Márcio Canella tem candidatura à Alerj liberada pelo TRE-RJ


  • 29/09/2026, 15h55, Foto: Divulgação .

Campos 24 Horas - O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) decidiu, por 6 votos a 1, liberar a candidatura de Márcio Canella (União) à Assembleia Legislativa do Rio. A maioria da Corte entendeu que as provas reunidas no processo não demonstram que uma organização criminosa tenha colocado sua estrutura ou seu poder armado a serviço da campanha do ex-prefeito de Belford Roxo.

O julgamento aconteceu nesta terça-feira (29), depois de o TRE-RJ suspender a análise do registro, em 14 de setembro, para buscar novas informações sobre as relações políticas de Canella, a Operação Barricada Zero e o fuzil encontrado no carro blindado do candidato durante uma operação da Polícia Federal.

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Relator do caso diz que não houve prova de uso da estrutura de milícia por Márcio Canella O relator do processo, desembargador Paulo Cesar Salomão Filho, votou pelo deferimento da candidatura de Márcio Canella. Para ele, a questão central era saber se uma organização criminosa, enquanto estrutura, havia promovido ou coordenado a candidatura e colocado seu poder armado, territorial, econômico ou coercitivo a serviço dela.

As diligências determinadas pelo próprio TRE-RJ não encontraram, segundo o relator, registros de ameaça, violência, destruição de propaganda, controle territorial, coação de eleitores ou presença de homens armados em benefício da campanha de Canella em Belford Roxo.

Também não foram encontrados registros contra o candidato pela Polícia Civil ou pela Polícia Militar.

Para Salomão, a nomeação de Eduardo Araújo e Fabinho Varandão para secretarias da Prefeitura de Belford Roxo não seria suficiente, sozinha, para demonstrar ligação do então prefeito com uma organização criminosa. Os dois tiveram os registros de candidatura barrados pela Justiça Eleitoral em 2024 por vínculos com grupos paramilitares e deixaram os cargos em setembro de 2025.

O desembargador também considerou que as manifestações de apoio dos dois durante a campanha deste ano não comprovam, por si só, que a estrutura de uma organização tenha sido mobilizada em favor de Márcio Canella.

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A apreensão de um fuzil Colt calibre 5.56 no carro blindado do candidato durante a Operação Unha e Carne também foi analisada. O advogado eleitoral Lauro Rabha afirmou que a arma pertencia ao estado do Rio e estava sob responsabilidade de um policial militar que fazia a escolta do candidato, e Salomão considerou que os documentos apresentados pela defesa corroboravam essa versão.

Único voto contrário destacou relação com Jorge Canella, preso neste mês A divergência ficou por conta do desembargador Guilherme Calmon, que votou pelo indeferimento do registro.

O magistrado entendeu que os elementos reunidos no processo formam “um conjunto que vai além de simples relações políticas”. Entre os pontos citados estão as nomeações de Eduardo Araújo e Fabinho Varandão, relações com pessoas apontadas como integrantes de grupos paramilitares, a Operação Barricada Zero, o fuzil encontrado no carro de Canella e fatos envolvendo aliados políticos.

Na avaliação do desembargador, Canella não apenas nomeou os dois ex-secretários, mas os manteve no primeiro escalão da prefeitura durante meses, mesmo depois de decisões da Justiça Eleitoral sobre suas candidaturas. Ele reforçou que os dois continuaram atuando na campanha de 2026 em apoio ao deputado.

Guilherme Calmon também deu destaque à relação entre Márcio Canella e o vereador e coronel da PM Jorge Canella. Jorge foi preso em flagrante pela Polícia Federal há uma semana, em 22 de setembro, durante a sétima fase da Operação Unha e Carne, após a apreensão de dois fuzis e uma submetralhadora em sua residência.

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Segundo o desembargador, Márcio Canella concedeu a Jorge Canella a Medalha Tiradentes em 2021, quando era deputado estadual. Nas eleições municipais de 2024, Jorge se apresentou como “vereador do Márcio” e, para a eleição de 2026, os dois apareceram em material de campanha conjunto com Antonio Rueda (União).

Para Calmon, a prisão do aliado com armas de uso restrito reforça o conjunto de elementos que ele considera indicativos de uma relação entre o grupo político de Canella e estruturas armadas. O desembargador também mencionou um inquérito eleitoral de 2024 que investigou Canella por suposto porte de arma durante atos de campanha e eventual coação de eleitores.

Apesar da divergência, prevaleceu o entendimento dos demais desembargadores de que não havia prova suficiente para impedir a candidatura, e Márcio Canella está apto para concorrer à Alerj.

*Fonte: Tempo Real 



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