Ensino médio brasileiro não atinge nível esperado de qualidade desde 2013

Objetivo de 2019 era atingir nota 5, mas país chegou a 4,2


  • 15/09/2020, 10h51, Foto: Reprodução.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2019, divulgado nesta terça-feira (15), mostra que o nível de qualidade do ensino médio brasileiro continua abaixo do esperado pelo Ministério da Educação (MEC). Embora tenha havido avanços em relação a 2017, o país não atinge a meta nessa etapa de ensino desde 2013.

O Ideb vai de 0 a 10 e leva em conta dois fatores: quantos alunos passam de ano e qual o desempenho deles em português e em matemática. Em 2019, a meta nacional a ser cumprida, somando escolas públicas e particulares, era 5 - mas o resultado ficou aquém do esperado. A média foi bem inferior a isso: 4,2.  (Leia mais abaixo)

Apesar de todos os estados, com exceção de Sergipe, terem aumentado o Ideb em relação à edição anterior, o resultado é insatisfatório. Uma "nota" de 4,2 não chega sequer ao patamar que era esperado para o país em 2015.

Evolução do Ideb nacional - ensino médio

Índice vai de 0 a 10. Inep define metas intermediárias a cada 2 anos.

2007 meta: 3,4 Ideb nacional: 3,5

2009 meta: 3,5 Ideb nacional: 3,6 (Leia mais abaixo)

2011 meta: 3,7 Ideb nacional: 3,7

2013 meta: 3,9 Ideb nacional: 3,7

2015 meta: 4,3 Ideb nacional: 3,7

2017 meta: 4,7 Ideb nacional: 3,8

2019 meta: 5 Ideb nacional: 4,2 (Leia mais abaixo)

Quais estados cumpriram suas metas?

As escolas, municípios e estados têm também suas metas individuais, calculadas a partir de cada realidade socioeconômica. Elas podem ser maiores ou menores do que o esperado para a média do país (nota 5). No Amazonas, por exemplo, era 4; em Santa Catarina, 5,4.

Em 2019, de todos os estados, apenas Goiás alcançou o índice proposto (4,8).

Ranking de estados

O Inep traça médias individuais para os estados, justamente porque são situações heterogêneas - há regiões com maior índice de pobreza, por exemplo, que terão obstáculos maiores para melhorar a qualidade da educação. (Leia mais abaixo)

Por isso, ao analisar um ranking nacional do Ideb, é preciso ter em mente que cada estado tem desafios próprios. A listagem é apenas para fins didáticos - o critério ideal de comparação é analisar quanto a região evoluiu nos últimos anos, em seus próprios índices, além de verificar se atingiu a meta definida pelo Inep.

O Espírito Santo, por exemplo, está em primeiro lugar, mas não cumpriu o índice esperado para 2019:

1- Espírito Santo Ideb 2019: 4,8 Meta 2019: 5,3 2- Goiás Ideb 2019: 4,8 Meta 2019: 4,8 3- Paraná Ideb 2019: 4,7 Meta 2019: 5,2 4- São Paulo Ideb 2019: 4,6 Meta 2019: 5,2 5- Pernambuco Ideb 2019: 4,5 Meta 2019: 4,6 6- Distrito Federal Ideb 2019: 4,5 Meta 2019: 5,2 7- Ceará Ideb 2019: 4,4 Meta 2019: 4,9 8- Rondônia Ideb 2019: 4,3 Meta 2019: 4,8 9- Minas Gerais Ideb 2019: 4,2 Meta 2019: 5,3  10- Santa Catarina Ideb 2019: 4,2 Meta 2019: 5,4  11- Rio Grande do Sul Ideb 2019: 4,2 Meta 2019: 5,3 12- Mato Grosso do Sul Ideb 2019: 4,2 Meta 2019: 4,8 13- Rio de Janeiro Ideb 2019: 4,1 Meta 2019: 4,9 14- Tocantins Ideb 2019: 4 Meta 2019: 4,7 15- Piauí Ideb 2019: 4 Meta 2019: 4,5 16- Paraíba Ideb 2019: 4 Meta 2019: 4,6 17- Acre Ideb 2019: 3,9 Meta 2019: 4,8 18- Roraima Ideb 2019: 3,9 Meta 2019: 5,1 19- Alagoas Ideb 2019: 3,9 Meta 2019: 4,6 20- Maranhão Ideb 2019: 3,8 Meta 2019: 4,3 21- Sergipe Ideb 2019: 3,7 Meta 2019: 4,9 22- Amazonas Ideb 2019: 3,6 Meta 2019: 4 23- Mato Grosso Ideb 2019: 3,6 Meta 2019: 4,7 24- Rio Grande do Norte Ideb 2019: 3,5 Meta 2019: 4,5 25- Bahia Ideb 2019: 3,5 Meta 2019: 4,5 26- Pará Ideb 2019: 3,4 Meta 2019: 4,4 27- Amapá Ideb 2019: 3,4 Meta 2019: 4,5

