Ministro da Justiça diz que restos mortais foram encontrados no Amazonas pela PF

Anderson Torres informou que havia remanescentes humanos em região escavada pela PF; eles serão submetidos a perícia


  • 15/06/2022, 20h58, Foto: Divulgação.

O ministro da Justiça, Anderson Torres, disse que restos mortais foram encontrados no Amazonas pela Polícia Federal, nesta quarta-feira (15), na região da Terra Indígena do Vale do Javari, onde o jornalista inglês Dom Phillips e o indigenista Bruno Araújo desapareceram em 5 de junho.

Os remanescentes humanos, como são chamados de forma técnica, foram encontrados no local onde estavam sendo feitas as escavações, segundo Torres. O material será submetido a perícia. Ainda nesta quarta, a Polícia Federal vai prestar esclarecimentos em uma coletiva de imprensa, marcada para as 20h30, no horário de Brasília. (Leia mais abaixo)

 Mais cedo, um dos pescadores detidos pela PF confessou ter matado o jornalista e o indigenista e depois esquartejado os corpos e ateado fogo neles. Duas pessoas estão presas, Osoney da Costa e Amarildo dos Santos. Eles foram vistos por testemunhas perseguindo a lancha dos profissionais.

De acordo com informações obtidas pelo R7, um dos suspeitos informou o local em que os corpos foram incendiados e abandonados. Equipes da Polícia Federal foram até a região para confirmar a informação. A partir de agora, as diligências tentam entender as motivações e as circunstâncias das mortes.

O desaparecimento do repórter e do indigenista, que é servidor da Funai (Fundação Nacional do Índio), repercutiu no Brasil e no exterior. Ambos estavam realizando pesquisas e entrevistas na região para a produção de um livro e de reportagens sobre invasões nas áreas indígenas. O Vale do Javari é uma localidade com atuação intensa de narcotraficantes, garimpeiros ilegais e madeireiros que tentam expulsar povos tradicionais da região.

O servidor da Funai, que estava licenciado de suas funções na fundação, era alvo de ameaças constantes por parte de garimpeiros e madeireiros na região. Segundo a União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Bruno foi intimidado dias antes da viagem. As buscas foram coordenadas pela Polícia Federal e tiveram o auxílio de outras forças de segurança. A Terra Indígena Vale do Javari, onde Bruno Araújo Pereira e Dom Phillips desapareceram, é palco de conflitos que envolvem garimpo, extração de madeira, pesca ilegal e narcotraficantes. Eles faziam o trajeto entre a comunidade ribeirinha São Rafael e a cidade de Atalaia do Norte, a 1.135 quilômetros de Manaus.

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