Lula: "Não vou rir, nem chorar diante de denúncias"

"Eu nunca dei 1 real pro meu irmão Frei Chico porque ele nunca precisou, nunca pediu pra mim"


  • 13/04/2017 19h20 Foto: Divulgação.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (13) durante entrevista à rádio Metrópole, da Bahia, que é “inverossímil” e “irreal” a acusação feita contra ele pelo empresário Marcelo Odebrecht. Lula disse que não vai “rir, nem chorar” diante das denúncias, mas que vai ler cada peça do processo junto com seus advogados e exigir provas.

Marcelo Odebrecht disse em depoimento ao juiz Sérgio Moro, divulgado nesta quarta-feira (12), que destinou milhões para o “amigo”, codinome referente ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Primeiro, ele cita o depósito de R$ 35 milhões e depois fala em R$ 40 milhões. A conta, diz Odebrecht, era gerida pelo ex-ministro petista Antonio Palocci. (Leia mais abaixo)

"É tão inverossímil as acusações, é tão irreal as acusações, que eu não vou rir, nem vou chorar. Eu vou analisar corretamente, vou conversar com os advogados, pegar o processo, ler cada peça do processo para que a gente possa chegar no dia certo e dizer claramente o seguinte: a delação tem que ser provada”, disse Lula.

Suspeitas sobre irmão e filho

O ex-presidente também comentou a declaração dos delatores Hilberto Silva Filho e Alexandrino de Salles Ramos Alencar sobre mesada de até R$ 5 mil da empresa a um de seus irmãos, o Frei Chico.

"Eu nunca dei 1 real pro meu irmão Frei Chico porque ele nunca precisou, nunca pediu pra mim. Olha, se a Odebrecht resolveu dar R$ 5 mil pro meu irmão, é problema da Odebrecht", disse. "Por que é que tem que colocar o meu nome nisso?"

Lula falou ainda sobre o filho Luís Claudio da Silva que, segundo os delatores, se reuniu com representantes da Odebrecht na ocasião em que foi apresentado ao grupo o projeto “Touchdown”, associado à criação de liga de futebol americano no Brasil, também sob prévia apuração da Justiça Federal do Paraná. "Meu filho estava metido com futebol americano e tinha patrocínio: olha, qual é o crime?", questionou.

Candidatura vista como alvo

Para Lula, o objetivo das suspeitas levantadas é evitar que ele seja candidato à Presidência novamente. "O que está por detrás disso tudo, na verdade, é o seguinte: nós precisamos encontrar uma pulga para evitar que o Lula se meta a ser candidato em 2018", afirmou. (Leia mais abaixo)

O petista também fez considerações sobre a situação do ex-presidente da Odebrecht. "Ontem, houve mais um absurdo: a delação do Marcelo Odebrecht. Eu até compreendo que o Marcelo está preso há dois anos, até compreendo que ele tem família fora, que ele deve estar comendo o pão que o diabo amassou, que talvez ele esteja tentando criar condições para sair da cadeia", declarou em outro trecho da entrevista.

O depoimento de foi prestado na segunda-feira (10), em ação penal da Lava Jato que envolve Antonio Palocci, Odebrecht e outros 13 réus. Nesta quarta (12), o juiz Sérgio Moro retirou o sigilo dos interrogatórios dessa ação.

Preparação para depoimento

Ainda na entrevista à rádio nesta quinta, Lula disse estar “muito tranquilo”. “Eu continuo desafiando qualquer empresário brasileiro, qualquer empresário, a dizer que um dia o Lula pediu R$ 10 pra ele ou alguém. Se alguém pediu em meu nome, a pessoa que pediu tem que ser presa, porque eu nunca autorizei ninguém a pedir dinheiro em meu nome”, afirmou.

“Eu não posso ficar nervoso, eu não posso perder a cabeça com cada coisa dessa”, disse. “Hoje eu vou conversar com os advogados, vou começar a ler a peça e vou me preparar para o meu depoimento. E a vida continua, vou continuar fazendo política. O dia que alguém provar um erro meu, ou R$ 10 ilícitos na minha vida, eu paro com a política", completou.



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