Morre o carnavalesco Laíla, que estava internado desde o fim de semana após contrair Covid-19

O falecimento foi confirmado pela esposa dele, Marli da Silva Ribeiro


  • 18/06/2021, 14h34, Foto: Agência O Globo.

O carnaval carioca sofre mais uma baixa para a Covid-19. O carnavalesco Luiz Fernando do Carmo, o Laíla, que estava internado desde último fim de semana no Hospital Israelita Albert Sabin, no Maracanã, Zona Norte do Rio, morreu na manhã desta sexta-feira. O falecimento foi confirmado pela esposa dele, Marli da Silva Ribeiro. Por volta de 11h30, ele teve uma parada cardíaca, segundo familiares.

Laíla, de 78 anos, era uma das figuras mais importantes da folia carioca, com passagens por escolas como Beija-Flor, Vila Isabel, Unidos da Tijuca e União da Ilha, entre outras. Mas, segundo a mulher morreu triste porque ultimamente estava afastado do carnaval. A família ainda não tem informações sobre o sepultamento. (Leia mais abaixo)

Laíla chegou a tomar a segunda dose da vacina contra o novo coronavírus há cerca de um mês, o que permite a proteção completa oferecida pelo imunizante.

Com oito títulos do carnaval do Rio como carnavalesco principal, todos integrando a comissão de carnaval da Beija-Flor entre 2003 e 2018, Laíla é o segundo maior vencedor da folia carioca. Ele só perde para Joãosinho Trinta, que tem nove conquistas - os dois também já trabalharam juntos nas décadas de 60 e 70.

A Beija-Flor de Nilópolis, escola onde Laíla atuou por cerca de três décadas, divulgou nota lamentando a perda:

“A perda de Laíla coloca em luto oficial, por tempo indeterminado, toda a família Beija-Flor (aqui representada pelo presidente de honra Anísio Abraão David e o presidente Almir Reis), ao mesmo tempo em que mobiliza toda a comunidade carnavalesca, já tão impactada com outras partidas significativas em meio à pandemia.Conhecido pela genialidade e a personalidade forte, Laíla carregou consigo o mérito de ter transformado os desfiles da Beija-Flor em um “rolo compressor” capaz de cruzar a Avenida sem perder décimos em praticamente todos os quesitos, principalmente os “de chão” (Harmonia e Evolução, intimamente ligados ao canto e a dança). Também merecem destaque o luxo e a suntuosidade das alegorias e fantasias que deixaram o barracão da Beija-Flor rumo ao estrelato diante de milhares de foliões”, diz a nota da escola.

Laíla teve três passagens diferentes pela escola de Nílópolis: entre 1975 e 1980, 1987 e 1992 e, por fim, 1994 e 2018. No período mais recente e duradouro, o laço se manteve por 23 anos e somou oito vitórias da Deusa da Passarela com Laíla comandando da Comissão de Carnaval. (Leia mais abaixo)

Diretor de marketing da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) e filho do patrono da Beija-Flor Anísio Abraão David, Gabriel David disse que a relação de Laíla com a escola e sua família sempre foi tão próxima que ele nem se lembra quando foi a primeira vez que o viu na vida. A última ele se recorda: foi na eleição para escolha da nova diretoria da liga, em março. Na sua opinião, revolucionou o conceito de desfile das escolas de samba e foi uma perda irreparável para o carnaval:

— Foi a perda de uma pessoa histórica para o samba, como um todo. Uma pessoa que ajudou a Beija-Flor a ser o que ela é. Para a gente é a perda de um amigo, de uma pessoa muito próxima, de alguém por quem a gente tem um carinho absurdo e eterno. Esse momento é difícil não só para a Beija-Flor. Todo mundo que gosta de carnaval está triste. É a perda de uma pessoa histórica para a Beija-Flor, sem dúvida. Nem me lembro a primeira vez que vi o Laíla pela primeira vez. Eu era criança ainda e convivi minha vida inteira com ele. A última vez que a gente esteve junto foi na eleição da liga e conversamos muito. Tive oportunidade de aprender muito com ele. Era como se fosse um tio para mim. Laíla revolucionou o conceito dos desfile. Poucos artistas tinham uma visão tão ampla do desfile como ele. Muito do que ele criou foi replicado inclusive por outras escolas.

Fonte: Extra



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