Já tendo ocupado vários cargos públicos e funções de coordenador de campanhas eleitorais para diferentes grupos e correntes políticas de Campos, o atual subsecretário de governo e empresário Marcos Soares possui experiência política suficiente para analisar o atual cenário político de Campos e ainda aconselhar os candidatos a prefeito neste período crítico que o município atravessa neste momento. “Não é hora de apresentar um plano de governo irreal e insustentável. É hora de falar a verdade para a população. Não teremos um prefeito, que, rapidamente, num piscar de olhos, num mandato de quatro anos, resolva todos os problemas de Campos”, afirma. Nos governos de Rosinha Garotinho, Roberto Henriques e agora com Rafael Diniz, ele já foi presidente da Fundação Trianon, Secretário de Defesa Civil, Subsecretário de Governo, coordenador de Verão no Farol de São Thomé e subsecretário de Família e Promoção Social.
Na política desde 1990, já participou da coordenação das campanhas de Paulo Feijó, Rosinha, Chicão, Renato Barbosa e Marcão. “Já participei de oito eleições, venci seis. Nestes quase 30 anos, vejo a situação da prefeitura como a pior destas últimas décadas, e tudo indica que pode se agravar”, analisou. (Leia mais abaixo)
Diante da situação crítica das finanças municipais, Marcos Soares sugere que os candidatos não percam tempo com promessas impossíveis de serem cumpridas. “Os candidatos não devem se colocar como salvadores da pátria porque se assim for não irão cumprir suas promessas e serão acusados de prática de um estelionato eleitoral. Devem ter uma postura responsável, admitir que Campos passa por este momento grave do ponto de vista financeiro”, comentou, acrescentando:
“Não há previsão de melhora do Orçamento, ninguém pode prometer que irá resolver os problemas a curto ou a médio prazo. Os servidores irão sofrer atraso de pagamento, a PreviCampos nesta situação difícil, vamos ter lixo e buracos nas ruas. Que digam a verdade à população e não coloquem tudo na conta de Rafael Diniz, o problema é muito mais complexo”, projetou ainda.
Ainda sobre o atual prefeito de Campos, a avaliação de Marcos Soares é de que Rafael Diniz foi obrigado a adotar medidas duras. “Rafael teve que tomar decisões difíceis. Quem o acusa de falta de ação tem que dizer também que diante dos muitos problemas acumulados, não teve outra opção em tomar medidas que não agradaram a muita gente. Teve a questão do empréstimo, depois veio a queda de receitas dos royalties, aí vem a pandemia, gerando uma crise sem precedentes”.
Rafael, na sua visão, foi o único gestor obrigado a ter rigidez nos gastos. Analisando outros gestores, Marcos Soares considera que cada qual teve suas particularidades, mas se deteve em Arnaldo Vianna e Roberto Henriques. “Arnaldo Vianna foi bem assertivo, foi o prefeito que teve o melhor desempenho na Saúde. O interior também recebeu melhor atenção em seu governo. Já Roberto Henriques teve uma rápida oportunidade de governar Campos, de apenas 43 dias. E posso garantir que ele foi muito zeloso com a coisa pública. Colocou a máquina pública para funcionar, sem precisar fazer grandes licitações ou gastos. Foi a minha primeira experiência como secretário, da qual tenho uma ótima recordação ”.
PRÓXIMO PREFEITO VAI TER QUE DIZER NÃO (Leia mais abaixo)
— O único prefeito que não foi ou é aliado de Garotinho é Rafael, que pegou a prefeitura num contexto diferente da época anterior, quando havia um orçamento com receitas altíssimas para gerir a cidade. Hoje tem que fazer diferente. O próximo prefeito muitas vezes não vai poder dizer “sim”. Durante esses 25 anos os prefeitos disseram “sim” muitas vezes porque tinham para gastar. Agora, o próximo prefeito vai ter que aprender a dizer “não”. Durante este tempo Rafael disse “não” porque hoje a situação é bem diferente.
Quando não esteve na linha de frente, Marcos Soares se movimentou nos bastidores da política em diferentes governos. “Falo isso com a experiência que tive no setor público, mas também porque sou um cara incisivo e muitas vezes o que digo gera polêmica. Mas o problema de Campos é muito complexo e não pode ser debitado na conta de um gestor apenas. E só vai se resolver a médio e longo prazo”, afirmou. E acrescentou para finalizar:
"Temos que pensar no futuro de Campos, com planos de governo de longo prazo, a serem cumpridos pelos nossos governantes, independentemente de suas convicções e crenças", finalizou.