Mistura de empresas estatais e privadas no leilão de Libra


segunda-feira, 21 de outubro de 2013   -    Foto: arquivo Para especialista, mistura é positiva para a exploração na camada do pré-sal

perfurando petróleo 2013 2A mistura entre empresas estatais e privadas no consórcio vencedor do leilão do Campo de Libra pode ser “muito positiva” para a primeira frente de exploração do pré-sal no modelo de partilha. A avaliação é do geólogo Carlos Jorge Abreu, professor da Universidade de Brasília (UnB) e aposentado pela Petrobras. “É uma formação interessante por misturar duas empresas estatais e duas privadas",disse Abreu.

"Com isso, esperamos que o consórcio tenha uma condição boa e aproveite o melhor de cada um dos lados”, disse Abreu , referindo-se ao grupo vencedor da 1ª Rodada de Licitação do Pré-Sal, formado pelas estatais Petrobras (brasileira) e CNPC e Cnooc (chinesas) e pelas empresas privadas Shell (anglo-holandesa) e Total (francesa). (Leia mais abaixo)

Dos 70% arrematados pelo consórcio, 20% são da Shell e 20% da Total. A CNPC e a Cnooc têm, cada uma, 10%, assim como a Petrobras, que já tinha garantidos 30%. O leilão garantiu à União 41,65%% do lucro do óleo retirado do campo. O consórcio – único a participar da disputa – pagará ao governo brasileiro bônus de R$ 15 bilhões, além de garantir investimento mínimo de R$ 610 milhões.

Segundo o geólogo do Instituto de Geociências da UnB, “é bom que haja, no consórcio, parceiros diferentes, inclusive em termos ideológicos”. A Shell e a Total, avalia ele, "querem lucro de forma independente da nacionalidade". E as chinesas, acrescenta, "mais do que o dinheiro, querem o petróleo para assegurar o mercado interno e para que seu país continue com o crescimento econômico dos últimos anos”, disse o professor.

“Já a Petrobras – que não está em uma fase de fazer grandes investimentos, após a queda das ações vista nos últimos anos e devido aos déficits anuais em função de o governo a usar para segurar preços e inflação – tem a expectativa de, com o resultado do leilão, ter suas ações valorizadas [no mercado financeiro] para compensar as baixas recentes. Além disso, Libra será interessante para a estatal brasileira refazer seu caixa a médio e longo prazo”, acrescentou.

O professor ressalta que a Petrobras não pode deixar que os grandes números do pré-sal acabem por desestimular outras frentes de ação. “Ela precisa investir em campos que têm registrado diminuição na produção”, disse o geólogo.

Estima-se que o Campo de Libra, localizado na Bacia de Santos, tenha reservas entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris de petróleo. Caso o potencial se confirme, este será o maior campo de petróleo do país. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) acredita que, em seu pico de produção, sejam extraídos diariamente 1,4 milhão de barris de óleo – cerca de dois terços do total da produção atual de todos os campos do país (2,1 milhões de barris por dia). (Leia mais abaixo)

“Ainda serão necessários muitos estudos para saber o real potencial. É preciso furar mesmo. Mas, antes, tem de levantar dado porque não há garantia. O que há é apenas ideia do potencial”, disse Abreu. “Ninguém tem mais condições de operar no pré-sal do que a própria Petrobras. Ela é operadora única neste modelo [partilha], mas mesmo se fosse sistema de concessão, todas as empresas iam querer ela como operadora”, completou o professor da UnB.



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