IBGE aponta aumento de vagas e de profissionais na terceira idade

Instituto revela crescimento de 522 mil trabalhadores acima dos 60 anos no mercado de trabalho no primeiro trimestre


  • 1º/07/2018 10h29 Foto: Divulgação.
Mesmo após a aposentadoria, o garçom Manoel José de Souza e a manicure Maria Aparecida da Silva decidiram continuar trabalhando. Além do salário, que acrescenta na renda e permite ajuda aos netos e filhos, eles se sentem com plena capacidade para atuar. E com experiência de sobra. Manoel e Maria fazem parte de uma parcela que não para de crescer no mercado de trabalho: a de profissionais acima dos 60 anos. Segundo o IBGE, houve aumento de 522 mil trabalhadores ocupados nessa faixa etária no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2017. Em números absolutos, são 7 milhões de brasileiros no total. Quando comparado com outras faixas etárias, esse grupo é o que mais cresce, com aumento de 8%. Trabalhadores entre 25 e 39 anos, por exemplo, tiveram um acréscimo de apenas 0,9%. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) traçou o perfil dos profissionais da terceira idade em um estudo divulgado na última semana. Em sua maioria, eles estão na Região Sudeste (46%), são mulheres (56%) e se declaram chefes de família (63%). Segundo Maria Andréia Lameiras, técnica de planejamento e pesquisa do Ipea, o aumento está relacionado à permanência por mais tempo na ativa. "As pessoas estão cada vez mais retardando o momento em que decidem ir para a inatividade", esclarece a pesquisadora. Para ela, a Reforma da Previdência, que aumentou a idade mínima para a aposentadoria, a necessidade de ajudar parentes financeiramente e o envelhecimento da população são os principais fatores. "Se há mais idosos no país, vai haver mais idosos no mercado. E essa tendência só tende a aumentar", explica a pesquisadora, que ainda aponta aspectos mais subjetivos, como a vontade de sentir-se útil. É o que pesa para Manoel, que trabalha no restaurante Dom Cavalcanti. "Já tentei parar, mas não consigo. Em casa, eu fico nervoso, impaciente e agoniado", diz o garçom, que precisa do salário para ajudar os netos: "Eles ficaram órfãos cedo e prometi ajudá-los". (O Dia)



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