02/07/2016 09h38 | Foto: Campos 24 Hroas

Em meio a mais uma polêmica – e uma nova paralisação – do Campeonato Carioca da Série B, o técnico do Americano, João Carlos Ângelo, mostrou indignação pelos comentários e insinuações de que o Alvinegro não teria usado sua força máxima na final da Taça Corcovado, contra o Campos, de maneira proposital. A equipe perdeu para o Roxinho por 3 a 1, na última quarta-feira (29), resultado que eliminou o Itaboraí da disputa, mas não afetou a situação do Glorioso, que já está garantindo no Triangular Final da competição por ter feito a melhor campanha geral.
O dia seguinte ao título, que ficou sub-júdice após nova intervenção do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-RJ), foi de polêmicas após as declarações do presidente do Itaboraí, Júnior Cardozo, que disse ter visto o Americano "desvalorizando o campeonato", ao utilizar o que chamou de "terceiro time", pelo uso de alguns reservas nas duas partidas da final. A própria imprensa campista também criticou o clube o próprio treinador, que respondeu em tom duro, numa entrevista exclusiva à Rádio FutRio, na noite desta sexta:
– A falta de respeito tem sido total, não só com o Americano, mas com todos os outros clubes. Nunca vi um presidente de outro clube querer fazer insinuações em cima da escalação de outro time. Dentro do clube, eu tenho total liberdade e nunca fui questionado em relação ao uso de um ou outro jogador. Futebol tem que ser vencido dentro de campo, mas tem gente querendo ganhar de outro jeito.
O presidente Luciano Viana foi outro que chegou a repudiar as insinuações de entreguismo por parte do Americano e ressaltou que o clube vem trabalhando de forma séria para conquistar o acesso à Série A do Estadual, a despeito das denúncias feitas pelo Itaboraí, de que a equipe tentaria se beneficiar do regulamento para prejudicar o clube do Leste Fluminense e eliminá-lo da fase final, uma vez que a Águia se classificaria em caso de título do Americano.
Confira a entrevista completa de João Carlos Ângelo:
Indignação quanto aos boatos
Estou muito insatisfeito com coisas que tenho visto e que não vi nos últimos 35 anos em que trabalho com futebol. Estou indignado com essa falta de respeito. Não costumo me esquivar de nada e sempre busco a dignidade. Tenho total autonomia para fazer o que quero na equipe do Americano, a responsabilidade é toda e só minha. Desde o começo, o Gilberto e o Luciano nunca me questionaram sobre a utilização de este ou aquele jogador. Por isso é que eu estranho a manchete de um jornal falando de um dirigente de outro clube que quer saber o porquê de eu escalar o meu time.
Uso de jogadores reservas
Se todos querem saber, o que eu digo desde o início, é que todo nosso trabalho foi feito com cuidado para que cada jogador pudesse se adaptar à filosofia de trabalho que temos e para que ficasse totalmente apto a participar dos jogos. Analisando a escalação que jogou na partida passada, é só ver que Ânderson Künzel, Emerson, Abuda, Espinho e o Noel são titulares e o Douglas Caé foi nada menos que o artilheiro da Copa Rio do ano passado. Todos eles iniciaram o campeonato como titulares e jogaram quase todo o primeiro turno. Fico indignado com a falta de respeito aos profissionais do Americano, onde estou há 16 meses, longe da minha família, trabalhando e buscando meu objetivo. Acho que futebol tem que se ganhar no campo. Vamos parar com essa confusão toda. Aqui, ninguém tem autonomia para falar comigo sobre o uso deste ou daquele atleta. Sou um profissional digno e exijo respeito.
Planejamento e resposta a Junior Cardozo
A gente tem oito atletas titulares do primeiro turno. É claro que estou me preparando para o Triangular e tenho que colocar em prática o planejamento que já venho tendo com o grupo, que é forte. O regulamento me dá a chance chegar ao Triangular e disputar semifinal e final com o time que me deixasse à vontade para gerir o grupo. Fosse com o Itaboraí, o Campos ou qualquer outro time, com toda a condição de ganhar. Ele (Junior Cardozo) disse lá que nós teríamos medo deles, não sei porque teríamos medo. Isso é questão de planejamento, amigo. Meu critério é priorizar de maneira que eu possa beneficiar o Americano. Na semifinal, ganhamos de virada, empatamos fora com o Campos e perdemos a decisão para um time que vem há 13 jogos invicto.
Reação do grupo de jogadores
O grupo está indignado porque a gente conquistou isso dentro de campo, sem nenhuma polêmica em nossos jogos. Não é em todo lugar que você observa jogos que não envolvem questões assim, como aconteceu aqui conosco. Teve até presidente ameaçando sair do campeonato por causa de situações que têm ocorrido. Conquistamos nossos feitos dentro de campo neste ano e no ano passado também. Desde o ano passado, nunca houve confusão, desde que cheguei aqui. Ganhamos jogos e perdemos jogos. Agora a gente vai manter a cabeça fria, mas estou muito constrangido com tudo isso. Afinal de contas, quando tem presidente de outro clube querendo dar pitaco na minha escalação, é porque o futebol está acabando, né? Mas a gente sabe da nossa própria idoneidade e vai continuar trabalhando para representar o Americano da melhor maneira possível. Vamos brigar com toda força pelo acesso.
Recado aos torcedores
Peço que continuem intensos como estiveram até hoje porque o nosso foco não vai se desviar um segundo que seja. Vamos trabalhar o suficiente para conquistar esse acesso, independentemente dos obstáculos que colocarem no nosso caminho.