O jornalista e cronista, José Cunha Filho, lançou nesta sexta-feira (7), sua mais recente obra, "Campos – Histórias Jamais Contadas", na 12ª Bienal do Livro de Campos. O evento prossegue até este domingo (8), no Centro de Eventos Populares Osório Peixoto (Cepop). Presentes ao evento familiares, jornalistas e amigos em geral.
Veterano do jornalismo regional, José Cunha apresenta uma obra ambiciosa e multifacetada, que se propõe a desenterrar os veios mais profundos — e por vezes sombrios — da história de Campos dos Goytacazes. Num misto de romance histórico, crônica social, sátira política e realismo mágico, o autor costura uma tapeçaria narrativa que abarca desde os tempos coloniais até o final do século XX. (Leia mais abaixo)
Com grande domínio do registro coloquial e saborosamente regional, José Cunha cria diálogos verossímeis, carregados de expressões típicas e oralidade. Isso dá ao texto uma musicalidade própria, aproximando-o de um João Ubaldo Ribeiro em tom campista. A sátira política, o erotismo velado e a crônica de costumes ganham força nesse idioma afiado, bem-humorado e crítico, que ao mesmo tempo denuncia e celebra a terra natal.
"Campos – Histórias Jamais Contadas" é uma contribuição original e ousada à literatura brasileira contemporânea. Num momento em que a revalorização das narrativas locais e da história não oficial ganha espaço no debate público e acadêmico, a obra de Cunha atua como um instrumento de revisão crítica da memória coletiva. Sua escrita mistura os gêneros e atravessa o tempo, recuperando a força da tradição oral, o sabor das crônicas de província e o espírito investigativo do jornalismo literário. (Leia mais abaixo)
Mais que um romance, o livro é um mosaico de vozes e temporalidades, uma “caixa de Pandora” que, ao ser aberta, deixa escapar tanto os fantasmas do passado quanto a esperança de reconstruir identidades por meio da ficção. José Cunha Filho, com sua prosa rascante, bem-humorada e reflexiva, afirma-se como cronista maior da planície goitacá — e talvez como um de seus romancistas mais audaciosos.
Cada “Tempo” do livro atua como uma lente sobre um Brasil múltiplo, ferido e encantado. A obra, ao atravessar séculos e personagens, nos permite compreender que as histórias jamais contadas de Campos são, em verdade, espelhos dos dramas — e esperanças — do país como um todo. Ao olhar para trás, o autor também ilumina o agora. (Leia mais abaixo)
O AUTOR - José Cunha Filho nasceu em Campos dos Goytacazes, em 1940, e construiu uma carreira brilhante como cronista, jornalista e cineasta. Foi correspondente dos jornais O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e editor de importantes veículos locais. Autor das obras O Lornhão de Bauxita, Morte na Redação e Lá Onde o Vento Faz a Curva, é reconhecido por sua escrita vibrante e sua dedicação ao resgate histórico da região. Membro licenciado da Academia Campista de Letras desde 2005, Cunha é também poeta, fotógrafo e um ativo defensor da memória cultural de Campos.
Casou-se com Madalena dos Santos Cunha em 1968, o ano que nunca terminou. Tem três filhos, Marcus Vinicius dos Santos Cunha, designer da Uenf; Sérgio Augusto dos Santos Cunha, jornalista e Carolina dos Santos Cunha, advogada. Tem duas netas, Thamyris e Alice e um bisneto, Leandrinho. Ficou viúvo em 2001 e casou-se de novo em 2003 com Janete Maravilha Cunha. Vive em Grussaí e comunica-se com o mundo com um PC que tem mais juízo que ele, embora menos memória. (Leia mais abaixo)