Holanda e Costa Rica se enfrentam nas quartas
domingo, 29 de junho de 2014 - Foto: Reuters
Holanda perdia para o México até os 42 do segundo tempo, mas ganhou com Sneijder e pênalti no fim. Já Costa Rica venceu nos pênaltis
Foi com muito sufoco e um susto enorme, mas a Holanda está nas quartas de final da Copa do Mundo. Grande sensação da primeira fase, a seleção laranja perdia o jogo até os 42 minutos do segundo tempo, mas buscou a virada que parecia impossível, bateu o México por 2 a 1 e segue viva na competição. Giovani dos Santos colocou os mexicanos em vantagem, mas Sneijder e Huntelaar, de pênalti, garantiram a reviravolta em seis minutos.
Debaixo do forte calor cearense, que ficou perto da casa dos 30º C e dos 70% de umidade do ar desde o início da partida, a Holanda mostrou logo de cara que vinha com uma proposta de manter a posse de bola com troca de passes e nunca com correria. Do outro lado, porém, o México logo mostrou que estava disposto a agredir bastante a defesa rival. Sempre pelo lado esquerdo, os mexicanos criaram chances para dois chutes e um cruzamento muito perigoso de Layun.
A primeira grande chance veio aos 16 minutos. Após cruzamento para área, Giovani dos Santos ajeitou de cabeça para Peralta, que não achou o espaço para o chute e ajeitou de novo, desta vez para Herrera. O meio-campista chegou batendo para o gol, mas não pegou muito bem e a bola acabou saindo à direita, tirando tinta da trave de Cillessen.
Aos 23, foi a vez de Salcido levar perigo à Holanda, com uma ajudinha de Cillessen. O volante mexicano arriscou de longe, e o goleiro holandês foi mal para a bola, tentou agarrar, mas acabou mandando para escanteio.
Com o freio de mão puxado, a Holanda só conseguia criar quando os rivais vacilavam. A primeira chance veio aos 26. Após chutão de De Vrij, a defesa mexicana ficou olhando a bola, e Van Persie conseguiu invadir a área. O atacante, porém, errou a finalização e mandou para longe do gol de Ochoa.
O México respondeu em um dos poucos contra-ataques que teve. Aos 38, Guardado puxou pela direita, se atrapalhou com o domínio e acabou dando um passe sem querer para Giovani dos Santos, que invadiu a área e, quase sem ângulo, arriscou o chute. Cillessen apareceu para mandar para longe com as pernas.
O veneno do oportunismo holandês quase apareceu mais uma vez no fim do primeiro tempo e só não se transformou em gol por causa de uma ajuda do árbitro. Maza Rodriguez vacilou no passe, Rafa Marquez não achou a bola na defesa, e Robben disparou para a área. O holandês teve a perna tocada pelo próprio Márquez e depois ainda foi derrubado em um carrinho de Moreno, mas o juiz não marcou nada.
O México aproveitou como ninguém o vacilo do juiz. Logo aos 2 minutos do segundo tempo, a zaga holandesa afastou mal o perigo, Giovani dos Santos dominou a bola no peito e criou o espaço para finalizar da entrada da área, em chances para o goleiro Cillessen.
A desvantagem fez a Holanda partir com tudo para cima. Imediatamente, Van Gaal mandou Depay a campo e transformou o cauteloso 5-3-2 em um 4-3-3 muito ofensivo. O problema é que do outro lado do campo havia um goleiro milagreiro. Aos 13 minutos, Robben cobrou escanteio pela direira e De Vrij subiu sozinho de dentro da pequena área para cabecear. A bola tinha endereço certo, mas Ochoa apareceu no puro reflexo para desviar com as mãos e com a cabeça. A bola a bola ainda pegou na trave, mas não entrou.
Quando não defendeu, Ochoa contou com a sorte para salvar o México com os olhos. Aos 15, Sbeijder recebeu a bola na entrada da área após boa jogada de Sneijder e arriscou o chute. Maza Rodriguez apareceu de carrinho para fazer o desvio e a bola saiu caprichosamente, muito perto do travessão de Ochoa.
