Henry Cavill, Mila Kunis e Kate Bosworth. O que todos esses famosos têm em comum? A heterocromia, condição em que a íris (parte colorida do olho) tem mais de uma cor, resultando em olhos multicoloridos e distintos um do outro.
O que determina a cor dos olhos? A cor dos olhos, assim como da pele, do cabelo e demais pelos pelo corpo é definida pela melanina. Quanto mais melanina, mais escuros os olhos, que acabam mais próximos de tons castanhos por absorverem mais luz. Em contrapartida, quanto menos melanina, mais os olhos se aproximam da tonalidade azul, uma vez que refletem mais luz. (Leia mais abaixo)
O papel da genética A heterocromia atinge apenas 0,1% da população, o que faz dela uma condição rara. Ao contrário do que se pensa, ter pais ou avós com olhos claros não é determinante para carregar a característica. Isso porque a cor dos olhos se trata de uma herança poligênica, na qual vários genes atuam na definição de uma característica. No caso dos olhos, temos três principais: EYCL1, EYCL2 (o menos estudado) e EYCL3 (de mais influência). Sabe-se que a heterocromia genética, por exemplo, está relacionada a uma alteração no EYCL3.
Existem três subtipos heterocromia:
O que determina se uma pessoa terá heterocromia? De acordo com o médico oftalmologista Marcelo Brito, um bebê pode nascer com a condição ou desenvolvê-la logo após o nascimento. Nesses casos, é chamada de heterocromia congênita. Mas também é possível desenvolver o traço depois de adulto.
“É a chamada heterocromia adquirida. Nessas condições, é mais comum estar associado a problemas mais sérios, como inflamação da íris (iridociclite), síndrome da dispersão pigmentar, melanoma e outros tumores”, explica.
A heterocromia pode causar problemas de visão? Na maioria das vezes, se trata apenas de uma peculiaridade causada por genes transmitidos de seus pais ou por algo que aconteceu quando os olhos estavam se formando. (Leia mais abaixo)
É comum, também, o relato de uma maior sensibilidade à luz por aqueles que possuem olhos mais claros ou a pupila mais dilatada, o que é natural, não sendo exclusivo daqueles com heterocromia.
Mas, em casos raros, pode ser um sintoma de alguma outra condição médica, como tumores e a síndrome de Waardenburg, como ressalta o doutor Marcelo Brito.
“A heterocromia é um dos sinais observados nessa doença genética, normalmente desde o nascimento. A síndrome de Waardenburg é um distúrbio notável por áreas irregulares de despigmentação do cabelo e da pele (provocando um aspecto “malhado”), heterocromia da íris e raiz nasal larga. A síndrome também está relacionada à surdez congênita, que ocorre em cerca de 20% dos pacientes. Por isso, é importante investigar”, pontua.
Precisa de tratamento? Por se tratar de uma característica quase que totalmente estética, sem danos para a saúde, não há tratamento para a heterocromia. Mas, caso haja incômodo ou prejuízo psicológico causados pela condição, é possível contorná-la com o uso de lentes de contato coloridas. Se for o seu caso, lembre-se de procurar um profissional para entender qual é a mais recomendada para você.
Fonte: Drauzio Varella (Leia mais abaixo)