Investigações da Polícia Civil revelam que milicianos de diferentes partes do estado fazem acordos dentro da Penitenciária Bandeira Stampa para ampliar seus domínios. No presídio, que faz parte do Complexo de Gericinó, convivem detentos acusados de integrar milícias das zonas Norte e Oeste do Rio, da Baixada Fluminense, de São Gonçalo e de Maricá, na Região Metropolitana. Mensagens encontradas em celulares de criminosos e escutas telefônicas mostram que já partiram, da unidade, ordens para o início de cobrança de taxas em diversos locais e até para chacinas.
Uma das tramas descobertas pela polícia foi a de Anderson Cabral Pereira, o Sassa, chefe da milícia do Porto Novo, em São Gonçalo, para dominar Maricá entre 2017 e 2018. De acordo com uma denúncia do Ministério Público enviada à Justiça em setembro de 2018, escutas revelaram que Sassa cooptou um colega de cela em Bangu para tentar estender seus domínios. (Leia mais abaixo)
À época, Luiz Carlos Pereira de Melo, o R6, que compartilhava cela com Sassa, estava prestes a sair da cadeia. Acusado de ser chefe da milícia de Maricá, o sargento PM Wainer Teixeira, estava preso acusado de receber propina de traficantes na Unidade Prisional da PM. Sassa viu uma chance de preencher o vácuo de poder.
Após sair da cadeia, R6 chegou a ir para Maricá, mas o plano de Sassa deu errado: Wainer foi beneficiado com a prisão domiciliar e voltou ao município, impedindo o rival de entrar em seus domínios.
A investigação também descobriu que o miliciano ordenou, de dentro do Bandeira Stampa, duas chacinas entre maio e julho em São Gonçalo, em que seis pessoas morreram e mais de dez ficaram feridas em áreas dominadas por bandos rivais. Na primeira delas, quando homens saíram de um carro e atiraram em direção a 50 pessoas que confraternizavam num bar ao lado de um campo, Sassa mandou outros detentos que estavam na mesma galeria do presídio assistirem às reportagens na televisão, porque ele havia ordenado o ataque.
Inspetores integram esquema
Para manter contato com o exterior, milicianos também contam com a cumplicidade de agentes penitenciários. A Polícia Civil interceptou uma ligação telefônica entre Anderson Pereira, o Sassa, e um servidor. Na conversa, o criminoso explica que quer transferir um preso da Cadeia Pública Patrícia Acioli, em São Gonçalo, para o Bandeira Stampa. O servidor, chamado de “Tiquinho” pelo miliciano, respondeu que “a transferência custaria R$ 3 mil”. (Leia mais abaixo)