Intolerância, aquecimento global, política: desfiles foram recheados de temas polêmicos

Manifestações fizeram parte de enredo de várias escolas.


  • 25/02/2020, 10h46, Foto: Marcelo Brandt/G1.

Os desfiles das escolas do grupo especial deste ano foram marcados por um forte caráter político. Nas noites de domingo (23) e segunda (24), o cardápio de manifestações foi variado. O carnaval foi usado para falar de racismo, machismo, LGBTfobia, aquecimento global, fake news, corrupção, políticos e intolerância religiosa. De tudo um pouco. Veja abaixo.

Viradouro (Leia mais abaixo)

Exaltando as mulheres negras de Salvador, a Unidos da Viradouro lembrou a história das Ganhadeiras de Itapuã, quinta geração de mulheres que lavavam roupa na Lagoa do Abaeté e faziam diversos serviços em busca da compra de sua alforria. O enredo ressaltava a garra a força e o fato dessas terem sido “as primeiras feministas do Brasil”, lutando por liberdade.

Mangueira

A campeã Mangueira foi vitoriosa em 2019 depois de levantar a Sapucaí com um enredo dedicado à Marielle Franco. Em busca do bicampeonato e com grande expectativa, a verde e rosa este ano fez uma releitura da vida de Jesus Cristo e como ela seria nos nossos tempos.

Com alegorias com Jesus negro crucificado, referências a indígenas, mulheres e membros da comunidade LGBT. A rainha de bateria Evelyn Bastos veio representando Jesus mulher. A letra da música citava o presidente Jair Bolsonaro, com "Não há Messias de armas na mão".

Grande Rio (Leia mais abaixo)

A intolerância religiosa foi destaque do enredo da Grande Rio, que contou a história do pai de santo Joãozinho da Gomeia. Além disso, o desfile fez uma crítica ao terreiro da Gomeia, que atualmente está abandonado.

O refrão "Eu respeito seu amém, você respeita meu axé" empolgou com um pedido de tolerância entre as diferentes religiões.

União da Ilha

A Ilha radicalizou em seu desfile, em que trouxe como tema as mazelas enfrentadas pelos mais pobres. Houve carros que representavam comunidades, ônibus lotadas, com armas, pessoas em situação de rua e desempregados.

A escola trouxe para a Avenida a um retrato das dificuldades enfrentadas por quem vive nas comunidades e ruas do Rio de Janeiro. (Leia mais abaixo)

São Clemente

A São Clemente, primeira escola a desfilar na segunda-feira (24), trouxe um enredo irreverente, denominado de "O conto do vigário", falando dos variados trambiques brasileiros.

A bateria foi fantasiada de "laranjal" e a letra também citava a fruta que virou gíria para falar do uso de identidades para ocultar a origem ou destinatário de dinheiro ilícito.

O humorista Marcelo Adnet desfilou com fantasia e carro alegórico com referências ao presidente Jair Bolsonaro, como faixas com as frases "tá ok?", "a culpa é do Leonardo di Caprio" e "acabou a mamata".

Adnet fez flexões de braço e imitou uma arma com a mão, gestos que Bolsonaro popularizou. O humorista jogou laranjas para o público. Um carro fez menção às fake news e repetiu algumas notícias falsas que ficaram famosas, como a sobre vacina adoecer. (Leia mais abaixo)

Salgueiro

O Salgueiro trouxe a história de Benjamin de Oliveira, o primeiro palhaço negro do Brasil. A escola exaltou essa figura pouco conhecida e focou, também, em trazer protagonismo para outros nomes negros e a luta contra a intolerância racial.

Uma das alas reforçava a importância de personagens negros das artes e exibia imagens de artistas como Mussum, Tião Macalé, Jorge Lafond, entre outros.

Unidos da Tijuca

A Unidos da Tijuca trouxe um enredo com a temática "Onde moram os sonhos", em que abordava a arquitetura e a capacidade do homem de criar diferentes espaços. O desfile fez críticas à ação humana que prejudica o meio ambiente. (Leia mais abaixo)

Logo no abre-alas, havia uma crítica ao aquecimento global, com a escultura de um urso polar e seu filhote em uma geleira que aparecia derretendo na Avenida e virando um oceano cheio de plástico e óleo. Ao longo do desfile, o tema voltou a aparecer em uma ala abordava o desmatamento nas florestas.

Mocidade

A escola de Padre Miguel homenageou a cantora Elza Soares. Ao trazer a história de uma mulher negra e periférica para a Avenida, a escola trouxe muitos protestos.

Um dos carros levava o dizer "Exu te ama", subvertendo o clássico dizer "Jesus te amo". Um dos carros da escola trouxe bandeiras feministas, LGBT, e integrantes com placas de dizeres como "cultura", "saúde", "educação".

Fonte: G1 (Leia mais abaixo)



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