Após entrar em vigor um cessar-fogo às 7h (2h em Brasília) desta sexta-feira, um grupo inicial de 13 reféns israelenses foi libertado em troca de 39 presos palestinos como parte do acordo mediado pelos Estados Unidos, Catar e Egito no começo desta semana. Segundo a imprensa internacional, o grupo foi entregue primeiramente à Cruz Vermelha, mas já teria cruzado a fronteira do Egito, de onde será transferido mais tarde para Israel, após 49 dias de cativeiro.
"Há meia hora, os prisioneiros foram entregues à Cruz Vermelha, que os levará aos egípcios e aos israelenses que devem recebê-los", disse à AFP uma fonte próxima ao Hamas , por volta das 16h50 (11h50 em Brasília). Além dos 13 israelenses, nos quais estariam menores, mulheres e cidadãos com dupla nacionalidade, 10 cidadãos tailandeses e um filipino sequestrados pelo Hamas foram libertados de forma adicional. A confirmação sobre as nacionalidades foi feita pelo governo do Catar. (Leia mais abaixo)
O primeiro grupo israelense é apenas parte dos 50 reféns que devem ser devolvidos a Israel nos próximos dias a partir da passagem egípcia de Rafah, com previsão de que cheguem ao território israelense às 18h (13h em Brasília). Em troca, o Estado judeu vai liberar 150 presos palestinos, que devem, em sua maioria, ir à Cisjordânia, e não Gaza.
Em nota, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), informou que iniciou nesta sexta-feira uma "operação de vários dias para facilitar a libertação e a transferência de reféns mantidos em Gaza e de detidos palestinos para a Cisjordânia", acrescentando que "a operação incluirá a entrega de assistência humanitária adicional e muito necessária para Gaza".
"Em seu papel de intermediário neutro, o CICV, ao longo de vários dias, transferirá os reféns mantidos em Gaza para as autoridades israelenses e, em última instância, para suas famílias, e transferirá os detidos palestinos para as autoridades da Cisjordânia, para que se reúnam com suas famílias", diz a nota. "O CICV também levará suprimentos médicos adicionais para serem entregues aos hospitais de Gaza, reforçando as entregas de ajuda que o CICV já realizou."
Guerra longe do fim Antes da troca, as Forças Armadas de Israel enfatizaram nesta sexta-feira que a paralisação nos combates é um cessar-fogo, e não o fim da guerra contra o grupo fundamentalista islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza e, em 7 de outubro, lançou o pior ataque em solo israelense desde a formação do Estado judeu, em 1948. Além das cerca de 240 pessoas feitas reféns, o grupo terrorista deixou 1,2 mil mortos, em sua maioria civis, em Israel.
Na quinta-feira, o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, afirmou que, assim que a "curta" trégua temporária terminar após permitir a troca de 50 reféns mantidos pelo Hamas por 150 presos palestinos, a campanha militar será retomada "com intensidade" por ao menos mais dois meses. (Leia mais abaixo)
"O que veremos nos próximos dias é a primeira libertação de reféns. Essa pausa será curta", disse Gallant aos soldados da unidade de comando Shayetet 13 da Marinha. "O que pedimos de vocês nessa pausa é que se organizem, fiquem de prontidão, se rearmem e se preparem para continuar."
O Hamas também fez uma ressalva similar, afirmando que “nossas mãos continuam no gatilho".
Os soldados israelenses estão instruídos a, durante o cessar-fogo, responder de forma agressiva a qualquer ameaça às tropas.
Fonte: Extra