Haiti é o país da América Latina com menos vacinados contra a Covid-19

Idoso de área indígena da Colômbia é vacinado contra a Covid-19


  • 05/12/2021, 14h36, Foto: Divulgação .

Embora a América Latina tenha mais da metade da população imunizada contra a Covid, a distribuição de vacinados é desigual. Em 12 países, 50% ou mais dos habitantes já completaram o esquema vacinal, de acordo com dados da plataforma Our World in Data, ligada à Universidade de Oxford. Mas pelo menos oito países estão abaixo ou bem abaixo disso.

A culpa não é dos antivacina, como nos Estados Unidos ou na Europa. Aqui, o ranking de imunização acompanha o do poderio econômico e expõe a falta de imunizantes e de solidariedade. (Leia mais abaixo)

A dianteira é do Chile, com 84% da população vacinada, seguido de Cuba (82%), Uruguai (76%), Argentina (66%), Equador (64%) e Brasil (63%). Na outra ponta, estão Honduras (39%), Bolívia (35%), Venezuela (34%) e Guatemala (23%).

— São países sem espaço fiscal para comprar o básico, imagine conseguir pagar US$ 15 ou US$ 20 por dose. Sem poder negociar diretamente com as empresas fornecedoras de vacinas, eles ficaram dependentes de iniciativas da Organização Mundial da Saúde ou da Organização Pan-Americana da Saúde, que têm recebido quantidade exíguas de doses — explica Paulo Buss, coordenador do Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris/Fiocruz).

Tem pesado também, diz, o descompromisso político entre governos do continente:

— O principal problema é a falta de cooperação internacional na América Latina — diz. — As Vigilâncias Sanitárias e Epidemiológicas dos países não se articularam, a vigilância de fronteiras não funcionou, assim como doações de ventiladores, máscaras e a ajuda para vacinas.

O exemplo mais gritante é o Haiti. Com cerca de 11,4 milhões de habitantes — número próximo ao da cidade de São Paulo — vacinou só 0,58% da população com duas doses. (Leia mais abaixo)

Os “bolsões” de baixa vacinação no continente criam um ambiente vulnerável ao surgimento de novas variantes que ameaça toda a região e o mundo, a exemplo da Ômicron na África.

No Brasil, historicamente tido como protagonista na região, o avanço da vacinação e a autonomia da produção do Instituto Butantan e da Fiocruz permitiriam ao país, em tese, fazer doações aos vizinhos. O Ministério da Saúde e o Butantan sinalizaram abertura ao tema.

— Enquanto houver nesses locais o surgimento de novas variantes, o risco permanece — diz o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Juarez Cunha. — Precisamos fazer o dever de casa, mas também nos solidarizar com os latino-americanos.

*Fonte: Agência Brasil 



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