11/03/2016 10h21 | Foto: Campos 24 Horas/arquivo

A bancada do governista na Câmara Municipal de Macaé conseguiu impedir pela segunda vez consecutiva a exibição de vídeos e de imagens que compõem o relatório elaborado por membros da Comissão Permanente de Saúde da Casa sobre a precariedade na infraestrutura das unidades da rede básica de atendimento. Vereadores da oposição classificaram a decisão como uma 'afronta à democracia'.
A discussão na sessão desta quinta-feira (10) sobre a apresentação do relatório, conhecido como o “Dossiê da Saúde”, levou para o plenário o clima quente registrado também na sessão da terça-feira (8), dia agendado pelos vereadores Igor Sardinha (PRB) e Amaro Luiz (PRB) para a apresentação dos dados que comprovam o sucateamento de postos e unidades, da frota de ambulâncias, da falta de materiais e da insatisfação dos servidores que atuam no setor.
Na terça-feira, a apresentação não ocorreu por falta de vaga no grande expediente. Na sessão de quinta, o debate sobre o “Dossiê da Saúde” foi prejudicado devido a um novo posicionamento da presidência da Câmara sobre a utilização de recursos visuais no plenário (slides), assim como pela rejeição do pedido de audiência pública sobre o tema.
Na sessão de ontem, o presidente da Câmara, Eduardo Cardoso (PPS), apresentou novas restrições quanto à utilização de slides durante os discursos nas sessões em plenário.
Após proibir a exibição de vídeos no telão, Eduardo não permitiu também que a oposição apresentasse fotos, com o recurso dos slides, durante o discurso sobre o Dossiê da Saúde. A medida acabou prejudicando Igor (líder da oposição) e Amaro que pretendiam demonstrar o que eles consideraram como o "colapso" da saúde da cidade.
"Nunca vi no Congresso Nacional a exibição de vídeos durante o discurso dos parlamentares. Eu liguei para a Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) e lá isso é proibido. Aqui também não vai ser permitido. Ou se faz uma emenda e altera o regimento, ou segue a minha decisão", disse o presidente, mencionando também o regimento interno da Casa.
Igor considerou que o presidente da Câmara faz uso de uma "interpretação casuística" das diretrizes que regem as regras do plenário.
IGOR QUER AUDIENCIA PÚBLICA - Diante da decisão da presidência da Câmara em impedir a apresentação de imagens do Dossiê da Saúde e considerá-lo um "programa sensacionalista", Igor requereu de forma verbal a realização de uma audiência pública, com a utilização de todos os aparatos técnicos disponíveis pela Casa, para a apresentação do relatório da Comissão.
A estratégia do vereador oposicionista era garantir que o encontro permitisse a participação da população na discussão do Dossiê no plenário.