Mandetta: "Se o centro se dividir, não entro na disputa presidencial em 2022"

Ex-ministro tem viajado pelo país e articulado conversas com nomes que vão de Ciro Gomes a João Dória em busca da construção de uma terceira via alinhada ao “centro" como alternativa a Lula e Bolsonaro


  • 07/06/2021, 16h55, Foto: Divulgação.

Um dos presidenciáveis mais cotados para a disputa presidencial em 2022, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, diz “estar pronto” para as eleições do próximo ano. Ele tem viajado para várias cidades e articulado conversas com nomes que vão de Ciro Gomes (PDT) a João Dória (PSDB) em busca de construir uma terceira via alinhada ao “centro político” ―em alternativa a Lula e a seu ex-chefe, Bolsonaro, que lideram as últimas pesquisas eleitorais. .

Mantetta concedeu entrevista por vídeoconferência ao jornal EL PAÍS, nesta segunda-feira, quando disse acreditar que há grande margem política para trabalhar o campo alternativo e diz buscar um consenso para não fragmentar as opções. . (Leia mais abaixo)

“Se fragmentar esse centro, se tiver três, quatro, cinco candidaturas, não conte comigo. Eu não vou fazer esse papel pra conspirar, para que os extremos consigam, com os seus cercadinhos de radicais, ir pro segundo turno. Acho que é pra entrar para vencer a eleição”, defende.

Mandetta não descarta que ele próprio seja o nome para representar este centro político, com o capital eleitoral que ganhou após deixar o Governo em abril do ano passado por discordâncias com Bolsonaro sobre medidas de isolamento social e o uso de cloroquina na pandemia.

O médico, que tem feito inúmeras críticas ao mandatário e depôs na CPI da Pandemia no início do mês, avalia que a comissão do Senado ainda está sendo trabalhada de forma errática ao discutir o uso da cloroquina, embora veja bastante material para identificar a digital de Bolsonaro na demora para comprar vacinas. “Eu me arrependo de ter acreditado que Bolsonaro queria um trabalho técnico”, afirma.

Eis um dos trechos da entrevista de Mandetta ao jornal espanhol:

Pergunta. Você tem se colocado na linha de frente dos políticos de centro-direita para apresentar um nome para a eleição presidencial de 2022. Hoje já conseguem apresentar uma candidatura única? (Leia mais abaixo)

Resposta. O que a gente está trabalhando agora é esse conceito de uma pré-aliança. De uma coisa aonde a gente já possa nascer, para discutir, fazer os debates. É para que a gente possa ter um ponto de convergência. Temos um bom caminho, um bom número de partidos já preparados pra ir para essa fase. E temos alguns partidos que estão ainda discutindo questões internas, de quem é o nome [a ser apresentado], como o PSDB, que está muito confuso. O PSDB tem quatro possíveis candidatos, está pensando em fazer prévias, não sabe se a prévia vai ser em outubro ou em março do outro ano. Então, não é possível aguardá-los indefinidamente. A gente está tentando se organizar pra ver se consegue iniciar essa construção no final desse primeiro semestre. Queremos conversar com uma parte significativa da sociedade que não quer os dois extremos. Tem muita gente que não quer nem esse presente amargo, nem esse passado tenebroso.



fique bem informado