A letalidade do coronavírus no Brasil está em torno de 5%. Mas Fernando Bacal, diretor científico da Sociedade Brasileira de Cardiologia, destaca que o novo coronavírus mata não apenas por pneumonia, como muitos pensam. A doença covid-19 pode levar a enfarte, miocardite, trombose e a acidente vascular cerebral. Além disso, não está claro qual será o futuro quadro de sequelas, em relação a quem sobreviver. Por isso, valem medidas de isolamento social e uso de máscaras.
Os primeiros estudos mostram que pessoas com problemas cardíacos e circulatórios têm sido vítimas graves da infecção pulmonar pelo SARS-Cov2. Há registro da qualidade de vida daqueles que conseguem sobreviver ao ciclo da doença? (Leia mais abaixo)
Os dados iniciais foram decorrentes dos estudos publicados pela China, em grandes revistas, como a The New England Journal of Medicine, com uma casuística de um mês atrás. Com mais ou menos 1,1 mil pacientes, mostrando que os pacientes que tinham comorbidades, como hipertensão, diabete, doença coronariana, doença ateroesclerótica, tinham mais chances de ter complicações com a covid-19, com eventos desfavoráveis.
Esses dados precisam ser mais bem refinados porque a gente não tem os detalhes claros. Mas chama a nossa atenção que até hipertensão entrou nesse rol. E hipertensão grande parte da população tem. Falta ver se é hipertensão severa, ou não controlada. Esses dados ainda faltam.
Sobre os pacientes convalescentes, ainda não temos os dados. E a gente vê que existem complicações cardiovasculares decorrentes da infecção pela covid-19: os pacientes podem ter miocardite, pericardite e arritmias, além de eventos trombóticos, incluindo enfarte e acidente vascular cerebral. Os dados ainda não estão claros. Mas principalmente o pulmão, disparadamente, é o problema maior, porque esse vírus tem uma ação grande no pulmão. Então, o que causa todo esse quadro geral são as internações por pneumonia e insuficiência respiratória. Os pacientes precisam ser assistidos com ventilação mecânica. Mas há uma quantidade pequena, 5% ou 10%, desses pacientes que pode precisar da ventilação.