Petrobras admite perdas de 273 mil barris em um dia com a greve

O volume corresponde a 13% da produção nacional e a um prejuízo de US$ 10,6 milhões


03/11/2015      -     às 16h20     -    Foto: Divulgação  petrobrasA greve dos petroleiros reduziu a produção de petróleo do país em 273 mil barris na segunda-feira (2), segundo dia de paralisação nas plataformas da Bacia de Campos. O volume corresponde a 13% da produção nacional e a um prejuízo de US$ 10,6 milhões, considerando o preço médio de exportação do petróleo brasileiro em setembro (US$ 38,7 por barril). Além disso, informou a Petrobras, a produção nacional de gás natural foi reduzida em 7,3 milhões de metros cúbicos, ou 14% da oferta nacional do combustível. Em nota distribuída nesta terça-feira (3), a Petrobras ressaltou que a distribuição de combustíveis está funcionando normalmente, sem impactos no abastecimento nacional. Mesma avaliação tem a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que também distribuiu comunicado informando que não vê, neste momento, risco de desabastecimento do mercado interno. O prejuízo financeiro, porém, deve continuar. De acordo com a Petrobras, nesta terça, a redução do volume de produção de petróleo deve ficar em 8,5%, quando comparada à média anterior à greve. Já a produção de gás deve ser 13% menor. As perdas ocorrem em um momento delicado para a estatal, que busca alternativas para ampliar a geração de caixa e reduzir seu elevado endividamento. Os petroleiros protestam contra o plano de negócios da companhia, que propõe corte de gastos e venda de ativos. A greve foi iniciada na quinta-feira (29) por cinco sindicatos filiados à FNP (Federação Nacional dos Petroleiros). Neste domingo (1º), 13 sindicatos filiados à FUP (Federação Única dos Petroleiros) também cruzaram os braços –entre eles o Sindipetro-NF (Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense), que atua na Bacia de Campos, maior produtora nacional de petróleo. A FUP se recusa a discutir a pauta proposta pela empresa –com reajuste salarial de 8,11%– enquanto não houver negociações sobre sua Pauta pelo Brasil, que pede a readmissão de trabalhadores demitidos, suspensão das vendas de ativos e mais investimentos. A entidade sequer fez uma contraproposta de reajuste salarial. Já a FNP quer 18% de reajuste. Diante do impasse, a Petrobras espera ter o apoio de beneficiados pelas receitas do petróleo. "Com a perda de produção, a arrecadação de tributos recolhidos em favor da União Federal, estados e municípios, como os Royalties e a Participação Especial é diretamente impactada", argumentou, no comunicado. ANP diz que Greve não traz risco de desabastecimento no momento A greve de funcionários da Petrobras não trouxe riscos de desabastecimento de combustíveis no Brasil até o momento, informa a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). "A ANP tem como função garantir o abastecimento nacional de combustíveis. No momento, não há risco de desabastecimento. Caso haja, a ANP tomará as medidas cabíveis", afirmou a agência em nota nesta terça-feira. A paralisação reduziu a produção de petróleo da empresa em cerca de 25 por cento entre domingo e segunda-feira, segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP). Adesão em 44 plataformas Mais uma plataforma aderiu ao movimento grevista na manhã desta terça-feira, agora foi a vez de P-17. Com isso sobe para 44 o número de unidades marítimas no movimento. Também estão no movimento de greve as plataformas PCE-1, PGP-1, PPM-1, PPG-1, PNA-1, PNA-2, PCH-1, PCH-2, PVM-1, PVM-2, PVM-3, P-07, P-08, P-09, P-12, P-15, P-17, P-18, P-19, P-20, P-25, P-26, P-31, P-32, P-33, P-35, P-37, P-38, P-40, P-47, P-48, P-50, P-51, P-52, P-53, P-54, P-55, P-56, P-61, P-62, P-63, P-65 e UMS Cidade de Cabo Frio e São João da Barra. No Terminal de Cabiúnas (Tecab), em Macaé, os grupos que entraram a partir das 23h do dia 1, seguem o indicativo do Sindipetro-NF e ocupam o terminal, porém sem o controle da produção. Segundo a diretoria do sindicato, durante a greve o contrato de trabalho está suspenso e não há subordinação. Quem informa e negocia pela categoria é o sindicato. A Greve Os trabalhadores de sindicatos filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP) iniciaram greve por tempo indeterminado neste domingo(1º). A paralisação — contra a venda de ativos e a redução de investimentos da Petrobras — prevê a diminuição da produção de petróleo e gás na Bacia de Campos, no Norte Fluminense, que representa 80% da produção do país. A  diminuição da produção não deverá comprometer o abastecimento dos postos de revenda de combustíveis, A FUP concentra 13 sindicatos, que representariam cerca de 70% da força de trabalho da Petrobras. A paralisação foi iniciada às 15h de hoje. Nas plataformas de petróleo da Bacia de Campos, porém, ela começou às 18h, quando ocorreu a troca de turno dos trabalhadores, segundo Marcos Brêda, coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro NF). As reivindicações da FUP, reunidas em documento intitulado “Pauta pelo Brasil”, exigem a conclusão das obras do Comperj (RJ) e da refinaria Abreu e Lima (PE), paradas por causa das investigações da operação Lava-Jato e do problema financeiro enfrentado pela Petrobras. Os petroleiros também querem impedir que a estatal siga em frente com o seu plano de redução de investimentos e de venda de ativos. Categoria pede 18% de reajuste Calculada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a reivindicação da categoria é de reajuste de 18%, envolvendo reposição da inflação, aumento real e produtividade. A categoria quer voltar ao patamar do acordo que tinha até o ano passado “e partir daí”. Segundo os sindicalistas, esta é a base para a negociação. “A categoria já votou que o patamar mínimo para negociação é voltar ao ACT que tínhamos até 2014.” Os petroleiros pedem ainda a garantia de que as riquezas do pré-sal sejam exploradas pela Petrobras, em benefício do povo brasileiro, a implementação de uma nova política de saúde e segurança que garanta o direito à vida e rompa com o atual modelo de gestão que já matou 16 trabalhadores só este ano, a recomposição dos efetivos e a preservação de todos os direitos conquistados pelos trabalhadores. Grevistas querem reduzir produção ao mínimo em Campos De acordo com Marcos Brêda, do Sindipetro NF, o objetivo dos grevistas é reduzir ao mínimo possível a produção das plataformas da Bacia de Campos. A região tem cerca de 50 plataformas, com aproximadamente 22 mil trabalhadores que atuam embarcados. — Nossa indicação é de que as plataformas produzam o mínimo para seguir funcionando, uma vez que algumas delas precisam gerar a própria energia para se manter. Mas vamos fazer um monitoramento constante do nível de produção. Se for necessário, vamos subi-lo para evitar consequências no desabastecimento da população, sobretudo na produção de gás — contou o sindicalista. Para Brêda, porém, nem todas as plataformas devem ser afetadas. — Há uma dificuldade para atingir todas as unidades porque a Petrobras costuma colocar equipes de contingência. São empregados da próprios da empresa mas de cargo de coordenação e supervisão, que não estão no dia a dia da operação. Vamos denunciar essa prática ao Ministério Público do Trabalho por causa do risco de segurança ao qual ela expõe os trabalhadores — acrescentou.  



fique bem informado