
O comércio de Campos ainda não se recuperou dos estragos causados pela crise que atingiu em cheio o setor, agravada em razão da pandemia do novo coronavírus. O quantitativo de lojas fechadas no Centro, bem como em alguns centros de compras da área nobre, como o Shopping 28 e o Pelinca Square, além do Guarus Plaza, é o retrato do tamanho da queda. O presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic), Leonardo Castro Abreu, e o corretor de imóveis Mário Otávio de Souza, da Rede Uno Imobiliária, confirmam ao Campos 24 Horas a situação do comércio e a migração de médios e pequenos comerciantes da área central para alguns bairros. Há, no entanto, nichos de negócios que cresceram como o ramo de medicamentos e de alimentação, além de um ponto positivo: como o comércio depende bastante do setor público municipal, estadual e federal, o prefeito Wladimir informou nas últimas horas que a prefeitura colocou suas finanças em dia e vai até pagar 50% do 13º em outubro.
A queda nas vendas por conta da quarentena, com menos consumidores circulando, e período sem faturamento quando o setor ficou de portas fechadas fizeram com que muitas lojas ainda resilientes encontrem dificuldades em virar o jogo. "Esses primeiros seis meses após a flexibilização tem sido de um movimento morno no comércio. Creio em uma melhora neste segundo semestre. Mas deslanchar mesmo só no ano que vem", disse Leonardo Castro Abreu. (Leia mais abaixo)
Na área central e nos shoppings de médio e pequeno porte há também lojas que não se recuperaram do baque da Covid 19. O considerável quantitativo de portas fechadas reflete a pancada causada pela crise. Os valores altos do aluguel e o faturamento insuficiente em razão da crise figuram como os principais motivos para o fechamento de lojas.
SAÍDA DO CENTRO - O corretor de imóveis Mário Otávio de Souza, da Rede Uno Imobiliária, confirma as reclamações e aponta a migração de pequenos comerciantes do Centro para alguns bairros. ”Está havendo uma descentralização de comércios para os bairros, mas também a migração para outros pontos comerciais com aluguel aqui mesmo na área central a preços mais favoráveis, algo em torno de R$ 5 mil e R$ 6 mil. Lojas com aluguéis entre R$ 12 e R$ 15 mil têm sido mais procuradas por empresas de fora, mas com um movimento bem menor — disse.
A propósito, entre as empresas que desembarcam no Centro de Campos com mais uma filial está o Magazine Luiza, um dos gigantes do varejo brasileiro. O ramo de medicamentos e de alimentação são considerados os únicos que têm motivos para comemorar este ano. No Jockey Clube, uma pequena rede de supermercados inaugurou há algumas semanas uma das suas atuais três unidades. No mesmo bairro, outras duas portas de farmácias abriram neste semestre, confirmando o fenômeno da descentralização de pequenos negócios apontado por Mário Otávio.
Há uma estimativa de recuperação no segundo semestre, que tende a beneficiar o comércio, uma vez que mais pessoas estarão circulando nas ruas e o avanço da campanha de vacinação. Numa economia onde o setor lojista é ainda bastante dependente do setor público, um dos pontos positivos que vem ajudando o comércio campista em sua difícil travessia nesta crise é a retomada do equilíbrio das contas públicas na prefeitura, o que tem permitido o pagamento em dia dos salários dos cerca de 15 mil servidores, injetando mais de R$ 80 milhões mensais na economia local.
O governo estadual, por sua vez, também tem feito a sua parte, também pagando em dia aos quase 7 mil servidores aqui lotados, fazendo circular cerca de R$ 30 milhões mensais no município. (Leia mais abaixo)