Completamente atirada para o ataque, a Holanda não parava de criar, mas tinha problemas para passar pelo paredão mexicano. Aos 28, Robben invadiu a área pela direita e teve espaço para finalizar, mas Ocho fechou o ângulo com perfeição e mandou para escanteio. Aos 40, foi a vez de Huntelaar ser parado. Após cruzamento da direita, o centroavante apareceu sozinho dentro da área. Ochoa mais uma vez saiu do gol com perfeição e mandou para escanteio.
Mas de tanto criar, a Holanda finalmente achou o seu gol de empate. Após cobrança de escanteio pela direita, Huntelaar ajeitou de cabeça, e Sneijder apareceu da entrada da área, livre, para encher o pé e estufar as redes de Ochoa.
Era apenas o começo do filme de terror vivido pelo torcedor mexicano. Depois de ter a vaga tão perto, El Tri mais uma vez provaria da maldição que o persegue. Aos 47, Robben invadiu a área pela direita, tentou o drible e acabou derrubado por Rafa Marquez. Desta vez, o juiz marcou o pênalti. E a Holanda não vacilou. Huntelaar bateu rasteiro, no canto, sem chances para Ochoa, que pulou para o outro lado.
Nos pênaltis, Costa Rica está entre os 8 melhores
Qual a culpa Costa Rica e Grécia têm se Itália, Inglaterra e Costa do Marfim foram incapazes de eliminá-los? Nenhuma, além do melhor futebol jogado por suas equipes. Foi assim que surgiu o mais alternativo jogo das oitavas de final da Copa o Mundo 2014, e foi com o espírito com que conseguiram suas vagas que as duas seleções entraram em campo na Arena Pernambuco neste domingo. Melhor para a Costa Rica, que ousou mais, tentou mais o ataque e foi recompensada com a vaga inédita nas quartas de final da Copa: 5 a 3 nos pênaltis sobre os gregos, após 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação. Vitória apenas nos pênaltis, sim, mas para quem mostrou o futebol mais curioso da Copa até aqui, qual o problema? Ninguém esperava nada deles no "Grupo da Morte", e agora já alcançam sua melhor participação em Copas. Será que algo é impossível para os "Ticos"?
Eles tentarão descobrir contra a Holanda, atual vice-campeã do mundo, no próximo sábado, em Salvador. Itália e Inglaterra, campeãs do mundo, já sofreram com o time da América Central - será que um time três vezes vice também sofrerá? Até lá, segue o conto de fadas costarriquenho. Para a Grécia, fica a lição de que, às vezes, é preciso sair para o ataque. Quando conseguirem, talvez repitam a bela história construída pela Costa Rica, que está ente as oito melhores seleções do mundo no momento.
Fases do jogo: Nem Costa Rica, que conseguiu superar o antes chamado "Grupo da Morte", nem a Grécia, que conseguiu sua vaga do jeito mais emocionante entre todas as 16 seleções que avançaram, iriam se expôr no jogo mais importante da história de ambas as seleções. Por isso, o primeiro tempo de jogo foi enfadonho, com poucas chances de perigo - a melhor veio com a Grécia, em cabeçada de Salpingidis que terminou em impressionante defesa de Navas, com a perna esquerda.
Só que tudo mudou logo aos seis minutos da segunda etapa, quando a Costa Rica trocou passes, mostrando a mesma categoria da primeira fase, até achar o capitão Bryan Ruiz, o autor do gol no triunfo sobre a Itália, livre na meia-lua. De perna esquerda, ele colocou a bola de mansinho no canto esquerdo de Karnezis, goleiro grego, que nem se mexeu. A Grécia teve que sair para o jogo, como ocorreu contra a Costa do Marfim. De novo, poucos acreditavam. De novo, deu certo. No último lance, Salpingidis girou e bateu forte, Navas pegou, mas Papastathopoulos fez no rebote.
Nos pênaltis, após 0 a 0 na prorrogação, a Costa Rica contou com Navas, o melhor da partida. Pegou o pênalti de Gekas com uma só mão. História feita para o pequeno país de América Central que não possui exército, mas que mostrou muito poderio na Copa até aqui – e capacidade de superação.
