

Postado por Fabiano Venancio - Os hospitais de Campos vivem uma situação pior do que se imaginava na área de oncologia. Além disso, o governo estadual continua em dívida com os pacientes de câncer do município. A audiência pública realizada nesta quinta-feira (25/06), na Câmara Municipal, convocada pelo vereador Anderson de Matos (Republicanos), foi marcada pela ausência da superintendente do Complexo Estadual de Regulação da Secretaria Estadual de Saúde, Kitty Crawford. O objetivo da audiência foi debater a grave situação dos pacientes oncológicos de Campos e região que se encontram na fila há vários meses à espera de uma regulação do governo estadual para serem atendidos e vivem um drama desesperador. No encontro desta quinta, dados do quadro grave da área de oncologia no município foram revelados por diretores de hospitais onde funcionam as Unacons (Unidades especializadas no tratamento do câncer), como o encerramento do atendimento oncológico do Hospital Doutor Beda para pacientes do SUS, falta de disponibilidade de médicos para o tratamento oncológico, sobretudo anestesistas, erro do governo federal ao excluir do piso da enfermagem os hospitais não filantrópicos, entre outros problemas, conforme o Campos 24 Horas mostra neste balanço da audiência na Câmara. O superintendente do Hospital Álvaro Alvin, médico Geraldo Venâncio, chegou a dizer que 78% de um andar inteiro está ocupado só com oncologia clínica e complicações de quimioterapia. Além disso, os diretores dos hospitais locais revelaram que parte dos valores de repasses que deveriam ser feitos pelos governos encontra-se em atraso desde 2025.
“Expresso aqui minha indignação pela falta de respeito com Campos e as 17 pessoas que morreram este ano em nossa cidade sem nenhum tipo de cuidado oncológico. Essas pessoas não morreram por causa do câncer, mas por causa da falta de tratamento. Ela (Kitty) me disse que, se fosse autorizada pelo governo estadual, iria compareceria à audiência. Pelo visto, não recebeu autorização”, desabafou Anderson de Matos. (Leia mais abaixo)
Anderson disse que a superintendente estadual esteve em Campos na quarta-feira (24) para uma audiência pública numa Ação Civil Pública na Justiça local movida por pacientes com câncer. “Mas ela, como servidora pública, deveria estar aqui na cidade quantas vezes fossem necessárias porque lhe fiz o convite pessoalmente e também de forma institucional”, acrescentou o vereador.
GARGALOS E FALTA DE REPASSES - Os grandes gargalos, no entanto, continuam a ser o encerramento em agosto do atendimento oncológico do Hospital Doutor Beda, responsável por 41% do tratamento dos casos de câncer e 39% dos diagnósticos, além da falta de disponibilidade de médicos para o tratamento oncológico, sobretudo anestesistas, como enfatizou o administrador do Hospital da Beneficência Portuguesa, Renato Dantas Faria.
“O problema é a credibilidade. É conquistar a confiança dos médicos, que têm medo de levar calote do hospital ao assumir compromissos. Eles sabem que o problema não é causado por nós, mas do ente público que é um devedor contumaz. Cada prefeito que sai deixa uma dívida. Desde 2015 que os hospitais filantrópicos convive com problemas de atraso de repasses da prefeitura”, afirmou.
“Rafael Diniz saiu e ficou devendo R$ 16 milhões. Chegamos a atrasar cinco folhas de pagamento. Depois veio Wladimir que fez um acordo decente, passou a pagar direito e a conseguimos reequilibrar as finanças. Agora em 2025 e 2026 voltou a atrasar, já tivemos uma reunião com o prefeito Frederico Paes. O atraso já está em R$ 3 milhões”, revelou.
ESTADO NÃO PAGA - Por outro lado, de 2014 a 2018, o governo estadual também deixou de fazer repasses ao hospital. “A dívida hoje é de R$ 54 milhões, ganhamos em segunda instância, está lá judicializada. São coisas que atrapalham. Não fosse isso podíamos estar atendendo melhor a oncologia”, disse ainda. (Leia mais abaixo)
Lucas Zullo, representante da Defensoria Pública Estadual, cobrou dos governos estadual e municipal a definição de um plano de contingência para o atendimento com a ausência do Beda.
SITUAÇÃO DO ÁLVARO ALVIN - O superintendente do Hospital Escola Álvaro Alvim, médico Geraldo Augusto Venâncio, criticou o governo estadual e ainda debitou ao governo federal a saída do Beda do atendimento oncológico.
“A impressão que dá é que as pessoas que fazem essa regulação no Estado não são médicos. Não sabem o que é hospital. Mas foi também um grande erro do governo federal excluir do piso da enfermagem os hospitais não filantrópicos, como é o caso do Beda, que só está parando por causa do piso da enfermagem. Foi um grande erro. Até porque a administração quimioterápica dá lucro”, explicou Geraldo Venâncio.
Ainda em relação ao caso do Beda, Geraldo propôs aos governos estadual e municipal uma forma de compensação pela não extensão do piso da enfermagem. “Não podemos ficar inertes porque agosto é amanhã, logo ali na frente”, frisou.
Geraldo Venâncio ainda informou que o Álvaro Alvim possui capacidade para receber todos os pacientes que estão fazendo radioterapia, “mas estamos com 78% de um andar inteiro ocupado só com oncologia clínica e complicações de quimioterapia”. (Leia mais abaixo)
CONSRUÇÃO DE HOSPITAL ONCOLÓGICO - Anderson de Matos enfatizou a necessidade da construção do Onco Norte em Campos, hospital especializado em tratamento de câncer. Uma campanha de coleta de assinaturas pelo hospital já está sendo feita em vários postos na cidade.
Também participaram da audiência o cirurgião oncológico Jonatha Frazão; o coordenador de oncologia da Prefeitura, o Carlos Henrique da Silva Paes; o representante da Beneficência Portuguesa, Jorge Miranda; Anelise Cabral e Taíssa Rodrigues, do núcleo de regulação da Prefeitura; Maria Carolina, da Secretaria Municipal de Saúde; Priscila, paciente com câncer de mama; o vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic), Fernando Loureiro, e a escritora e palestrante Janaína Paes.
EM MEIO AO DRAMA, BOAS NOTÍCIAS - Dos cerca de 80 pacientes com câncer que estavam na fila de atendimento em Campos, 35 deles já iniciaram o tratamento. As filas de 29 pessoas com câncer de mama à espera de terapia, assim como 12 de oncologia clínica foram zeradas, segundo a superintendente do Núcleo de Regulação da Prefeitura de Campos, Rúbia Helena de Faria.
“Esse andamento da fila é resultado desta audiência pública e de cobranças que temos feito nos últimos meses para que a regulação venha funcionar em nosso município, algo que é de competência do governo estadual”, enfatizou o vereador Anderson.
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