A peça Jonathan, escrita e encenada por Rafael Souza-Ribeiro e dirigida por Dulce Penna, fará única apresentação no Sesc Campos na próxima sexta-feira (6). Indicado ao Prêmio Shell de Melhor Dramaturgia e Melhor Direção, o monólogo parte da história da tartaruga mais velha do mundo para falar do amadurecimento de um jovem negro em busca do próprio protagonismo. (Leia mais abaixo)
Na trama, a vida da tartaruga cruza com a de outro Jonathan: um jovem de 17 anos, tratador de animais, que herdou o nome do bicho e o ofício do avô, ainda que contra sua vontade. Enquanto passa a limpo a história da Ilha onde vive, da tartaruga e da família, ele se vê às voltas com os próprios sonhos e com a transição para a vida adulta numa jornada de reviravoltas e descobertas. Misturando autoficção, noticiário, poesia, humor e fantasia, Jonathan constrói uma narrativa doce e contundente, que descortina as mazelas do colonialismo e da intolerância, ao mesmo tempo em que celebra a potência da juventude negra viva.
A ideia da peça veio em 2017, quando Rafael leu em um jornal sobre Jonathan, a tartaruga que vive na Ilha de Santa Helena, um dos lugares mais isolados do planeta. Há mais de um século, Jonathan é símbolo daquele antigo território colonial britânico no meio do Atlântico, estampando camisetas, bonés e até a moeda de 5 centavos. Quando se deparou com o perfil de Jonathan traçado pelo jornal, que detalhava as peripécias do animal e toda a indústria do turismo em torno dele, Rafael pensou: “Tem teatro aí!”, e criou uma fábula contemporânea sobre o tempo, o amadurecimento e a reinvenção do mundo.
“A ficção me permitiu desobedecer um pouco a história oficial e dar voz a quem sempre foi silenciado. Jonathan é uma peça sobre o que permanece e o que precisa mudar, e sobre como um corpo em movimento pode conter um mundo inteiro”, afirma Souza-Ribeiro.
Nascido em 1832, Jonathan, uma tartaruga gigante das Seychelles, foi dado como presente da Coroa britânica à remota Ilha de Santa Helena, um território ultramarino britânico no meio do Atlântico, considerado um dos lugares mais isolados do mundo. Quando nasceu, há 192 anos, ainda não existia a fotografia, o telefone, nem a lâmpada incandescente. A Torre Eiffel não havia sido construída, e Napoleão Bonaparte (que passaria seus últimos dias exilado na mesma ilha) tinha apenas 18 anos de idade. Segundo o Livro dos Recordes, Jonathan detém o título de tartaruga mais velha do mundo e é o mais longevo testudine (grupo que inclui todas as tartarugas, cágados e jabutis) já registrado na história.
A circulação desta peça foi contemplada pelo edital Sesc RJ Pulsar 2024/25. (Leia mais abaixo)
SINOPSE: A vida de Jonathan se transforma a partir do momento em que ele se vê obrigado a cuidar da tartaruga mais velha do mundo e zelar por sua vida numa ilha perigosamente reacionária.
Ficha Técnica:
Rafael Souza-Ribeiro – dramaturgo e ator
Um dos roteiristas de Beleza Fatal, primeira novela da plataforma Max, lançada em 2025, Rafael Souza-Ribeiro, o Rafuda, foi indicado aos prêmios Shell, APTR e Prêmio do Humor em 2024, com dois textos diferentes. Natural de Volta Redonda (RJ), teve 14 peças encenadas, reconhecidas pela força dos diálogos e impacto emocional. Vencedor do Prêmio CBTIJ de texto original em 2023, também escreveu para A História de Uma Planta (GNT), Vicky e a Musa (Globoplay), Amar É Para os Fortes (Prime Vídeo) e Férias em Família (Multishow). Atuou como curador do FRAPA e desenvolve novos projetos para a Max.
Dulce Penna- diretora (Leia mais abaixo)
Dulce Penna é diretora indicada ao Prêmio Shell, produtora e atriz, formada em Direção Teatral pela UFRJ. Estreou como diretora e dramaturga em 2010 com a peça 201, recebendo excelente crítica. Atuou como diretora assistente em montagens como Amérika!, As Horas Entre Nós e A Dona do Fusca Laranja. No elenco de peças como O Bigode, Teatro do Saara e Heroína Solitária, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival Ziembinski, também integrou o premiado espetáculo infantil Malala, a menina que queria ir para a escola, vencedor do CBTIJ de Melhor Produção.
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