O melhor: Navas - Nas estatísticas, ele foi o melhor goleiro do último Campeonato Espanhol jogando pelo Levante. Por isso, virou o principal exemplo para os costarriquenhos de que eles poderiam surpreender na Copa. Sim, Bryan Ruiz, Campbell e Bolaños, na frente, são quem dão o toque de habilidade do time. Mas é Navas quem garante os resultados lá atrás com suas defesas. Neste domingo, foi sua segurança que permitiu à Costa Rica recuar após abrir 1 a 0 - sabiam que, em seu gol, estava um dos melhores goleiros do Mundial. Sim, a Grécia empatou no tempo normal, mas só em rebote de mais uma grande defesa dele. Na prorrogação, duas defesas espetaculares, inclusive uma aos 16 minutos do segundo tempo. Nos pênaltis, uma defesa: a da vaga.
O pior: Samaris - O meia grego foi a aposta do técnico Fernando Santos após marcar um dos gols da vaga contra a Costa do Marfim. Mas ele nada produziu no meio grego, que dependia de alguma lucidez para conseguir no mínimo o empate. Não só levou cartão amarelo pelo nervosismo como foi substituído por Mitroglou, com o objetivo de conseguir mais efetividade no ataque.
Chave do jogo: A raça grega - Eles parecem gostar de jogar só de um jeito: com sofrimento. Tem que ser no último segundo, tem que ser quando ninguém mais acredita neles. Quando todos pensam que eles estão mortos. Não à toa, são chamados de "Navio Pirata": os que roubam dos navios grandes. Mais uma vez, a Grécia se salvou no último minuto. Não deu nos pênaltis, mas foi essa raça que deu emoção ao jogo que muitos acreditavam que seria um dos piores da Copa. A Costa Rica avança, mas a Grécia também faz parte dessa história.
Aos nove minutos do 2° tempo, Torosidis desviou bola com a mão dentro da área, em cruzamento que chegaria para Bryan Ruiz finalizar. O pênalti não foi visto pelo árbitro.
O gol de Bryan Ruiz foi o 19° gol de um capitão na Copa, melhor marca na história.
A Costa Rica supera sua melhor campanha em Copas. Em 1990, chegou às oitavas, mas caiu por 4 a 1 para a Tchecoslováquia. A Grécia, mesmo com a eliminação, também alcançou seu melhor resultado em Mundiais.
COSTA RICA 1 (5) X (3) 1 GRÉCIA
Data: 29 de junho de 2014
Horário: 17h00 (de Brasília)
Local: Arena Pernambuco, em Recife (PE)
Árbitro: Benjamin Williams (AUS)
Assistentes: Matthew Cream (AUS) e Hakan Anaz (AUS)
Cartões amarelos: Samaris, aos 35 min. do 1°, Manolas, aos 26 min. do 2°t (GRE); Duarte, aos 42 min. do 1°t, Tejeda, aos 3 min., Granados - no banco -, aos 10 min., Ruiz, aos 25 min., Navas, aos 44 min. do 2°t (CRC)
Cartão vermelho: Duarte, aos 21 min. do 2°t (CRC)
Gols: Bryan Ruiz, aos 6 min. do 2°t (CRC); Papastathopoulos, aos 45 min. do 2°t (GRE)
COSTA RICA: Navas; Gamboa (Acosta, aos 31 min. do 2°t), Gonzalez, Umaña, Duarte e Diaz; Bolaños (Brenes, aos 39 min. do 2°t), Borges, Tejeda (Cubero, aos 20 min. do 2°t) e Bryan Ruiz; Joel Campbell
Técnico: Jorge Luís Pinto
GRÉCIA: Karnezis; Holebas, Papastathopoulos, Manolas e Torosidis; Maniatis (Katsouranis, aos 32 min. do 2°t), Karagounis, Samaris (Mitroglou, aos 12 min. do 2°t) e Christodoulopoulos; Salpingidis (Gekas, aos 24 min. do 2°t) e Samaras
Técnico: Fernando Santos