quinta-feira, 05 de fevereiro de 2015 - Foto: Divulgação

A nova fase da operação Lava Jato, deflagrada na manhã desta quinta-feira (05) investiga 26 empresas supostamente ligadas ao esquema de pagamento de propina e lavagem de dinheiro na Petrobras. De acordo com a Polícia Federal, há ainda mais um fato novo nas investigações: a fraude também acontecia da BR Distribuidora.
Empresas de Santa Catarina, que têm contrato com a BR Distribuidora, estariam envolvidos no esquema. A principal delas seria a Arxo, fabricante de caminhões-tanque com sede em Piçarras, no litoral norte do Estado.
De acordo com a Polícia Federal, dois executivos, um diretor e um sócio, foram presos em regime temporário e serão encaminhados para a superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Um outro sócio, que também teve a prisão decretada, está nos Estados Unidos e deve retornar ao Brasil no fim do dia.
De acordo com a Polícia Federal, o esquema acontecia ainda no ano de 2014 - quando as investigações da Lava Jato já estavam acontecendo. Os investigadores chegaram aos nomes dos supostos envolvidos através dos depoimentos de delatores do esquema de corrupção presos em fases anteriores da operação.
O esquema na BR Distribuidora seria semelhante ao que acontecia nas diretorias de Abastecimento e de Serviços da Petrobras. As empresas são suspeitas de fraudar licitações e garantir os contratos por meio de pagamento de propina a funcionários da estatal.
Diretoria de Abastecimento
Também nesta manhã estão sendo cumpridos mandados referentes a fraudes na diretoria de Serviços da Petrobras. O alvo são possíveis operadores do esquema - que agiam de forma semelhante a de Fernando Baiano e a do doleiro Alberto Youssef. Segundo as investigações, eles providenciavam o pagamento da propina e depois a lavagem do dinheiro.
Segundo a Polícia Federal, 26 empresas são investigadas nesta nova fase da Lava Jato. A maioria delas seria de fachada, que apresentava notas frias para justificar os pagamentos irregulares.
Tesoureiro do PT
O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, também é alvo da nona fase da operação Lava Jato. A Polícia Federal cumpriu mandado de condução coercitiva (quando a pessoa é levada para prestar depoimento). Ele estava em casa, em São Paulo, e foi encaminhado por volta das 9h à sede da delegacia da PF.
De acordo com a Polícia Federal, Vaccari é suspeito de ter relação com o esquema de operadores. Ele atuaria pelo PT na cobrança de propina pela garantia dos contratos de empreiteiras com a Petrobras.
O tesoureiro do PT foi citado nos depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef - ambos firmaram acordo de delação premiada (contaram detalhes do esquema de corrupção na estatal em troca da redução da pena, caso sejam condenados).
A nona fase da Lava Jato é realizada simultaneamente em quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Cataina e Bahia. Mais de 200 policiais atuam na ação.