Marcas tradicionais do comércio campista desaparecem; outras resistem

Drogaria Isalvo Lima foi a última a fechar as portas


  • 12/02/2023, 08h02, Foto: Campos 24 Horas/reprodução.

Postado por Fabiano Venancio - Os campistas que já passaram dos 40 anos de idade lembram de cor e salteado os nomes e marcas tradicionais de lojas e produtos que tinham seus slogans veiculados na programação das emissoras de rádio. Muitas delas ficaram na memória afetiva de milhares de pessoas. No início deste mês, a Drogaria Isalvo Lima, uma destas empresas de larga tradição que marcou época em Campos encerrou suas atividades, no Boulevard Francisco de Paula Carneiro. Foi a última de uma rede de estabelecimentos do ramo  que serviam ao campista em cada parte da cidade, na área central e depois em Guarus e Goytacazes. O Campos 24 Horas mostra nesta matéria especial outras lojas tradicionais que também desapareceram, mas deixaram sua história na cidade.

O fim da Isalvo Lima, controlada pela família Siqueira, que opera também em outros ramos de negócios como a engenharia, construção civil, é um dos últimos capítulos de um fenômeno que tem marcado as atividades comerciais nas médias e grandes cidades, que cada vez mais despertam o interesse de gigantes do varejo e redes de lojas de departamentos, assim como os shoppings centers. (Leia mais abaixo)

Assim como a Isalvo Lima, outras lojas tradicionais também desapareceram, mas deixaram sua história em Campos como a Icaraí Móveis, cujo slogan era o “O Lojão da Cidade”, com uma loja no Campos Shopping, outra na Avenida 28 de Março, no Turfe.

Quem não se lembra daquele comercial de uma loja de móveis nas rádios de Campos, com o locutor Salvador Macedo e sua voz grave, lembrando que “quem namora pra casar pensa logo em Big Lar?”.

A Caiana Discos também era uma referência no Centro de Campos na venda de LPs e CDs. A loja ficava na esquina das ruas Santos Dumont e 21 de Abril.

Copacabana Móveis, do popular Almeida, era outra marca famosa, assim como o Baianão vem logo à lembrança quando se pensa no ramo de confecções que dominava o comércio popular à época.

No ramo de pneus pontificava a loja Irmãos Chalita, que patrocinava as transmissões esportivas das emissoras, assim como a Distirbuidora Mercantil, aquela que “a vista ou a prazo resolve o seu caso”. (Leia mais abaixo)

Pelas ondas do rádio também se ouvia aquele comercial com uma musiquinha dizendo que “em cada parte da cidade que a gente for vai encontrar uma loja do Supermercado Nunes”, concorrente do Ferreirão, que até hoje resiste com uma loja na Pelinca.

A boemia ficou recentemente desfalcada do Bar Gato Preto, que funcionava na Rua 21 de Abril, e desapareceu para tristeza dos que se dedicam à confraternização regada pelos prazeres etílicos.

Já se foram os anos em que sobravam opções no Centro de Campos para um cafezinho amigo, como nos tempos do Café Capitania (do folclórico Ceceu) ou do vizinho Monte Líbano, assim como um bate-papo no Caldo Andrade, na Praça São Salvador, ou no Frango de Ouro, na Rua Formosa.

Bem próxima dali, o mesmo caminho tomou a Padaria Napoleão, que igualmente não resistiu ao esvaziamento de uma área central mais despovoada e também, recentemente, fechou as portas.

Mas outros heróis da resistência do comércio campista ainda se mantêm aos longos dos anos, por décadas e até atravessam o século em meio às crises, turbulências e pacotes econômicos que os tecnocratas empurram goela a dentro de campistas e brasileiros em geral. (Leia mais abaixo)

São os casos da Confeitaria Francesa, inaugurada em 1847 por tradicional família de portugueses, que já foi referência na gastronomia campista, funcionando até os dias atuais como restaurante e lanchonete.  Ao Livro Verde, fundada em 1844, enfrenta as coisas do mundo virtual e também resiste como a mais antiga livraria do Brasil. A Noblesse, outra tradicional livraria e papelaria, da década de 1970, também permanece em plena atividade.

O Cicle Universal (do Betinho) se soma ao time de guerreiros do comércio tradicional campista, assim como a Casa Patrão, uma senhora que já contabiliza seus 90 anos em franca atividade.

A Drogaria do Virgílio continua presente até os dias de hoje, assim como as lojas da Joia Nobre ou o Pálace Hotel, que mantêm a tradição e continuam a servir o campista e visitantes.

Atualmente, o comércio tradicional de Campos enfrenta a concorrência de grandes grupos do comércio varejista que vêm de fora e se instalam não apenas nos shopppings, mas também na área central. Outros polos comerciais do município também se ampliaram e registram a diversificação de suas atividades, casos de Goytacazes e Guarus.



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