Músico confundido com filho de traficante é solto

Vinícius Matheus Barreto Teixeira, de 21 anos, ficou preso por mais de uma semana, por ter sido confundido com o filho do traficante Messias Gomes Teixeira, o ‘Feio’. O nome do pai de Vinícius é exatamente o mesmo do criminoso




13/10/2021, 14h21, Foto: Divulgação.

Atualizada às 16h04 - O músico Vinícius Matheus Barreto Teixeira, de 21 anos, foi solto no início da tarde desta quarta-feira (13), depois de ter passado mais de uma semana preso por ter sido confundido com o filho do traficante 'Feio'. Ele agradeceu apoiadores e imprensa e saiu sem falar mais nada.(leia mais abaixo)


Os pais do jovem estavam de plantão na porta do Complexo Prisional de Benfica, na Zona Norte do Rio, aguardando pela liberdade do filho.(leia mais abaixo)


"O lugar dele é aqui fora, porque ele não cometeu nada de erro, ele não cometeu nada. A gente tá aqui lutando mais um dia pra conseguir a liberdade do meu filho, porque isso é uma injustiça que eles estão cometendo", disse a mãe do jovem, Paula Barreto Gomes Teixeira.(leia mais abaixo)


Vinícius foi preso no dia 4 de outubro, em Macaé, no Norte Fluminense, acusado de associação ao tráfico. Ele não tinha antecedentes criminais.(leia mais abaixo)


Confundido com filho de traficante

Os parentes afirmam que Vinícius foi confundido com o filho de um chefe do tráfico do Morro do Palácio, em Niterói. O criminoso tem exatamente o mesmo nome do pai dele.(leia mais abaixo)


No último sábado (9), o pai e a mãe de Vinícius conseguiram visitar o jovem e informaram sobre a situação do processo.(leia mais abaixo)


"Passamos tudo isso pra ele, o que está acontecendo, e ele tá entendendo que foi um erro, que não tá certo o que estão fazendo", disse a mãe de Vinícius.(leia mais abaixo)


Erro na investigação

Em 2017, um inquérito na Delegacia de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, investigou o tráfico no Morro do Palácio.(leia mais abaixo)


Na época, a delegacia era chefiada pelo delegado Gláucio Paz da Silva e a polícia identificou o traficante Messias Gomes Teixeira, conhecido como "Feio", como o líder do crime na favela. "Feio" foi preso em 2018.(leia mais abaixo)


Em uma delação colhida pela polícia, foi relatado que o filho de "Feio" seria responsável por recolher o dinheiro da venda de drogas na comunidade. O filho do traficante foi identificado pela polícia como Vinícius Matheus Barreto Teixeira.(leia mais abaixo)


Em 2018, na denúncia da promotora Elisabete Barbosa Abreu, o Ministério Público também afirmou que Vinícius recolhia o dinheiro no morro por ser filho do traficante "Feio".(leia mais abaixo)


Com base nessas acusações, Vinícius teve a prisão decretada e depois foi condenado em primeira instância pelo juiz João Guilherme Rosas Filho.(leia mais abaixo)


O pai de Vinícius também se chama Messias Gomes Teixeira, assim como o traficante "Feio", mas são pessoas diferentes.(leia mais abaixo)


Tudo indica no inquérito e no processo que o filho do Messias traficante também está envolvido com o crime. Contudo, nem a polícia e nem a Justiça sabem o nome dele.(leia mais abaixo)


Diferença na identidade

Outro erro da Justiça durante o processo foi em relação a data de nascimento do pai de Vinícius. O Messias que está preso por tráfico nasceu no dia 24 de dezembro de 1979, diferente do pai do jovem preso, que nasceu em 26 de fevereiro de 1975.(leia mais abaixo)


Além da data de nascimento, a filiação dos dois também é outra. Essas diferenças não foram percebidas pela polícia no inquérito, nem pelo Ministério Público na denúncia e nem mesmo pela Justiça na hora da condenação.(leia mais abaixo)


O que dizem os envolvidos

A juíza Juliana Ferraz, da 4ª Vara Criminal de Niterói, esclarece que não é de responsabilidade do judiciário o possível erro na identificação de Vinícius Matheus, no ato da sua prisão.(leia mais abaixo)


Ela ressalta que a identificação não foi apenas pela coincidência do nome de Messias Gomes Teixeira, já que o nome de Vinícius Teixeira consta na denúncia do Ministério Público.(leia mais abaixo)


A Polícia Civil disse que cumpriu o mandado de prisão expedido pela Justiça. E que pode ter havido alguma falha na investigação que gerou o inquérito. Informou ainda que vai instaurar um procedimento para apurar o caso.(leia mais abaixo)


A reportagem entrou em contato com o Ministério Público e aguarda retorno.


Fonte: G1