08/11/2015 às 07h30 - Foto: Campos 24 Horas
Postado por: Fabiano Venancio
Há quatro meses foi lançado a um presidente de uma colônia de pescadores, uma das maiores da região, diga-se de passagem, o desafio de se tornar gestor de uma Superintendência de Pesca e Aquicultura, órgão ligado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. Como bom pescador que sempre foi, acostumado a desbravar mares, não fugiu à luta, principalmente, porque sua categoria toda vida quis que estivesse à frente desse órgão, alguém de fosse conhecedor dos problemas enfrentados por ela e que, principalmente, facilitasse para que a pesca, meio de sobrevivência para centenas e centenas, se tornasse ainda mais compensadora.
Estou falando do ex-presidente da Colônia de Pescadores Z-19, Rodolfo José Ribeiro da Silva, que depois de 10 anos à frente dela, saiu para se dedicar à Superintendência de Pesca e Aquicultura, entendendo que neste órgão poderá dar voz a todos os pescadores do município, que não são poucos. Hoje Campos conta com cerca de 1.500 pescadores registrados no Ministério da Pesca e mais de 600 que ainda não o são. E os pescadores ainda podem ser divididos em quatro categorias: Amador (aquele que pesca por hobby, de vez em quando), Esportivo (que tem a pesca como um esporte), Profissional Industrial (que trabalha com embarcação de mais de 20-AB) e o Profissional Artesanal (com embarcação inferior a 20-AB).
Confira a entrevista:
Campos 24 Horas – A pesca em água salgada aqui é em Farol. E em água doce?
Rodolfo José Ribeiro da Silva – São muitos lugares. Podemos citar o Lagamar, Canal do Andreza, Canal das Flechas, Lagoa Feia, Lagoa de Cima, Alagados de Boa Vista, Lagoa das Cruzes, Ponta Grossa dos Fidalgos, Lagoa de Campelo, entre outros. E tem ainda pescaria no trecho urbano aqui do rio Paraíba do Sul, no bairro Caju e no Parque Prazeres. Para você ter uma ideia, são duas associações de pescadores aqui, a Associação do Paraíba do Sul e a Associação do Parque Prazeres.
C24H – O número de pescadores no município é grande, mas porque centenas ainda não são devidamente legalizados no Ministério da Pesca?
Rodolfo – Por dificuldades colocadas pelo próprio Ministério da Pesca, questões burocráticas. Falta estrutura na Superintendência Federal da Pesca para isso. A maioria até tem o cadastro, mais ainda não tem o registro profissional, o que faz com que ele perca alguns direitos trabalhistas. Dentro deste contexto nós estamos encerrando um cadastro que fizemos com os pescadores do município, dos registrados e dos não registrados no MP, para criar um banco de informações, tipo onde eles estão, como se comportam nas áreas que exploram, entre outros.
C24H – No início da entrevista você falou sobre uma parceria com a Uenf. Qual a finalidade dessa parceria?
Rodolfo – Essa parceria com a universidade foi firmada e começou a ser colocada em prática na 8ª Feira do Peixe, realizada mês passado com grande sucesso. A partir dai vamos ter embasamento e ver como será daqui para frente, qual o público que frequentou a feira, de onde ele é, o que ele quer de fato e assim podermos trabalhar melhor. Ainda não temos o resultado fechado do levantamento da Uenf, mas já sabemos extra oficialmente, que há necessidade de feiras itinerantes nos bairros. Mas, independente disso, poderemos fazer mais três feiras do porte desta que passou, no ano. O ponto alto é que os pescadores envolvidos gostaram muito.
C24H – Mas o movimento da Feira de Peixes não se confrontou com o movimento do Mercado Municipal, que já tem uma feira fixa?
Rodolfo – Não e comprovei pessoalmente isso. Nos dias da Feira do Peixe eu fui à feira do Mercado para ver o movimento, e vi que não foi afetado. Pelo contrário, porque quando acabava o peixe na Feira de lá, as pessoas iam para o Mercado Municipal para comprar, porque saíram de casa com essa finalidade. E por volta das 10h, já não tinha mais peixe da Feira, embora ela ficasse aberta até às 14h, com venda de camarão, linguiça, coxinha, torta, entre outros, tudo a base de peixe. Somente no período da feira foram vendidas mais de 10 toneladas de peixe.
C24H – Vamos falar da crise hídrica. A Lagoa do Campelo secou mesmo?
Rodolfo –
A crise hídrica está afetando todo o sistema. Quanto à Lagoa do Campelo, ela já desapareceu, primeira vez na história que se vê isso. Estamos acompanhando de perto, junto com a Uenf, o Comitê do Baixo Paraíba e a Câmara Técnica de Recursos Hídricos e Estrutura Hidráulica, fazendo estudo para mensurar efeitos e consequências e, a partir daí, tentar junto aos Governos Federal e Estadual, ações para minimizar os impactos sociais e econômicos. Somente ali na Lagoa são cerca de 70 pescadores.
C24H – Você citou um projeto para os pescadores do Farol, que vai representar uma grande economia para eles. Do que se trata?
Rodolfo – Esse projeto é do atual Secretário Municipal de Governo, Anthony Garotinho, de subvenção econômica do óleo diesel, que vai pagar R$ 0,50 por litro de óleo consumido por cada embarcação e mais R$ 1 por barra de gelo usada aos pescadores de Farol. Esse programa está em andamento e já foi aprovado pela Câmara. A Superintendência, junto com a Procuradoria Geral do Município está estabelecendo os critérios.
C24H – Mas porque o benefício só para pescador do Farol?
Rodolfo –
Porque o custo operacional do pescador do Farol é diferenciado, lá tem mais a puxada da embarcação, que outros lugares não têm. O pescador que gasta hoje, por exemplo, 80 litros/dia, vai ter uma economia de R$ 40.00/dia só no diesel e mais R$ 4 no gelo, totalizando R$ 44.00/dia, que ele vai receber no final do mês, após computar os dias trabalhados. Ainda se está estudando como será repassado esse benefício, se em dinheiro ou se em autorização para abastecimento. E, no caso do gelo, se em dinheiro ou retirando o produto na fábrica.