20/10/2015 às 8h - Foto: Campos 24 Horas

A forte greve nacional dos bancários, que entra hoje (20) no seu 15º dia, conseguiu interromper o silêncio dos bancos. Na segunda-feira, o número de agências paradas subiu para 479. Na sexta (16) eram 474 unidades fechadas. Já são oito prédios administrativos que também não funcionaram: dois do Banco do Brasil, dois do Santander, um da Caixa Econômica Federal, mais o Itaú Cancela e dois do Bradesco (Pio X e Senador Dantas). A adesão na cidade já chega a um total de 12.510 trabalhadores.
Após insistir em uma postura arrogante e intransigente, a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) cedeu ao poder de mobilização da categoria e anunciou, na segunda-feira, 19, que vai voltar à mesa de negociação nesta terça-feira (20), às 16 horas, em São Paulo, para apresentar uma nova proposta para os bancários. Desde o dia 25 de setembro que os bancos não se manifestavam, quando apresentaram uma proposta muito abaixo das expectativas da categoria: 5,5% de reajuste salarial, que não cobre sequer a inflação do período, e ofereceu um abono, uma armadilha imoral para arrochar salários e tentar engabelar os trabalhadores. A Contraf- CUT e os sindicatos rechaçaram de imediato a proposta, que não avançava em nenhum item sobre emprego, saúde e condições de trabalho.
A resposta dos bancários foi uma greve nacional forte, a maior dos últimos anos, o que levou os banqueiros a retornar o diálogo com o movimento sindical, que quer uma saída negociada e uma proposta digna para toda a categoria, que começa com o aumento real de salários.
"A volta da Fenaban à mesa de negociação confirma o êxito desta greve, que já dura 15 dias e cresce a cada dia em todo o país. Esperamos que os bancos tratem a categoria com seriedade e apresentem uma proposta decente, com aumento real de salário, PLR justa, melhores condições de saúde, segurança e de trabalho, fim da política de demissões, do assédio moral e das metas abusivas. Só assim voltaremos ao trabalho", afirma a presidenta do Sindicato do Rio, Adriana Nalesso.
Dinheiro eles têm
Os lucros do setor financeiro mostram que a Fenaban só não apresenta uma proposta boa para os trabalhadores se não quiser. No primeiro semestre deste ano, somente os cinco maiores bancos do país – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú, Bradesco e Santander - lucraram R$ 36,3 bilhões. O resultado, mesmo diante da crise econômica que afeta os demais setores da economia, é 27,3% superior ao do mesmo período de 2014.
Paralisação de 24 horas, hoje (20/10), no BNDES cobra resposta às reivindicações.