Médicos e especialistas em educação defendem aulas presenciais

Segundo levantamento, pelo menos 19 estados e o Distrito Federal retomarão o ensino 100% presencial


  • 30/01/2022, 00h20, Foto: Reprodução.

Pelo menos 19 estados e o Distrito Federal retomarão as aulas de forma 100% presencial, segundo levantamento da agência CNN. Em Belo Horizonte, as aulas presenciais foram adiadas para o dia 14 de fevereiro. 

Em entrevista à CNN, especialistas concordam com a retomada presencial do ensino para o ano letivo de 2022.  (Leia mais abaixo)

“Se houve um aprendizado, nestes dois anos de pandemia, é que em nenhum momento as escolas funcionaram como um grande desencadeador de transmissão desse vírus na comunidade”, explicou o infectologista Marco Aurélio Sáfadi.

Para garantir a segurança no retorno presencial, o médico alertou para a importância do cumprimento das medidas de proteção.

“Privilegiar ambientes ventilados, utilizar as máscaras, e, neste momento, com a Ômicron, quanto mais ajustadas ao rosto mais eficiente será essa medida, higienizar as crianças e a triagem de sintomáticos.”

“A nossa recomendação é que as escolas permaneçam abertas neste momento, que seja reavaliado isso diuturnamente, para que a gente possa se valer das medidas que se fizerem necessárias, de acordo com toda essas variáveis que a gente colocou anteriormente”, avaliou Sáfadi.

“Período longe das escolas causou prejuízo irremediável para crianças” (Leia mais abaixo)

Os quase dois anos sem aulas presenciais causaram prejuízos irremediáveis para as crianças, desde o âmbito educacional ao neurológico e social, de acordo com o coordenador do Comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia, Marcelo Otsuka.

“Temos que ter todos os cuidados para que as crianças possam voltar, isso inclui a vacina, mas atrasar ainda mais pode ser um prejuízo a mais”, afirmou.

Entre os cuidados citados por Otsuka, está o escalonamento na entrada das crianças nas escolas, higienização, uso de máscaras, barreiras físicas e inquéritos sorológicos, para entender como está a situação epidemiológica.

O pediatra lembra também que se a criança apresentar sintomas gripais ou tiver contato com alguém com sintomas em casa é necessário ficar em isolamento.

Sobre as vacinas em uso no Brasil para crianças entre 5 e 11 anos, a Coronavac e a Pfizer, Ostuka disse que ambas são seguras e se “mostraram extremamente eficazes nessa população”, incentivando os pais a vacinarem seus filhos. (Leia mais abaixo)

Ações que recuperem aprendizagem são fundamentais, diz especialista

Diante dos prejuízos causados pela pandemia aos alunos, a oficial de educação do Unicef Julia Ribeiro afirmou à CNN que “é fundamental investir em ações que busquem recuperar a aprendizagem. Os estudantes vão voltar às escolas em diferentes níveis de aprendizagem”.

Segundo a especialista, diferentes fatores influenciaram no processo de aprendizagem neste período, como a dificuldade tecnológica para acompanhar aulas remotas e a saúde mental de alunos que perderam entes próximos, por exemplo.

Com o afastamento dos estudantes das escolas, o desempenho escolar de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social foi ainda mais afetado, explicou a oficial de educação.

“No final de 2020, o Brasil já tinha mais de 5 milhões de crianças e adolescentes que estavam sem acesso a educação”, apontou Julia. (Leia mais abaixo)

Para o que vem pela frente, “é fundamental que neste momento o espaço da escola seja um espaço acolhedor para os estudantes, para os profissionais que lá atuam e para as famílias, porque todos nós vivemos diferentes desafios na pandemia”, defende.

Fonte: CNN Brasil



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