da carreira, Verissimo ficou conhecido não apenas pelos "textos não tão grandes", mas também por escrever estritamente o necessário, em pouquíssimas palavras, e ainda assim ter muito a dizer.
Para quem tem interesse em se aprofundar um pouco mais pela figura do autor, em 2024, o documentário Verissimo foi lançado. Fugindo do estilo biográfico cronológico, o longa tinha foco maior no cotidiano do escritor, prestes a completar 80 anos de idade à época das filmagens, que acompanhou por 15 dias. Atualmente, está disponível para assistir no streaming Mubi. (Leia mais abaixo)