Médicos fazem história e carreira na política de Campos

“Homens de branco” voltam às ruas de Campos na disputa eleitoral. Campos 24 Horas mostra a história dos médicos na política campista


  • 12/09/2020, 00h51, Foto: reprodução-Campos 24 Horas.

Nas eleições deste ano para prefeitura de Campos, os “homens de branco” estarão de novo nas ruas do município em busca do voto do eleitor. A política e a medicina são duas atividades que existem desde os primórdios da história da humanidade. Ao longo da história não foram poucos os médicos que se tornaram prefeitos ou se elegeram para outros cargos pelo voto popular em Campos. Pelos serviços prestados e por lidar diretamente com as camadas mais pobres da população, adquirem enorme popularidade e muitas vezes são lembrados pelos partidos para uma candidatura majoritária ou puxar votos como vices na composição de chapas. O Campos 24 Horas fez um amplo levantamento e mostra também a história de vários médicos na política Goitacá desde 1910.

O clínico geral Bruno Calil, pré-candidato à Prefeitura de Campos na disputa pelo Partido Solidariedade, e o ginecologista Constantino Ferreira, vice na chapa encabeçada pelo construtor Jhonathan Paes (PMB), são os dois médicos oficializados para disputa de 15 de novembro. A médica Carla Waleska pode também compor chapa com o técnico da área de petróleo Lesley Bethoven (PSDB). No caso dela, ainda depende da definição se o partido terá candidato próprio ou apoiará Caio Viana. (Leia mais abaixo)

Bruno Calil  terá o apoio de um bloco de 5 partidos: Solidariedade, DEM, MDB, PTC e PV.

O pedetista Caio Vianna também convidou o médico César Ronald para ser seu vice na eleição deste ano para a prefeitura. O médico é um dos fundadores do PDT no município.

CONHEÇA A HISTÓRIA DOS MÉDICOS NA POLÍTICA CAMPISTA

A lista dos profissionais da medicina que se tornaram prefeitos de Campos é longa. O primeiro deles foi José Nunes Siqueira, que exerceu seu mandato de 1910 a11. 

Depois, Luiz Caetano Guimarães Sobral, natural do Rio de Janeiro, mas que logo se fez campista por adoção. Foi cirurgião, médico de consultório e médico de família, provedor da Santa Casa de Misericórdia de Campos de 1937 a 1948, fundador e presidente da Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia, exerceu papel preponderante, nas epidemias de varíola, peste bubônica e gripe espanhola, entre 1899 e 1906. Acabou eleito vereador e prefeito por quatro vezes. (Leia mais abaixo)

Posteriormente, foi a vez de Benedito Pereira Nunes (1928 a 30), em seguida Osvaldo Cardoso de Melo (1931 a 32), Silvio Bastos Tavares (1932 a 33 e 1936 a 37)e Manuel Ferreira Paes (1945, quando não chegou a terminar o mandato, e 1947 a 51).  

Ainda na década de 1950, o médico João Barcelos Martins surge como liderança popular como prefeito em dois mandatos (1955 a 59 e de 1963 a 64). Nesta última passagem pela prefeitura, Barcelos não chegou a terminar o ciclo porque, vítima de infarto, morreu em Niterói após uma reunião do seu partido, o PSB, no dia 11/04/1964, depois de saber que sua casa havia sido invadida em Campos por agentes da ditadura militar instalada no país 11 dias antes.  

Outro médico que governou Campos nesta época foi Edgardo Nunes Machado (1962). 

De 1982 a 83, o médico Wilson Paes chegou assumir o mandato como vice de Zezé Barbosa.  

Em 1988, Anthony Garotinho foi buscar no médico Adilson Sarmet um aliado importante para fortalecer a chapa vitoriosa do movimento chamado Muda Campos, interrompendo um ciclo hegemônico de prefeitos com vínculos estreitos com os usineiros e a aristocracia canavieira.      (Leia mais abaixo)

Com forte penetração nas camadas populares, o prefeito Garotinho foi buscar novamente outro médico, caso de Arnaldo França Vianna, para buscar os votos na classe média e tentar a prefeitura pela segunda vez. A receita foi novamente exitosa. Depois de vice, Arnaldo se elegeu prefeito para dois mandatos (1998 a 2000 e 2001 a 2004). Antes, o médico foi também vereador e por último elegeu-se deputado federal.

Sob as bênçãos de Arnaldo (já rompido com Garotinho), Alexandre Mocaiber foi outro médico a ingressar na política, tendo sido eleito vereador, presidente da Câmara Municipal e prefeito por duas vezes. Chegou a ser cassado por denúncias de improbidade administrativa na Operação Telhado de Vidro (2008).

Na Câmara Municipal, a cada legislatura um médico pelo menos ocupa uma cadeira no Legislativo. O recordista de mandatos é o cirurgião e cardiologista Abdu Neme. Nas Assembléias Legislativas e no Congresso Nacional a presença é igualmente significativa.    

No palco principal, outros médicos vieram a se consagrar na política, casos de Juscelino Kubitschek, que saiu da pacata Diamantina para ser prefeito de Belo Horizonte, deputado federal, senador, governador de Minas Gerais e presidente da República.

Formado pela Universidade Federal da Bahia, Antônio Carlos Magalhães nem chegou a exercer a medicina, mas tornou-se prefeito de Salvador, governador da Bahia, ministro e senador. Geraldo Alkmin tornou-se governador de São Paulo.  (Leia mais abaixo)

 



fique bem informado