Do outro lado da cidade de Campos há uma outra cidade. Um caldeirão que fervilha em diversidade, entusiasmo e, ao longo dos tempos, recebe investimentos em diversos segmentos, do comercial até o imobiliário, abrindo novas frentes e oportunidades de trabalho e renda para seus moradores. Apesar das incertezas, por conta do novo coronavírus, o cenário é animador. A maior construtora do país, a MRV, segue com um de seus projetos no subdistrito, uma unidade de grande rede atacadista nacional se consolida, unidades do maior grupo de varejo de Campos, que investiu ainda na construção de um dos maiores shoppings da cidade, o Guarus Plaza Shopping, segue em expansão. A prefeitura já investiu, lá atrás, quando ampliou vias e redes de saneamento, permitindo o avanço imobiliário, mas, dando seus primeiros traços de saturação, do que foi feito até aqui, o desenvolvimento contínuo e sustentável, vai depender de mais investimentos e infraestrutura. Indagada, a Prefeitura de Campos ainda não respondeu sobre os investimentos previstos o subdistrito.
O economista Ranulfo Vidigal enfatiza que as primeiras mudanças que ocorreram em Guarus têm ligação direta com o olhar político voltado ao local e aos investimentos consequentes disso. (Leia mais abaixo)
“A mudança de Guarus veio a partir dos anos de 1990, do século anterior, quando os bairros populares da cidade entraram no orçamento público. Até os anos de 1980 era só uma promessa e passou a ter maior nível de investimentos. De lá para cá houve a incrementação de renda e Guarus passou a ter mais massa consumidora, que buscava alternativas”, diz o economista.
Antes de receber o Guarus Plaza Shopping, o subdistrito já sediava um dos empreendimentos da MRV, assim como outros empreendimentos imobiliários. Já possuía comércio diversificado, com rede completa de serviços básicos, aeroporto e o distrito industrial. Já contava também com uma sede da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro), um campus do Instituto Federal Fluminense (IFF), além da principal unidade do Exército, da Usina Termelétrica Roberto Silveira (Furnas), do Sesi e do Americano, seu estádio e moderno centro de treinamentos. No entanto, o que se observa é que, mesmo com os investimentos dos últimos anos e de ser a região de Campos que mais os recebeu, a região está longe do desenvolvimento equivalente ao seu potencial.
“Se pensarmos em como esse crescimento pode ganhar mais vigor, eu diria que se deve abrir mais diálogo com seu distrito industrial, com um olhar diferenciado das esferas estadual, federal e também local. O distrito industrial é um ponto positivo, mas observamos que faltam indústrias e elas são importantes, primeiro, porque geram salário bom e porque é o núcleo que gera crescimento genuíno. Se Guarus ficar somente na oferta de serviços vai ser sempre insuficiente. Outra vantagem é o aeroporto e o Instituto Federal Fluminense (IFF), que é um formador de mão-de-obra. Por último, tem que haver a continuidade de oferta de infraestrutura urbana como iluminação, saúde, oferta de creche, etc., para aumentar e dar mais autonomia ao local”, pontua Ranulfo.
O setor de comércio e serviços está entre as atividades comerciais mais marcantes de Guarus, com destaque para o segmento entre outros, ao longo da Avenida Carlos Alberto Chebabe (Campos-Vitória) e ruas secundárias.
O perfil das atividades econômicas de Guarus difere de outras regiões de Campos. Enquanto a Baixada Campista tem traços marcados pela indústria de cerâmica e pela agricultura, em Guarus, além dos serviços, há indústrias de produtos químicos e limpeza, além de fábrica de carrocerias, de café e frigorífico e na área da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin) há ainda outras industriais. (Leia mais abaixo)
Para atendê-las melhor, o governo do estado acaba de instalar o primeiro escritório regional da Codin, no Centro de Campos, a fim de facilitar o exercício das competências da companhia na região, assim como atrair novos empreendimentos. No entanto, em entrevista concedida também ao Guarus 24 horas (AQUI), Lucas Vieira, presidente da pontuou exatamente a falta de investimentos. Segundo ele, há problemas estruturais de ordem municipal como falta de iluminação pública e falta de manutenção na estrada de acesso e também o valor do metro quadrado que, acima do valor de mercado, que torna o investimento menos atrativo.
A Codin foi questionada sobre o assunto e não respondeu até a publicação dessa matéria. Já a prefeitura de Campos informou que a Secretaria de Obras e Infraestrutura informa que vai enviar uma equipe para verificar a situação e definir o que é necessário para atender à solicitação.
O subsecretário de Desenvolvimento, Felipe Knust falou do alto potencial de crescimento para Guarus e sobre a expectativa para os próximos anos.
“Guarus, na minha opinião, é o maior PIB de Campos. Temos grandes redes atacadista, a Codin também tem muitas empresas rodando. A Vital Engenharia, por exemplo, é uma empresa que tem um grande contrato com a Prefeitura e fica na área da Codin”, enumera o subsecretário, lembrando ainda que, pelo atual plano diretor, as empresas de grande porte só podem se estabelecer em Guarus.