Campos 24 Horas – A Casa de Cultura José Cândido de Carvalho celebrou, na quinta-feira (17), seus 39 anos de história com uma programação especial que reuniu cerca de 70 convidados na sede da instituição. O Café Literário promoveu um encontro entre literatura, música, teatro e memória, com a participação de autores locais da Baixada Campista e nomes da Academia Campista de Letras (ACL).
A programação contou com momentos dedicados à literatura e à poesia, com recitação de Ana Nazaré, além da participação de escritores da região. O encontro também reforçou a importância da Casa de Cultura como espaço de preservação da memória e de valorização da produção cultural da Baixada Campista.
Presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), Patrícia Cordeiro destacou a importância da instituição para a história e a cultura de Campos dos Goytacazes.
“Essa é uma casa muito importante para nós. A Baixada é a porta de entrada da história de Campos e, há 39 anos, a trajetória da Casa de Cultura se confunde com a própria história desse território, com tudo o que é produzido aqui e com o nome de um autor que é motivo de orgulho para todos nós, José Cândido de Carvalho. Quero trazer a vocês um abraço do prefeito Frederico Paes e desejar que esta seja uma noite memorável e inesquecível para todos. Que esta celebração seja também uma preparação para os 40 anos da Casa”, afirmou a presidente.
A noite também teve música, com a apresentação da cantora Saory, que embalou os convidados durante a celebração. A programação reuniu diferentes manifestações artísticas, reforçando a proposta do Café Literário de aproximar artistas, escritores e público.
O teatro e a produção cultural local ganharam destaque com a presença dos atores Luciana Rossi e Almir Junior, integrantes do elenco e da equipe da comédia musical “Ponciano – de Amores – Furtado”, escrita por Arlete Sendra e dirigida por Fernando Rossi. Durante o encontro, os atores falaram sobre a montagem, que resgata o imaginário de Ponciano de Azeredo Furtado, personagem criado por José Cândido de Carvalho.
O espetáculo será apresentado no dia 17 de dezembro, na própria Casa de Cultura José Cândido de Carvalho, levando ao palco uma nova leitura do universo literário do escritor campista.
Representando a Academia Campista de Letras, o escritor Vitor Menezes ressaltou que encontros como o Café Literário também fazem parte do processo de construção da literatura e da própria formação dos escritores. “Às vezes, colocamos a literatura em um certo patamar, como se ela estivesse distante da nossa realidade. Mas a literatura também é feita desses momentos de vida, das experiências, da realidade e dos contatos humanos que construímos. Por isso, estar aqui hoje é uma oportunidade muito bacana. Quero deixar registrado o abraço da Academia Campista de Letras a esta Casa, que tem uma importância tão grande para a nossa cultura”, destacou.
Ao falar sobre o legado de José Cândido de Carvalho, Vitor também compartilhou uma experiência pessoal com a obra do escritor, ressaltando a influência que o conterrâneo exerceu em sua trajetória.
“José Cândido de Carvalho, de certa forma, me fez escritor. Foi por meio das leituras de sua obra que eu pude pensar: ‘Esse conterrâneo me orgulha tanto. É tão genial, escreve tão bem’. Eu sei que jamais chegaria a ser 1% do que ele foi em termos de qualidade literária, mas ele me fez sonhar. Ele me permitiu me atrever a querer escrever”, afirmou.
Outro momento marcante da noite foi a incorporação de novas obras ao patrimônio artístico da instituição. A Casa de Cultura recebeu oficialmente a doação de quadros do artista plástico Pádua Bastos. As telas passarão a integrar permanentemente o salão principal, ampliando o acervo da instituição e contribuindo para valorizar e preservar a produção artística da região.
A doação representa também uma forma de manter viva a relação entre a Casa de Cultura e os artistas locais, fortalecendo o espaço como referência para a produção e a memória cultural da Baixada.