30/01/2016 19h | Foto: Ag. O Globo

Sem entrosamento, sem dinheiro e com sete desfalques na estreia. A dívida do Botafogo, de R$ 845 milhões, é a maior entre os times da Série A do Brasileiro, e vai aumentar devido ao movimento de 14 ex-jogadores de 2015, que se mobilizam para cobrar na Justiça os salários atrasados. Se o mais pessimista dos torcedores alvinegros acredita que isso só acontece com o Botafogo e poderia atrapalhar o time, esqueça. A vitória neste sábado, de 2 a 0, sobre um fraquíssimo Bangu, em São Januário, só deixou mais visível o abismo técnico entre os grandes e pequenos de um combalido Campeonato Estadual.
Diante da fragilidade de um adversário que no passado já decidiu um Brasileiro, a vitória levou 22 minutos para ser encaminhada. Dependente de Almir e dos problemas do próprio Botafogo para não sair perdendo, o Bangu encenou o papel que se esperava dele ao abdicar do ataque. O técnico Ricardo Gomes adiantou a linha defensiva e orientou o time a manter a posse de bola no campo do rival. Ainda sem Neilton, Sassá, Octávio, Lizio, Carli, Bruno Silva e Fernandes, mas com a estrela de Gervasio “Yaca” Núñez, o Botafogo abriu o placar em bela jogada individual do argentino, aos 8 minutos.
Gomes dizia que ainda era cedo para falar de estilo de jogo, do que pretende para o ano da volta à elite, ainda mais sem poder usar todos jogadores. Mas a torcida aprovou a movimentação no ataque, com o jovem e rápido Luis Henrique mais à frente e Yaca Núñez pelo lado esquerdo, mantendo a posse de bola. Já gostava do que via quando Renan Fonseca, aos 22, cabeceou para fazer o segundo, após cobrança de falta de Gegê.
Na parada técnica do segundo tempo, aos 20, Jefferson nem bebeu água. Estava com a camisa livre de suor apesar do calor e sol forte. Não havia feito uma defesa.
Na camisa alvinegra, a estrela não esteve solitária ontem. Trazia um escudo que homenageava os 80 anos do Tetracampeonato Carioca (1932-33-34-35). Ao olhar para o passado, mas sem nostalgia, o Botafogo lembrou de um tempo onde existiam mais que quatro grandes, campeões consecutivamente título há 50 anos. Hoje, o Bangu só faz barulho com a sua tradicional banda, a única alegria de seus torcedores neste Carnaval.