'Jonathan' transforma a história da tartaruga mais velha do mundo em celebração à potência e resistência da juventude negra

Indicado ao Prêmio Shell de Teatro, o monólogo se apresenta no Sesc Campos nesta sexta-feira (6)


  • 02/06/2025, 17h33, Foto: Divulgação.

A peça Jonathan, escrita e encenada por Rafael Souza-Ribeiro e dirigida por Dulce Penna, fará única apresentação no Sesc Campos na próxima sexta-feira (6). Indicado ao Prêmio Shell de Melhor Dramaturgia e Melhor Direção, o monólogo parte da história da tartaruga mais velha do mundo para falar do amadurecimento de um jovem negro em busca do próprio protagonismo. (Leia mais abaixo)

Na trama, a vida da tartaruga cruza com a de outro Jonathan: um jovem de 17 anos, tratador de animais, que herdou o nome do bicho e o ofício do avô, ainda que contra sua vontade. Enquanto passa a limpo a história da Ilha onde vive, da tartaruga e da família, ele se vê às voltas com os próprios sonhos e com a transição para a vida adulta numa jornada de reviravoltas e descobertas. Misturando autoficção, noticiário, poesia, humor e fantasia, Jonathan constrói uma narrativa doce e contundente, que descortina as mazelas do colonialismo e da intolerância, ao mesmo tempo em que celebra a potência da juventude negra viva. 

A ideia da peça veio em 2017, quando Rafael leu em um jornal sobre Jonathan, a tartaruga que vive na Ilha de Santa Helena, um dos lugares mais isolados do planeta. Há mais de um século, Jonathan é símbolo daquele antigo território colonial britânico no meio do Atlântico, estampando camisetas, bonés e até a moeda de 5 centavos. Quando se deparou com o perfil de Jonathan traçado pelo jornal, que detalhava as peripécias do animal e toda a indústria do turismo em torno dele, Rafael pensou: “Tem teatro aí!”, e criou uma fábula contemporânea sobre o tempo, o amadurecimento e a reinvenção do mundo.

“A ficção me permitiu desobedecer um pouco a história oficial e dar voz a quem sempre foi silenciado. Jonathan é uma peça sobre o que permanece e o que precisa mudar, e sobre como um corpo em movimento pode conter um mundo inteiro”, afirma Souza-Ribeiro.

Nascido em 1832, Jonathan, uma tartaruga gigante das Seychelles, foi dado como presente da Coroa britânica à remota Ilha de Santa Helena, um território ultramarino britânico no meio do Atlântico, considerado um dos lugares mais isolados do mundo. Quando nasceu, há 192 anos, ainda não existia a fotografia, o telefone, nem a lâmpada incandescente. A Torre Eiffel não havia sido construída, e Napoleão Bonaparte (que passaria seus últimos dias exilado na mesma ilha) tinha apenas 18 anos de idade. Segundo o Livro dos Recordes, Jonathan detém o título de tartaruga mais velha do mundo e é o mais longevo testudine (grupo que inclui todas as tartarugas, cágados e jabutis) já registrado na história.   

A circulação desta peça foi contemplada pelo edital Sesc RJ Pulsar 2024/25. (Leia mais abaixo)

SINOPSE: A vida de Jonathan se transforma a partir do momento em que ele se vê obrigado a cuidar da tartaruga mais velha do mundo e zelar por sua vida numa ilha perigosamente reacionária.  

Ficha Técnica:   

  • Texto e atuação: Rafael Souza-Ribeiro
  • Direção: Dulce Penna
  • Direção de produção: Carolina Bellardi [Pagu Produções Culturais]
  • Preparação corporal: Luciano Caten
  • Figurino: Carla Ferraz
  • Desenho de estampa: Verônica Bechara
  • Costura: Ateliê das Meninas
  • Visagismo e maquiagem: Diego Nardes
  • Iluminação e operação de luz: Paulo Denizot
  • Cenário: Dulce Penna e Dodô Giovanetti
  • Cenotecnia: Dianny Pereira e Dodô Giovanetti
  • Trilha sonora: Arthur Ferreira
  • Operação de som: Eder Martins de Souza
  • Intérprete de LIBRAS: Claudia Chelque
  • Assessoria de imprensa: Lyvia Rodrigues [Aquela Que Divulga]
  • Arte gráfica: Ludmila Valente [Brainstorm Design]
  • Fotografia: Renato Mangolin e Sabrina Paz
  • Coordenação de Produção: Verde Flecha Cultural 

Rafael Souza-Ribeiro – dramaturgo e ator  

Um dos roteiristas de Beleza Fatal, primeira novela da plataforma Max, lançada em 2025, Rafael Souza-Ribeiro, o Rafuda, foi indicado aos prêmios Shell, APTR e Prêmio do Humor em 2024, com dois textos diferentes. Natural de Volta Redonda (RJ), teve 14 peças encenadas, reconhecidas pela força dos diálogos e impacto emocional. Vencedor do Prêmio CBTIJ de texto original em 2023, também escreveu para A História de Uma Planta (GNT), Vicky e a Musa (Globoplay), Amar É Para os Fortes (Prime Vídeo) e Férias em Família (Multishow). Atuou como curador do FRAPA e desenvolve novos projetos para a Max.

Dulce Penna- diretora    (Leia mais abaixo)

Dulce Penna é diretora indicada ao Prêmio Shell, produtora e atriz, formada em Direção Teatral pela UFRJ. Estreou como diretora e dramaturga em 2010 com a peça 201, recebendo excelente crítica. Atuou como diretora assistente em montagens como Amérika!, As Horas Entre Nós e A Dona do Fusca Laranja. No elenco de peças como O Bigode, Teatro do Saara e Heroína Solitária, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival Ziembinski, também integrou o premiado espetáculo infantil Malala, a menina que queria ir para a escola, vencedor do CBTIJ de Melhor Produção.

Serviço  

  • Jonathan
  • Onde: Sesc Campos 
  • Quando: 06/06 (sexta-feira) às 19h
  • Endereço: Av. Alberto Torres, 397 - Centro, Campos dos Goytacazes – RJ
  • Ingressos: R$15,00 (inteira), R$7,50 (Credencial Sesc Convênio, ou meia entrada para casos previstos por lei, estendida a professores e classe artística mediante apresentação de registro profissional, ou programa Mesa Brasil*), R$5,00 (Credencial Sesc Plena), gratuito (público inscrito no programa PCG).
  • Duração: 70 minutos
  • Faixa etária: 12 anos 



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