
Numa conversa aberta e esclarecedora, o psiquiatra Cláudio Teixeira, orientou os funcionários da Fundação Municipal da Infância e da Juventude (FMIJ) a como lidar com os casos que envolvem crianças e jovens com tendência ao suicídio e à automutilação. Durante a capacitação, que aconteceu nesta quarta-feira (1º), no Plenário da Câmara de Vereadores, o especialista revelou que nos primeiros 10 meses deste ano, o Hospital Ferreira Machado (HFM) atendeu a mais de 50 casos de tentativas de suicídio: quatro deles envolvendo crianças e 80% do total eram pessoas com menos de 35 anos. Num único dia – há duas semanas -, em menos de 12 horas, foram registrados cinco casos de tentativa de suicídio, cerca de 10% do total deste ano até o momento.
Ainda de acordo com ele, este tipo de casos vem crescendo absurdamente em todo o país. Segundo dados do Ministério da Saúde, o suicídio é a quarta maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil.
“O sofrimento na infância é uma das principais causas da tentativa de suicídio. O número de casos vem crescendo assustadoramente e no dá um cenário preocupante. Mas há muito a ser feito por estas crianças, adolescentes e jovens. Quanto mais precoce for a intervenção, mais eficaz será o resultado do tratamento”, alertou.
O psiquiatra ainda destacou que todos os funcionários, que lidam direta e indiretamente com crianças, adolescentes e jovens, devem estar atentos a todos os sinais de sofrimento que eles venham a apresentar, seja através do silêncio ou da verbalização, da impulsividade ou do isolamento. “Algo muito importante que todos podem fazer, mesmo sem ser especialista, é se aproximar desta criança, acolhê-la e criar um ambiente para que ela se sinta melhor, aliviando assim seu sofrimento. Pode não parecer, mas este é um procedimento terapêutico”, explicou o especialista.
Ainda de acordo com Cláudio, o bullying é outro elemento que está diretamente ligado ao suicídio. “Cabe a nós trabalhar a perspectiva de vida deles, dar asas para que voem. Existe o mito de que quem avisa não faz. Mas, na verdade, quando alguém expõe o seu desejo de acabar com a própria vida, esta pessoa está gritando por socorro. É a desesperança que o faz ter esta impulsividade”, esclareceu.
Por fim, o especialista frisou que é necessária uma vigilância intensa e que quanto mais elementos de gravidade a criança ou o adolescente apresentar, maior deve ser a atenção. “Suicídio é um caso que assusta e dá medo, mas não é tão difícil evitar que ele se concretize. Se criarmos a dúvida neste indivíduo se vale a pena ou não viver, ele não agirá por impulsividade. Em dúvida a pessoa não pratica o suicídio”, definiu o psiquiatra.
A presidente da FMIJ, Suellen André de Souza, agradeceu ao especialista pelos esclarecimentos e destacou que “a capacitação foi fundamental para fortalecer as equipes e permiti-las desempenhar o trabalho com conhecimento, para que ofereçam sempre o melhor para os acolhidos e para os assistidos”, disse.
Fonte: Comunicação PMCG