12/02/2016 14h33 | Foto: Wesley Machado

Jornalistas, radialistas, desportistas e representantes de diferentes segmentos da sociedade campista lamentaram a morte do jornalista esportivo José Nunes da Fonseca, de 83 anos, um dos ícones da radiofonia campista a partir da segunda metade do século passado. José Nunes morreu de causas naturais na madrugada desta sexta-feira (12). Ele era conhecido como “O catedrático”, denominação que ganhou do empresário Pereira Junior quando era proprietário da Campos Difusora.
O diretor do site
Campos 24 Horas, Fabiano Venâncio, falou sobre a morte de José Nunes. “Tive o prazer de trabalhar com José Nunes no início dos anos 80 na rádio Difusora. Foi para mim uma referência como profissional e ser humano. Participei com ele de grandes coberturas esportivas, uma delas em Juiz de Fora, quando cobrimos um jogo em que o Americano foi campeão brasileiro. Além de grande profissional, o estilo gente boa de Zé cativava seus colegas. Fiquei muito triste ao saber da sua morte”, disse Fabiano Venâncio.
O jornalista Álvaro Marcos também lamentou a morte do veterano profissional. “Foi com enorme tristeza que tomei conhecimento do falecimento dele. O "Catedrático" foi um dos maiores nomes do jornalismo esportivo de Campos em todos os tempos. Tive o prazer de trabalhar com ele num curto período. E em 2014 moderei a participação dele na Semana da Imprensa, numa noite memorável nas instalações da antiga Faculdade de Filosofia de Campos. Zé Nunes é um nome que permanecerá para sempre na história esportiva de Campos e região”, comentou.
Amigo de Nunes, o advogado Mário Filho também externou manifestação pela passagem do radialista, através de sua página no Face book. “A imprensa esportiva de Campos, perdeu o catedrático José Nunes da Fonseca, bem como o Americano, Atafona, o Lions Planície e seus inúmeros amigos e familiares. Fui seu ouvinte sempre e companheiro de viagens pelo Brasil afora com o nosso Americano. Mais uma estrelinha a brilhar no céu, o Super Zé”.
Também pelas redes sociais, o advogado e defensor público aposentado Geraldo Machado lembrou de um detalhe pouco conhecido na trajetória de Nunes. “Ele fez política estudantil. Fui seu companheiro de diretoria na saudosa escola de política da Federação dos Estudantes de Campos. Já naquela época, todos nós muito moços, já se destacava pela cordialidade, cavalheirismo nada forçado e bom humor. Tenho certeza de que seu rumo será pavimentado”, disse.
A radialista Linda Mara Silva resumiu a figura de José Nunes da Fonseca. “Uma perda enorme. Grande profissional. Mestre dos comentaristas”.
Como torcedor declarado do Americano, José Nunes jamais permitiu que a paixão suplantasse a análise racional quando analisava os jogos de seu time, do Goytacaz ou outras equipes.
Torcedor do Goytacaz, o narrador esportivo Josélio Rocha comentou que Nunes tinha boas relações com todas as torcidas. “Zé sabia de tudo. Era uma figura ímpar, mais do que seus companheiros de profissão, todos eram seus amigos. Era respeitado por todas as torcidas, jamais vi um estremecimento entre Nunes e um torcedor de qualquer time em razão de um comentário seu que visava nunca o lado pessoal, mas o profissional”.
Para o jornalista Péris Ribeiro, Nunes foi um ícone de uma época em que Campos viu brilhar as grandes equipes esportivas no rádio. “O Zé tinha uma verve inconfundível, um improviso extraordinário, uma capacidade de fazer de seus comentários histórias deliciosas contadas por quem se especializou neste ofício como poucos”, afirmou.
O jornalista e radialista Paulo Renato Pinto Porto lembrou que Nunes tinha vasto conhecimento e falava com propriedade de diferentes assuntos. “Tive a honra e o prazer de trabalhar com Nunes na Campos Difusora por alguns anos. Além de futebol, conhecia a história da música popular brasileira como poucos. Apreciava igualmente as grandes orquestras de jazz, também era uma de suas grandes paixões. Além de excelente papo e bom bebedor”, lembrou.
Além da Difusora, onde se aposentou e brilhou como analista de futebol e redator de notícias no Hora H, durante décadas, Nunes atuou na Folha do Povo e no Monitor Campista. Começou na rádio Campista Afonsiana, depois na Rádio Jornal Fluminense.
O narrador esportivo Arnaldo Garcia, um dos representantes da Acerj (Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro) na região, afirmou que uma das marcas de José Nunes da Fonseca é o zelo de seu texto de cronista.
“Ele era um imortal entre nós. A sua marca era o zelo para com o texto. Nunes era do Monitor Campista e também responsável pela editoria de notícias do boletins matutinos da Campos Difusora na bela época da dupla Andral Tavares/Pereira Júnior. O Roberto Azevedo (locutor) se deliciava com os textos. Grande homem, chefe de família exemplar, um profissional zeloso e primeiro associado da Acerjaqui em Campos”.
Garcia também lembrou que Nunes foi o principal comentarista na era dos narradores Josélio Rocha e Aluizio Parente, nos áureos tempos do rádio esportivo de Campos e quando, efetivamente, o futebol de Campos tinha grande apelo popular. “O Catedrático, como era conhecido, estabeleceu um marco histórico entre todos nossos cronistas e, uma coisa posso afirmar: vai demorar para que tenhamos outro parecido”, completou.