Redes estaduais

Analisando apenas as escolas estaduais, responsáveis por mais de 97% das matrículas da rede pública no ensino médio, o resultado de 2019 foi 0,4 ponto maior que de 2017. Apesar do avanço, a meta estipulada para esses colégios não foi cumprida. (Leia mais abaixo)

O Ideb nacional das escolas estaduais brasileiras foi de 3,9 - sendo que o objetivo era atingir 4,6. Nas metas individuais, apenas os colégios das redes de Pernambuco e de Goiás ultrapassaram o índice proposto.

Desigualdade social

Os números evidenciam a desigualdade entre as regiões. Ao fazer o recorte por município, 39,4% das cidades do Norte e 21,1% das do Nordeste têm Ideb muito baixo (menor que 3,1) nas escolas estaduais. No Sudeste, apenas 2% dos municípios apresentam um índice tão preocupante.

Porcentagem de municípios com Ideb 2019 muito baixo (escolas estaduais/ensino médio)

Regiões / % de cidades com Ideb muito baixo (inferior a 3,1) (Leia mais abaixo)

Norte: 39,4 Nordeste: 21,1 Sudeste: 2,0 Sul: 2,9 Centro-Oeste: 11,4

O abismo é grande também na comparação entre escolas públicas e privadas. Na rede particular, responsável por 12,2% das matrículas de ensino médio do país, o Ideb foi de 6. Na rede estadual, um patamar muito mais baixo: 3,9.

Ideb 2019 no ensino médio - escolas públicas x privadas

Redes de ensino / Ideb 2019

Escolas particulares: 6,0 Escolas estaduais: 3,9 (Leia mais abaixo)

Apesar do desempenho muito superior das escolas particulares, elas não atingiram suas metas - nem as nacionais, nem as estaduais.

Ideb 2019 das escolas particulares - ensino médio

Ideb 2019: 6,0 Meta: 6,8

O que é Ideb?

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é um indicador de qualidade do ensino fundamental e do ensino médio. (Leia mais abaixo)

Foi criado em 2005 pelo MEC, que o divulga, desde então, a cada dois anos.

Como o Ideb é calculado?

O Ideb é um índice de 0 a 10, calculado com base em dois fatores:

  • índices de aprovação/reprovação dos alunos e de abandono dos estudos, medidos no Censo Escolar;
  • notas em provas de português e de matemática no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica).

Para ter um bom Ideb, é preciso ter baixas taxas de reprovação e de abandono de estudos, além de resultados satisfatórios no Saeb. Essa avaliação é aplicada sempre no fim de cada etapa escolar: 5º e 9º ano do ensino fundamental, e 3º ano do ensino médio.

O que os alunos de ensino médio sabem de matemática e português? (Leia mais abaixo)

Analisando as médias nacionais do Saeb (um dos componentes do Ideb), conclui-se que o Brasil está nos seguintes patamares de conhecimento:

Matemática: os alunos são capazes de resolver operações básicas, reconhecer proporções, associar uma tabela a um gráfico e fazer progressões aritméticas. Não conseguem, em geral, determinar probabilidade, calcular porcentagem, resolver uma expressão algébrica ou analisar formas geométricas.

