15/05/2016 06h33 | Foto: Campos 24 Horas
Postado por: Fabiano Venancio
Em todo o mundo infecção é o maior e pior “fantasma” dentro de uma unidade de saúde, principalmente, em hospitais e, muito pior ainda, numa Unidade de Tratamento Intensiva (UTI), local que admite pacientes potencialmente graves ou com descompensação de um ou mais sistemas orgânicos. Por isso, cercá-lo de cuidados nunca é demais, segundo especialistas, fazendo com que diminua o risco de infecção. E que cuidados seriam esses?
São muitos e todos devem seguir as normas do Ministério da Saúde e órgãos afins. Isso todos sabem. O que muita gente não sabe é que em nenhum município da região, nem mesmo nos hospitais particulares de Campos existe uma UTI tão completa, que respeite tanto as normas do MS, que tenha criado tantas barreiras para conter o “fantasma” da infecção, do que o Hospital Ferreira Machado (HFM), onde foi construída há três anos uma nova UTI.
Além de seguir todas as recomendações do MS, ela vai muito além, muito, muito, muito. Ela é dotada de sistema de monitorização contínua, tem equipe multidisciplinar e interdisciplinar 24h, leitos individualizados, entre outros que têm na maioria das UTIs. Mas não é só isso, de acordo com o médico intensivista, chefe do Departamento de Terapia Intensiva, Alexandre Pontes Aguiar, também cirurgião geral, especialista pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira.

Campos 24 Horas – Porque a UTI ainda é chamada de uma Nova UTI?
Alexandre Pontes Aguiar– Porque é mesmo uma nova UTI, mais ampla, mais moderna, com infraestrutura de primeira qualidade. É dotada de 30 leitos, seis deles de unidade intermediária para paciente que está melhorando sua condição, até estar bem para ser transferido para a enfermaria, como se fosse um período de transição. E, ainda, boxes individualizados (na maioria dos UTIs são boxes separados por cortinas), farmácia satélite com medicamento para aquela unidade, sala de preparo de medicamento para ser dispensado a todos os pacientes da UTI, um médico para cada oito pacientes (plantonistas), quantitativo de outros profissionais com um técnico para cada dois leitos, fisioterapeutas no mesmo quantitativo, grupo de dentistas hospitalar com um por dia e 24h, diarista médico, além de plantonista manhã e tarde.
C24H – Mas o que, de fato, ela tem de tão incomum?
Alexandre – Todos os 24 boxes contam com pontos para realização de hemodiálise, ou seja, quaisquer desses boxes estão habilitados para fazer hemodiálise, sem precisar, em caso de necessidade, deslocar o paciente para outro local, causando risco de contaminação e transtornos. Antes era um ponto para hemodiálise para todos, ao contrário de agora. Antes não havia barreira física nos boxes, tudo isso é revertido em benefício para o profissional que trabalha no local e para o paciente, que corre menos riscos.
C24H – O senhor destaca muito esses boxes individualizados…
Alexandre – Porque são necessários e de grande valia. Por isso já realizamos até uma mini cesariana para esvaziamento uterino, pela presença de feto morto, sendo o box transformado em um centro cirúrgico. Essa é a comodidade em determinados casos, embora tenha que acrescentar que essa foi uma situação de exceção, para não deslocar a paciente. Outra vantagem desse boxe individualizado é evitar contaminação cruzada, ou seja, evitar que a infecção passe de um ponto para o outro (caso de box separado por cortina).
C24H – E com essa Nova UTI o senhor tem algum fato que já tenha deixado marca?
Alexandre – Sim. Um determinado paciente, que tinha complicação extrema de pneumonia. Ele fez oxigenação do sangue por membrana extracorpórea (ECMO). A grosso modo para você entender, uma máquina que tem a função de substituir o pulmão. Tira-se a circulação do pulmão, passa pela máquina, que oxigena o sangue, retornando ao corpo o sangue oxigenado. Esse mesmo procedimento foi feito em algumas vítimas daquele caso da Boate Kiss, em Santa Catarina, com um especialista que trouxeram do Canadá para isso.
C24H – Vamos falar de alguns pontos destacados. O que é uma farmácia satélite, por exemplo?
Alexandre – A farmácia satélite serve somente a UTI e é importante porque é dedicada à dispensação da unidade, de forma mais rápida, com vigilância maior. Paralelo a isso tem também sala de preparo de medicação, com o medicamento preparado e dispensado no local, o que evita erro no preparo, favorece a padronização e faz com que este passe por um mínimo de pessoas, diminuindo a chance de infecção hospitalar.
C24H – Vamos agora para a parte de pessoal…
Alexandre – Como já falei, a UTI tem equipe multidisciplinar e interdisciplinar 24h. E médicos, enfermeiros e fisioterapeutas plantonistas para cada oito pacientes, enquanto o Ministério da Saúde (MS) preconiza um destes pacientes citados para cada dez pacientes. E tem médico diarista manhã e tarde, também um por oito pacientes e médico diarista para cobrir feriados. Já falei também do grupo de dentistas hospitalar (um a cada dia, 24h) para procedimentos odontológicos ligados à terapia intensiva. Eles ficam encarregados de coordenação da higiene bucal, diagnosticar e tratar de patologias bucais. E isso faz um diferencial enorme, porque tem paciente que fica 30 dias aqui e o técnico de enfermagem não é o profissional específico para isso. Muitos também vêm com aparelhos de ortodontia e precisam ser removidos, outros com próteses odontológicas fraturadas, tudo isso fica com o dentista.
C24H – O senhor falou em algum momento, sobre isolamento verdadeiro. O que é?
Alexandre – Aqui temos três e seguem as regras da Anvisa. São isolamentos capacitados para receber pacientes com infecção respiratória de autocontágio, tipo H1N1. E tem área de vestíbulo, expurgo próprio, banheiro próprio e a área de atendimento ao paciente conta com pressão negativa que puxa o ar de dentro do box, através de filtro bacteriológico, matando 99% das bactérias.
C24H – O senhor ressaltou também que o bloco da UTI fica ao lado do bloco do centro cirúrgico. Qual é a vantagem?
Alexandre – Isso gera uma facilidade muito grande de deslocamento para ambos os lados. Cria agilidade nos procedimentos e menor risco para o paciente no deslocamento. Muito importante.