Mendonça rebate Gilmar, nega vazamentos e diz que nunca 'transformou plenário em picadeiro'

Sem citar Gilmar, Mendonça disse que jamais 'transformou o plenário num palanque ou picadeiro, vociferando aos berros, para tentar mascarar com truculência ilações vazias'


  • 17/09/2026, 10h19, Foto: Rosinei Coutinho/STF.

Campos 24 Horas – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), publicou uma nota nesta quinta-feira (17) rebatendo as declarações de Gilmar Mendes, decano da Corte, sobre a decisão de levantar o sigilo de processos no caso Master, sob relatoria dele, e de supostos "vazamentos" no processo.

Sem citar Gilmar, Mendonça disse que "jamais transformou o plenário num palanque ou picadeiro, vociferando aos berros, para tentar mascarar com truculência ilações vazias e que carecem de qualquer fundamento jurídico minimamente aceitável" (veja mais abaixo).

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Mais cedo, o decano fez uma publicação nas redes sociais na qual defendeu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e afirmou que o relator do caso, Mendonça, teria fins "político-eleitorais" com a divulgação de informações que citam Gonet. Ele também chamou o colega de "pixuleco eleitoral".

Gilmar também comparou a atuação de Mendonça à de Deltan Dallagnol e Sergio Moro, na época da Operação Lava Jato. O decano afirmou que, neste caso, "o levantamento [do sigilo] apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método".

As manifestações nesta quinta (17) representam mais um episódio dos embates entre ministros da Corte envolvendo a condução do caso Master. Durante o julgamento do relatório da Polícia Federal (PF) que citou Alexandre de Moraes, Mendonça e Gilmar protagonizaram diversos confrontos (relembre mais abaixo).

O que disse Mendonça - Na nota, o ministro afirmou que a pretensão de levantamento do sigilo de todo e qualquer procedimento, sem exceção, não partiu dele, relator. "Veio de quem hoje se diz indignado com a publicidade dos autos".

"O que o relator fez foi levantar o sigilo de procedimento específico, em decisão fundamentada e nos estritos limites do que lhe competia decidir. É no mínimo curioso que a crítica venha de quem sempre pleiteou publicidade irrestrita, da integralidade de toda a investigação", prosseguiu.

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Mendonça também negou qualquer comentário sobre tolerância com vazamentos, e afirmou que determinou apuração de toda divulgação indevida no curso da investigação, inclusive, com uma fase específica sobre vazamentos ligados a um servidor da PF.

"Chama a atenção, ainda, que a preocupação com a exposição alheia se manifeste de forma seletiva, logo após a requisição de acesso ao aparelho celular de investigado e a divulgação, na imprensa, de conversas de toda ordem que constrangem, coincidentemente, apenas ministros de entendimento diverso", pontuou Mendonça.

Ele também disse: "Se há uso indevido da publicidade nesta Corte, ele não está na decisão publicada e fundamentada nos autos, sujeita à impugnação e escrutínio pelas vias ordinárias, mas na tentativa de constrangimento dirigido a pares, com insinuações de que determinados conteúdos poderão ou não vir a público conforme o rumo de certos julgamentos".

Nesse sentido, defendeu a aprovação de um código de ética para a Corte, defendido pelo presidente do Supremo, Edson Fachin.

"Episódios como esse apenas demonstram a urgência na aprovação de um código de ética no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Um código que discipline de modo próprio a postura esperada do magistrado ao se pronunciar em qualquer ambiente, dentro e fora da Corte, inclusive no trato com os pares".

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Fonte: g1



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