Português: os estudantes têm habilidade para reconhecer uma opinião explícita em um artigo ou um tema de uma crônica, interpretar tirinhas e inferir o sentido de uma palavra em uma música. Apresentam dificuldade em identificar argumentos nos textos, reconhecer relações de causa e consequência, compreender ironia ou humor e detectar a informação principal em reportagens.

Como o Ideb é divulgado?

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulga o Ideb de cada escola, município e estado. Além de calcular as médias, o órgão detalha o desempenho das redes municipais, estaduais, públicas e privadas. (Leia mais abaixo)

Os índices são sempre calculados em três etapas da educação básica:

  • anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano);
  • anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano);
  • ensino médio.

Quais são as metas do Ideb e como são calculadas?

O MEC definiu que a meta para o país é atingir nota 6 no Ideb. Segundo a pasta, essa pontuação corresponde ao desempenho médio dos estudantes de países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) no Pisa (sigla em inglês para “Programa Internacional de Avaliação de Estudantes”).

O Pisa é uma prova de matemática, português e ciências, feita por alunos de 15 anos. O Brasil costuma estar entre os piores colocados no ranking mundial dessa avaliação.

O prazo para atingir a meta de nível 6 no Ideb é diferente em cada etapa de ensino: (Leia mais abaixo)

  • anos iniciais do ensino fundamental: 2021
  • anos finais do ensino fundamental: 2025
  • ensino médio: 2028

Para alcançar o Ideb desejado, o Inep traçou metas intermediárias. Em 2017, por exemplo, o objetivo era que a média nacional para alunos do 1º ao 5º ano fosse de 5,5. A nota exigida vai subindo a cada dois anos, até chegar a 6 em 2021.

Conforme já explicado nesta reportagem, as escolas, municípios e estados têm também suas metas individuais, calculadas a partir de cada realidade socioeconômica. Elas foram estabelecidas de modo que a média nacional atinja o patamar 6 nos prazos listados acima.

Veja quais as metas intermediárias para o Brasil no Ideb 2019, divulgado nesta terça (15):

  • 1º ao 5º ano do ensino fundamental: 5,7
  • 6º ao 9º ano do ensino fundamental: 5,2
  • Ensino médio: 5,0

Anos iniciais do ensino fundamental

A primeira etapa avaliada pelo Ideb vai do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. (Leia mais abaixo)

Considerando a média nacional, que inclui escolas públicas e privadas, o Brasil atingiu todas as metas intermediárias desde o início da série histórica.

Em 2019, o objetivo era alcançar, no mínimo, o patamar 5,7. O país registrou média de 5,9. Entre as escolas públicas, a meta também foi atingida. Entretanto, na rede particular, o desempenho ficou abaixo do esperado:

Ideb 2019 - escolas nos anos iniciais do ensino fundamental

Rede de ensino:

Pública Ideb 2019: 5,7 Meta: 5,5 Privada Ideb 2019: 7,1 Meta: 7,4 Todas as redes Ideb 2019: 5,9 Meta: 5,7 (Leia mais abaixo)

Estados que não alcançaram suas metas individuais (redes pública e privada): Amapá, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

Anos finais do ensino fundamental

Desde 2013, a média nacional não atinge a meta no Ideb para os anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano). Em 2019, o objetivo era alcançar 5,2 - mas a "nota" foi de 4,9.

Ideb 2019 - escolas nos anos finais do ensino fundamental

Redes de ensino: (Leia mais abaixo)

Pública Ideb 2019: 4,6 Meta: 5,0 Privada Ideb 2019: 6,4 Meta: 7,1 Todas as redes Ideb 2019: 4,9 Meta: 5,2

Nas metas individuais, apenas sete estados conseguiram atingir a meta: Amazonas, Piauí, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Paraná e Goiás.

Fonte: G1



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