Meninas de Guarus: políticos, professores, empresários e policiais depõem

Sentença sairá após o Ministério Público e a defesa apresentarem as alegações finais


18/08/2015     -      Foto: Filipe Lemos/Campos 24 Horas fórum(última atualização às 20h22)- Após dois dias de depoimentos, durante os quais foram ouvidos 20 acusados e várias testemunhas, a  juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza encerrou, por volta das 20h desta terça-feira, a audiência de instrução do caso que ficou conhecido como 'Meninas de Guarus'. Os acusados de vários crimes, como exploração sexual de menores, homicídio e cárcere privado, são políticos, professores, donos de motel e de hotel, de drogaria, empreiteiro e policiais. O dono de uma rede de móteis foi o único que não prestou depoimento. A defesa dele alegou que suas testemunhas estavam fora da cidade. Com isso, ele será ouvido na próxima semana. Ao final, a juíza informou que o Ministério Público e os advogados de defesa terão 10 dias para apresentação das alegações finais. Depois disso, será dada a sentença. Depoimentos  O primeiro a depor foi um sargento da Polícia Militar. Ele negou ter contratado menores de idade para fazer programas. Um homem que é acusado de ser o dono de casa de prostituição,  foi o segundo a prestar depoimento. L.R.S., o “Alex”, alegou que não sabia que vítimas eram menores de idade. Segundo ele, as adolescentes tinham documentos  falsos. O terceiro acusado, um político,  disse não conhecer as vítimas. O político disse que há alguém se passando por ele e cometendo os crimes. Disse ainda que pode ter sido vítima de uma armação. Em um dos trechos do depoimento, o político alegou que estava no Rio, em um compromisso oficial, na data em que a adolescente alega que estava com ele em um sítio. Em seguida, foram ouvidos dois donos de hotéis da área Central. Ambos disseram que não são permitidas entrada de menores, somente com responsáveis. Um professor de música, que já foi preso por ter tido relação sexual com uma menor, disse que achou o contato da jovem através de um anúncio de jornal. Outro acusado, um  sargento da PM, lotado no 8º BPM/Campos, informou que nunca teve relação com nenhuma menor e desconhece as acusações. O militar disse que é um chefe de família e nunca entrou em um motel. Já um professor de matemática, que também figura como acusado no processo, disse que as acusações não são verdadeiras e preferiu ficar calado. Uma mulher de 37 anos, acusada de fornecer drogas para as adolescentes, negou o crime. Segunda ela, trabalha como doceira. Um ex-vereador de Campos também foi ouvido como acusado. Delegado e Comandante do GAP são ouvidos  Autoridades policiais que participaram de diligências e parentes das vítimas também depuseram . Entre as autoridades ouvidas pela juíza,  estão  o tenente-coronel Luiz Fernando da Silva Leal, comandante do Grupo de Apoio a Promotoria (GAP). Ele comandava o GAP em 2009. O delegado titular da 134ª DP/Centro, Geraldo Rangel,a época titular da 146ª DP/Guarus, também foi ouvido. Ambos são testemunhas de acusação. (Atualizado às 15h20) - Quatro testemunhas de defesa de um político de Campos  depuseram no início da tarde desta terça-feira (18). São elas: uma ex-secretária, um ex-assessor, um ex-motorista e um ex-caseiro. O teor dos depoimentos não foi divulgado. Na parte da manhã, depuseram cinco testemunhas, entre as quais uma funcionária de um hotel do Centro. Segundo fontes informam ao Campos 24 Horas, a sentença do caso pode sair durante a noite. Os últimos a prestarem depoimentos foram uma mulher que é suspeita de cozinhar para as vítimas, ela é irmã de um homem que já está preso. (Atualizado às 11h45 ) - Recomeçou na manhã desta terça-feira (18), no fórum de Campos, a audiência de instrução do caso “Meninas de Guarus”. As mulheres que foram vítimas estão presentes.  Um dos depoimentos desta manhã foi do coordenador do Grupo de Apoio a Promotoria(GAP), que fala sobre os materiais apreendidos na casa onde supostamente havia exploração sexual de adolescentes e cárcere privado. O processo tem 20 indiciados, entre os quais políticos, empresários e policiais. Cerca de oitenta pessoas foram intimadas como testemunhas de defesa. A juíza do caso é do Rio e chegou a Campos em um helicóptero blindado da Polícia Civil. No ano passado, cinco homens  indiciados foram presos,  mas as prisões foram revogadas. O  Ministério Público denunciou mais 14 pessoas, que foram mantidas em liberdade. O caso, que ganhou grande repercussão e, inclusive, levou 17 juízes a se declararem suspeitos para julgar a ação, investiga desde 2009 a exploração sexual de adolescentes que possivelmente foram mantidas em cárcere privado. Além disso, são investigados casos de drogas e homicídios. O processo tramita em segredo de Justiça e é presidido pela juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, da Vara de Execuções Penais, do Rio de Janeiro. A audiência teve inicio às 12h e deve prosseguir durante todo o dia. A primeira testemunha de acusação ouvida foi uma jovem de 21 anos. Ainda estão previstos para esta segunda-feira os depoimentos de mais duas testemunhas, sendo que uma delas está cumprindo pena por outro crime. Audiência de instrução é o momento culminante do processo de conhecimento, quando são produzidas as últimas provas e é dada a sentença. 20150817145805 (1)Relembre Ao todo, 20 homens foram denunciados por acusação de exploração sexual infantil e outros crimes, como ocultação de cadáver, em Campos. Entre os denunciados, seis tiveram prisão preventiva decretada, dos quais  cinco foram presos no dia 17 de outubro.  Seis motéis também foram interditados. A denúncia, assinada por seis promotores de Justiça, foi recebida pelo juiz da  3ª Vara Criminal de Campos. O processo tramita em segredo de Justiça.  



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