Pré-candidato a prefeito do PT fala ao Campos 24H

O ex-reitor do IFF, Jefferson Azevedo, é mais um pré-candidato que fala ao site




08/06/2024, 09h12, Fotomontagem: Campos 24 Horas.


A eleição deste ano será “um marcador relevante sobre as escolhas dos campistas”, acredita o professor Jefferson Azevedo, que há bem pouco tempo exercia o cargo de reitor do Instituto Federal Fluminense em Campos e está no páreo da sucessão como um dos pré-candidatos à prefeitura pelo PT. Nesta entrevista ao Campos 24 Horas dentro da série do site sobre as eleições municipais de 2024, Jefferson mostra sua visão de políticas públicas para diversas áreas, sobretudo a de econômica. Ele ainda apontou as áreas de transporte e educação como as que devem receber maior atenção.  A Saúde também não passou no crivo do professor. O pré-candidato falou sobre o enfrentamento a duas candidaturas com o apoio dos governos estadual e municipal. O PT ainda vai escolher seu candidato na convenção do partido, entre julho e agosto. Além de Jefferson, a deputada estadual Carla Machado e o sindicalista Hélio Anomal são os outros pré-candidatos à prefeitura. (entrevista abaixo)

 

Campos 24 Horas - Qual sua avaliação do atual cenário político em Campos. De um lado, o prefeito Wladimir Garotinho, favorito de acordo com as pesquisas. De outro lado, a oposição com o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, apostando suas fichas na delegada Madeleine; e ainda o PT que ainda não decidiu sobre sua pré-candidatura. Como analisa este retrato no momento?

Jefferson Azevedo - Não é algo novo, nas eleições de nossa cidade, os poderes das máquinas do estado e do município se antagonizarem e digladiarem. Só mudam os personagens e suas posições. A novidade estará na candidatura da nossa Federação, aliada aos partidos verdadeiramente progressistas, em um honesto diálogo com a população campista, a partir de proposições claras para o enfrentamento de nossas estruturantes mazelas sociais, da superação da crônica estagnação econômica e para a construção de políticas públicas para um novo e promissor futuro. A próxima eleição será muito disputada e certamente será um marcador relevante sobre as escolhas dos campistas.

C24H - O que o PT pode trazer na campanha? O que o eleitor pode esperar de novidade? 

Jefferson - O campo está fértil para novas proposições, visto a aridez da falta de criatividade, aliada a pouca transparência e a exígua participação da sociedade na gestão do município. Temos experiências exitosas de projetos e políticas públicas, especialmente em prefeituras governadas pelo Partido dos Trabalhadores, assim como em muitas outras experiências de cidades no Brasil e no mundo. Em Maricá, por exemplo, foi implantada a moeda social Mumbuca que criou um ciclo virtuoso de estímulo à economia local. Aliada a um conjunto de outras políticas públicas, como o Transporte Público com Tarifa Zero, há um saldo crescente e positivo de empregos e novos empreendimentos, mesmo na pandemia. (Leia mais abaixo)

 

C24H - Em sua avaliação, onde a oposição deve centrar suas críticas na campanha?

Jefferson- São inúmeras as fragilidades, sendo a mais perceptível o descaso com transporte público que afeta fortemente nossa economia e a vida das pessoas. O trabalhador precisa se locomover! Quatro anos atestam o declínio nessa área, mesmo que esta tenha sido uma das bandeiras da eleição do atual prefeito. Também não houve política de habitação popular, mesmo diante de um deficit estimado de 15 mil casas populares. Na saúde, uma enormidade de UBS fechadas e outras em condições lamentáveis e, quando aliada à falta de transporte público, torna-se uma covardia com a população mais empobrecida. Na Educação, nenhuma política séria de escola em tempo integral, falta de Concurso Público, chegando ao cúmulo de contratação de professores como RPA. Uma precarização de nosso sistema educacional. Na economia, devido à alta arrecadação dos royalties, há uma sensação de retomada econômica, mas não é uma onda de desenvolvimento, infelizmente; apenas uma espuma de crescimento que, como sempre, será fugaz. Estamos comprometendo nosso futuro coletivo. (Leia mais abaixo)

 

C24H- Quais são as propostas para a economia, o desenvolvimento, a geração de trabalho e renda?

Jefferson - Não haverá desenvolvimento econômico se não tivermos clareza de que temos que investir muito em nossas potencialidades endógenas. Investimos muito pouco em nossa agricultura, por exemplo. Hoje temos a metade da produtividade agrícola quando comparado ao município de São Francisco. Somos um dos poucos municípios do interior do país com uma rede de formação profissional e educação superior, igualada a muitas capitais brasileiras. Temos um complexo portuário, com uma proposta de planta de produção de energias renováveis de grande envergadura, e um arranjo produtivo de petróleo e gás na região que nos permitiria, se bem articulado com esta inteligência e competência “instalada” e sendo formada, somado ao correto uso dos vultosos recursos dos royalties, estimular e diversificar nossa economia, permitindo darmos um salto em nosso desenvolvimento socioambiental.

C24H - Como professor, qual sua avaliação no desempenho da educação em Campos?

Jefferson - Só avançaremos na Educação com carreiras dos profissionais da educação bem estruturadas, uma proposta pedagógica pertinente ao nosso tempo e a nova geração, em tempo integral e integrada, visando a formação plena e integral de nossas crianças e adolescentes, construída de maneira democrática e participativa, a partir do envolvimento das comunidades escolares, assim como escolas com infraestrutura adequada ao pleno desenvolvimento do projeto pedagógico estabelecido, o que está ainda distante do que vemos em nossa cidade. Continuamos figurando posições vexatórias no Ideb, ou seja: o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica ainda denuncia e retrata as fragilidades e desafios do aprendizado no município.