Mensagens/ procuradores e Moro: Bolsonaro terá reunião e entidades se pronunciam

OAB quer que os envolvidos peçam afastamento dos cargos públicos


  • 10/06/2019, 22h15, Foto: Divulgação.

O presidente Jair Bolsonaro deve conversar na terça-feira com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, sobre supostas mensagens vazadas para só então traçar uma linha de ação sobre o assunto, disse nesta segunda-feira o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros.

"O presidente da República não se pronunciará a respeito do conteúdo de mensagens e aguardará o retorno do ministro Moro para conversar pessoalmente, em princípio amanhã", disse Rêgo Barros em briefing a jornalistas. (Leia mais abaixo)

O site Intercept Brasil publicou no domingo reportagens que mostram suposta troca de mensagens entre Moro, então juiz federal responsável pela Lava Jato em Curitiba, e o coordenador da operação, Deltan Dallagnol. Com base no que diz serem arquivos recebidos de uma fonte anônima, o site mostra supostas conversas entre Moro e Dallagnol sobre decisões, andamento das investigações e sugestões de testemunhas.

Moro, Dallagnol e os procuradores da Lava Jato negam que tenha havido qualquer irregularidade. Em entrevista coletiva em Manaus, onde cumpria agenda, o ministro não confirmou a autenticidade das mensagens, porque, segundo ele, são coisas que, se aconteceram, aconteceram anos atrás. "Eu não tenho mais essas mensagens, eu não guardo esses registros."

Questionado qual seria a estratégia do governo no Congresso diante do caso, uma vez que a oposição anunciou obstrução das votações, o porta-voz disse que até o momento não há nenhuma.

"Como o nosso presidente não teve a oportunidade de compartilhar o conhecimento dos fatos junto ao ministro Sergio Moro, por consequência, o governo não tem nenhum planejamento de momento", disse o porta-voz.

Rêgo Barro disse que o encontro do presidente com Moro seria importante para Bolsonaro conhecer do "próprio ministro Sergio Moro a sua percepção e a partir dessa conversa traçar linhas de ação e estratégias". (Leia mais abaixo)

No briefing, o porta-voz disse também que o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, informou que são necessários ajustes no anunciado pacto entre os Poderes e que há uma indicação de que a assinatura do mesmo, inicialmente prevista para esta segunda-feira, deve ocorrer na semana que vem.

Irrestrita confiança

O presidente Jair Bolsonaro tem confiança irrestrita no ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, segundo a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência.

"Nós confiamos irrestritamente no ministro Moro", disse Bolsonaro, segundo nota da Secom ao Jornal Nacional, da TV Globo.

Entidades cobraram a apuração dos fatos:   (Leia mais abaixo)

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) disse que "aguarda serenamente que o conteúdo do que foi noticiado e os vazamentos que lhe deram origem sejam devida e rigorosamente apurados";

A Associação Nacional dos Procuradores da República afirmou que "cobrará das autoridades competentes a apuração rigorosa, mediante investigação célere, isenta e aprofundada, já que a obtenção ilícita de dados e informações e a interceptação ilegal de conversas pessoais, bem como a sua transmissão a terceiros, além de se constituir em atividade que coloca em risco o trabalho e a segurança dos agentes públicos envolvidos, configuram (...) crimes";

A força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal do Paraná disse ser alvo de ataques de hackers desde abril; no domingo, havia dito que os dados eventualmente obtidos refletem uma atividade desenvolvida com "pleno respeito à legalidade e de forma técnica e imparcial";

O Conselho Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil recomendou afastamento de Moro e de procuradores. "A íntegra dos documentos deve ser analisada para que, somente após o devido processo legal – com todo o plexo de direitos fundamentais que lhe é inerente –, seja formado juízo definitivo de valor", diz trecho da nota da OAB.



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