No dia 13 de maio de 2008, um avião da Polícia Federal aterrissou em Campos, de onde desceram policiais que tinham como missão fazer cumprir vários mandados de prisão de empresários do setor de shows, secretários e assessores do então prefeito Alexandre Mocaiber, além de buscas e apreensão na residência do chefe do Executivo. Estava deflagrada a Operação Telhado de Vidro. Todavia, 15 anos depois a ação caiu em prescrição e ausência de provas para a condenação dos réus. Assim, decisão proferida pelo juiz da 3ª Vara Criminal de Campos, Glaucenir Silva de Oliveira, determinou o arquivamento do processo. Alexandre Mocaiber, hoje com 72 anos e médico aposentado da prefeitura, foi, assim, personagem de um dos momentos mais conturbados da política campista. Vereador por dois mandatos, Secretário de Saúde e prefeito, Mocaiber falou ao site Campos 24 Horas como tem vivido nestes últimos anos, revelando que não tirou proveito financeiro da política, ao contrário, chegou a contrair empréstimos, além de dizer como recebeu a notícia do arquivamento do processo da Telhado de Vidro. Por outro lado, fala com orgulho de suas realizações como prefeito. (Leia abaixo)
A operação chegou a levar várias pessoas acusadas à prisão preventiva por mais de um ano. As denúncias passaram pelos trâmites da Justiça Federal, pois havia acusação de uso de verbas dos royalties destinadas pela União, mas o processo também foi arquivado, porque a denúncia que fundamentou a Operação, uma suposta utilização de verbas da saúde para pagamento de shows, foi considerada totalmente infundada. Entretanto, o Ministério Público Federal (MPF) recorreu da decisão, ainda que também tenha atingido a prescrição. (Leia mais abaixo)
Prescrição é quando se perde o direito não requerido ou exercido dentro do prazo legal. Quando ocorre a prescrição, o direito de ação da parte prejudicada é extinto, ou seja, ela perde o direito de buscar reparação na justiça.
O processo tramitou também na Justiça Estadual, onde também não foram apresentadas provas e o processo caiu na prescrição, com tramitação também na Justiça criminal a partir do momento em que a Justiça Federal declinou de sua competência para julgar um caso que não envolvia uso de verbas federais.
À época foram presos o empresário Geraldo Seves, responsável pela contratação de shows; o ex-procurador-geral do Município, Alex Pereira Campos; o ex-secretário de Obras, José Luiz Puglia, o ex-gerente de Desenvolvimento, Edilson Quintanilha; o ex-gerente da secretaria de Planejamento, Francisco de Assis Rodrigues e outros acusados.
A mesma operação implicou no afastamento do então prefeito Alexandre Mocaiber, reconduzido ao cargo 45 dias depois por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STF). Na ocasião, o vice-prefeito Roberto Henriques assumiu interinamente o cargo.
Alexandre Mocaiber, em conversa com a reportagem do Campos 24 Horas, disse que a sensação foi “de alívio e sentimento do dever cumprido”. O ex-prefeito disse ter sido alvo de perseguição política. “Não fui preso nem tive condenação, nem as pessoas que trabalhavam comigo na prefeitura. O que houve foi uma perseguição política contra mim na época, mas que já foi tudo explicado. O sentimento é de alívio e sentimento do dever cumprido”. (Leia mais abaixo)
A RÁPIDA ASCENSÃO DE MOCAIBER - Aliado do ex-prefeito Arnaldo Vianna, após o rompimento deste com Garotinho, Mocaiber teve rápida ascensão num período dos mais conturbados da política local. Foi secretário municipal de Saúde, vereador por dois mandatos, presidente da Câmara, prefeito interino com a cassação de Carlos Alberto Campista por abuso de poder político e econômico na campanha eleitoral. Depois da interinidade, Mocaiber foi eleito prefeito batendo nas urnas a Geraldo Pudim.
“Estou com a consciência tranquila de que procurei fazer o melhor como prefeito. Até hoje as pessoas se lembram das obras importantes que fizemos como a Ponte Alair Ferreira, mudamos a realidade de muitas comunidades, onde removemos algumas favelas e construímos conjuntos habitacionais como o do Parque Prazeres, ali atrás do HGG, bem como na Portelinha que antes era a Tira-Gosto; fizemos a Estrada dos Ceramistas; as obras de urbanização do Parque Imperial, entre outras”, disse.
Ao responder a pergunta do repórter do Campos 24 Horas se a política lhe proporcionou alguma evolução financeira, Mocaiber, de 72 anos, declarou que em momento algum fez “uso do cargo para benefício próprio”.
— Eu vivo recorrendo ao crédito consignado. Quem conhece minha rotina sabe que trabalho às vezes em cinco plantões para sobreviver depois que deixei a prefeitura — afirmou ainda o ex-prefeito acrescentou que leva uma vida modesta e de muito trabalho, apesar de aposentado.
— Minha rotina é de muito trabalho, o que faço com prazer porque não fiz da política um meio de vida. Sou aposentado pela prefeitura, mas continuo trabalhando em São Francisco de Itabapoana, na Beneficência Portuguesa e no meu consultório — finalizou. (Leia mais abaixo)