A disputa pelo futuro no presente não acontece mais apenas em campos de batalha, mas em laboratórios, servidores e centros de pesquisa. No século XXI, a inovação tecnológica se tornou o principal ativo de poder. Os dados são o novo petróleo e alimentam as engrenagens econômicas e políticas que reconfiguram o mundo.
É nesse contexto que a Casa Firjan, no Rio de Janeiro, apresentou, dentro do Festival Futuros Possíveis, o painel “Inovação, dados e poder: a nova ordem global”. O encontro propõe uma reflexão estratégica sobre o papel do Brasil em um cenário em que Estados Unidos e China disputam a liderança tecnológica e redesenham o mapa das influências globais. (Leia mais abaixo)
“Ao longo dos últimos anos, acompanhamos como a transformação digital vem reestruturando cadeias produtivas e ampliando as fronteiras do poder. Trazer esse debate para o Festival é colocar o Brasil dentro da conversa global sobre o futuro. Um futuro que está sendo configurado agora”, afirma Bebel Oschery, gerente de Inovação Empresarial da Casa Firjan. “O Festival existe para provocar o protagonismo brasileiro. Não queremos ser apenas espectadores das mudanças, mas cocriadores de novos caminhos para a inovação e a sustentabilidade, seja como sociedade ou como setor produtivo”, afirma.
A disputa invisível pelo poder (Leia mais abaixo)
O painel parte de uma constatação: a corrida tecnológica é também uma corrida geopolítica. A inovação deixou de ser um tema apenas econômico e quem domina as tecnologias emergentes, da inteligência artificial à biotecnologia, dita não apenas o ritmo do mercado, mas os padrões culturais e estratégicos que moldam (e lideram, e dominam) as sociedades.
Em meio à chamada nova ordem digital, a competição entre EUA e China transcende o campo dos chips e algoritmos. Trata-se de uma disputa silenciosa por soberania digital, padrões regulatórios e fluxos de informação, que se reflete diretamente na forma como as nações se inserem nas cadeias produtivas globais. (Leia mais abaixo)
O Brasil, por sua vez, enfrenta o desafio de definir se continuará como consumidor de tecnologia ou se tornará produtor de conhecimento e regulador de seus próprios dados.
Entre dependência e oportunidade (Leia mais abaixo)
Quem traz essa reflexão para o Festival Futuros Possíveis é Claudia Trevisan, diretora executiva do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), jornalista premiada e especialista nas relações entre os dois países. Trevisan lembra que o Brasil vive um momento de inflexão histórica, cercado por disputas entre Washington e Pequim que, embora distantes, têm impacto direto sobre o Brasil.
“Somos grandes consumidores de tecnologia, mas temos plenas condições de ser também produtores e formuladores de políticas de inovação. O Brasil reúne capital humano, biodiversidade e uma base industrial capaz de gerar vantagens estratégicas em áreas como energia, biotecnologia e dados”, afirma. (Leia mais abaixo)
Para ela, o eixo da geopolítica global está em transformação e isso abre espaço para o reposicionamento de países emergentes. “O Sul Global começa a deixar de ser apenas espectador para se tornar voz ativa na definição das regras do jogo, seja na governança digital, seja no uso ético da inteligência artificial.”
Trevisan também destaca que a sustentabilidade e a transição energética são peças centrais dessa nova economia. “O mundo busca soluções verdes, e o Brasil, com sua matriz energética limpa e biodiversidade única, pode ser protagonista de uma agenda de futuro”, resume. (Leia mais abaixo)
A inteligência como ativo nacional
No novo tabuleiro global, o conhecimento é a moeda mais valiosa. Quem dominar as redes de dados e o poder computacional definirá não só o rumo da economia, mas também os contornos da democracia. Por isso, desenvolver tecnologias com identidade própria é uma questão de soberania. (Leia mais abaixo)
O futuro como território estratégico
O Festival Futuros Possíveis, da Casa Firjan, se consolida como um espaço de antecipação e reflexão sobre os grandes vetores que moldam o amanhã da economia à cultura, da ciência à sustentabilidade. (Leia mais abaixo)
Segundo o Lab de Tendências da Firjan, que promove “Estudos de Futuros”, compreender a nova ordem digital é fundamental para orientar estratégias empresariais e políticas públicas. O Estudo Macrotendências 2026–2027, lançado recentemente pela Casa Firjan, identifica “a intersecção entre dados, poder e tecnologia” como um dos pilares estruturantes das próximas décadas.
Para Bebel Oschery, o debate sobre inovação e poder é também um convite à ação: “Quando falamos de futuros possíveis, falamos de escolhas presentes. O Brasil precisa se ver como protagonista, com capacidade de definir suas próprias prioridades e construir alianças estratégicas que o coloquem no centro da transformação global”, destaca. (Leia mais abaixo)
Um Brasil que pensa o futuro
Em um mundo em que as fronteiras do poder se desenham em linhas de código, cada decisão de política industrial, de regulação de dados ou de incentivo à pesquisa se torna uma aposta no amanhã. O painel “Inovação, dados e poder: a nova ordem global” não busca prever o futuro busca ler os sinais que já estão entre nós. E o Brasil, desta vez, parece disposto a ser autor no próximo capítulo dessa história. (Leia mais abaixo)