Levantamento revela que metade dos acidentes do estado do Rio é entre carros e motos

Essa combinação é responsável pela metade de todas as colisões atendidas pelo Corpo de Bombeiros entre janeiro e março deste ano


  • 14/05/2017 14h22 | Foto: Divulgação.
Os 15 anos de experiência pilotando motos não bastaram para Thiago Tavares, de 33 anos. O entregador de hambúrguer de Vila Valqueire se desequilibrou depois que um carro avançou um sinal vermelho. Para não ser atropelado, acelerou e perdeu o controle da moto. O resultado foi o choque com o outro veículo, e ele acabou tendo que amputar a perna abaixo do joelho. Thiago entrou para a triste estatística de um acidente por hora entre carro e moto no estado. Essa combinação é responsável pela metade de todas as colisões atendidas pelo Corpo de Bombeiros entre janeiro e março deste ano, segundo levantamento a que o EXTRA teve acesso. - Já sofri sete acidentes na vida. Mas, claro, nenhum como esse. Fiquei seis horas em operação e só soube que tinha perdido a perna no dia seguinte. Foi um choque - lamenta o rapaz, que trabalha como mecânico de motos durante o dia e complementava a renda fazendo serviço de entrega. O estado do Rio teve, nos três primeiros meses do ano, 5.450 acidentes em que o Corpo de Bombeiros foi acionado. Desses, 2.383 envolviam um carro com uma moto. De acordo com a coronel Cláudia Nogueira, comandante do Grupamento de Socorro e Emergência dos Bombeiros, são três os fatores principais que causam colisões com vítimas no estado: uso de bebida alcoólica, falta de uso de equipamentos de segurança (como capacete, cinto de segurança e cadeirinha para crianças) e velocidade incompatível com a via. - Os carros hoje são cada vez mais potentes para vias cada vez piores. A gente tem os dias e horários de pico. Sexta-feira à noite tendendo à madrugada e os sábados são os piores momentos. É quando tem mais acidente. O que a gente precisa mudar é a cultura. Correr em uma via é cultural. A gente está ligado muito à punição. Só isso faz a gente andar devagar. O que precisa melhorar é a prevenção. Precisamos focar aí. Quem é pai e mãe precisa entender que a criança vê a gente dirigindo. Seu filho está vendo você furar o sinal - afirma Cláudia. No último domingo, o EXTRA mostrou que só a cidade do Rio tem um acidente por hora em sua malha viária. Lesão nas pernas é a mais comum em motociclistas A sequela de Thiago após o acidente é, segundo a coronel Nogueira, a mais comum quando um carro e uma moto colidem — o que provoca, segundo ela, um esmagamento da perna e, por isso, ela tem que ser amputada. — Em qualquer acidente que envolva motociclista, ele é o mais atingido. Se tiver carona, o carona vai ser o que terá os maiores ferimentos. Há uma tendência natural de lesão de membros inferiores. Ou, dependendo da posição da colisão, é comum a vítima ser ejetada da moto para dentro do carro — explica ela. Além disso, também é comum que motociclistas sofram traumatismo craniano grave quando não estão de capacete. O uso deste equipamento, no entanto, minimiza as chances dessa lesão em casos de velocidade baixa ou média.   Fonte: Extra 



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