quinta-feira, 11 de dezembro de 2014 - Fotos: Secom

A Secretaria Municipal da Família e Assistência Social está apurando possíveis fraudes envolvendo moradores da Comunidade da Margem da Linha que já foram beneficiados pelo programa Morar Feliz. O marido da beneficiária Gesebel Lima Machado, que ganhou uma casa no conjunto da Tapera, teria concedido entrevista, na Margem da Linha, local de onde saíram mais de 300 famílias, alegando não ter sido contemplado, o que não é verdade, conforme comprovam documentos da prefeitura.
O marido de Gesebel, Patrício Santos Constantino e, não, Patrick, como ele se identificou, alegou que estaria morando em um cômodo na comunidade com a esposa e três filhos, enquanto a casa onde a família tem endereço estava vazia. A equipe de reportagem foi ao local.

O secretário da Família e Assistência Social, Geraldo Venâncio, lamentou esse tipo de atitude de má fé de pessoas que, se aproveitando do benefício que um programa tão importante proporciona, estejam querendo levar vantagem. “O Programa Morar Feliz foi criado para beneficiar especificamente moradores de áreas de risco, pessoas que perderam suas moradias e estão no aluguel social e famílias socialmente vulneráveis previamente cadastradas na Secretaria Municipal da Família e Assistência Social em 2012”, afirma.
O secretário da Família também voltou a destacar que houve um pré-cadastro e que todos os critérios estabelecidos estão sendo respeitados. “O fato é que o cenário na Margem da Linha em 2012 era um e, hoje, é outro: famílias cresceram, pessoas mudaram e voltaram para lá, mas temos dados oficiais. Esse novo cenário está levando pessoas de má fé a se aproveitarem da situação para levar vantagem”.
- A Prefeitura de Campos vem cumprindo seu papel ao retirar famílias de áreas de risco e de alagamento e contribuir para reverter o quadro de famílias em condições sub-humanas. Ninguém pode negar que isto esteja sendo feito. São quase seis mil famílias beneficiadas – explica o secretário, lembrando que as famílias que continuam na Margem da Linha foram reavaliadas e as que têm direito serão beneficiadas, já que o condomínio tem quase 1.300 casas e, neste momento, 312 estão ocupadas.
Ele explica que, também, há outros casos, como pessoas que vieram de outras cidades ou já viveram no local e, depois, se mudaram. “Os critérios são claros e estão seguindo. Para ser beneficiado, também, é preciso comprovar ser morador do local e muitas pessoas chegaram lá após o cadastro de 2012”.
Um dos exemplos de pessoa que reivindica uma casa do Morar Feliz sem ter direito, já que quando o cadastro das famílias da Margem da Linha foi feito pela secretaria, ela estava morando em outro local, é o da Letícia Nogueira, que hoje alega estar vivendo em meio aos escombros. Ao mudar para outro local, ela deixou de ter direito a uma casa, mas a família dela foi contemplada, como a avó, Antonieta da Conceição Menezes que, hoje, mora no condomínio Morar Feliz de Ururaí.
Outra família diz não ter sido beneficiada, o que estaria a obrigando a continuar entre os escombros. Neste terreno, foram contemplados o pai do rapaz e a avó, que estão vivendo em suas novas casas no Morar Feliz. Na ocasião do cadastro, essas duas casas foram mapeadas.