
A fase principal do Campeonato Carioca nem bem começou e a primeira polêmica já saiu do forno. Sem mais chances de chegar à Taça Guanabara, por ter ficado em terceiro lugar na Seletiva do Estadual, o Goytacaz promete ir à Justiça para denunciar a Cabofriense pelo uso de um jogador supostamente irregular. De acordo com a diretoria alvianil, o zagueiro tricolor Victor Silva jogou a fase preliminar sem estar em condições, por não ter cumprido, na Série A, uma punição que sofreu na Série B1, a segunda divisão do Carioca, em agosto do ano passado. Victor levou o terceiro cartão amarelo na última rodada da Taça Corcovado e, no entendimento dos campistas, não poderia ter atuado na estreia da Cabofriense na temporada de 2018.
O Goytacaz já anunciou que irá entrar com uma denúncia junto ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-RJ) nesta quarta-feira (17), o que pode colocar em risco o andamento do Estadual. A Cabofriense ficou com a primeira colocação da Seletiva, com o mesmo número de pontos que o Goyta, mas duas posições à frente, por ter vantagem no saldo de gols (o Macaé foi segundo colocado). A equipe da Região dos Lagos chegou à fase principal, mas o Goytacaz caiu para o Grupo X, em que terá de lutar contra o rebaixamento. Nesta mesma quarta-feira, a Cabofriense enfrenta o Nova Iguaçu fora de casa, em sua estreia na Taça Guanabara, mas a movimentação nos tribunais promete deixar uma grande indefinição no ar nos próximos dias.
Em Campos, o Goytacaz vê o caso como incontestável. Ricardo Barreto, supervisor de futebol do clube, confirmou ao FutRio.net, em contato telefônico realizado já na madrugada desta quarta, que o clube irá à Justiça para tentar uma punição ao clube da Região dos Lagos.
– Descobrimos isso através do nosso departamento técnico. Na nossa avaliação final do campeonato, foi feito o retrospecto inteiro, de todos os times. E foi aí que se soube que o Victor levou o terceiro amarelo na última rodada da B1, vindo a jogar a Seletiva, que é um torneio da própria Federação, sem ter cumprido a suspensão. Faremos a denúncia junto à Federação já nesta quarta por ser o último dia que temos, será o mais rapidamente possível – afirmou Barreto, admitindo a hipótese de que a denúncia pode ter desdobramentos complexos, como uma eventual paralisação do campeonato:
– É claro que isso deve acarretar em alguma coisa, mas estamos procurando apenas nosso direito. O jogador entrou em campo irregular e nós estamos buscando o que é d nossa responsabilidade. O time a ser classificado à fase principal, com esse erro da Cabofriense, seria o Goytacaz.
Regulamento não é claro
O entendimento da questão, no entanto, é complexo. Victor Silva, hoje jogador da Cabofriense, jogou pelo Sampaio Corrêa durante a Segundona do ano passado. No primeiro turno da competição, levou dois cartões amarelos, que foram zerados para o returno. Dentro da Taça Corcovado, Victor foi advertido em três partidas: contra Gonçalense (22 de julho), Goytacaz (16 de agosto) e Artsul (30 de agosto). Em meio a estes jogos, no entanto, ele foi expulso contra o Friburguense, em 29 de julho, ao levar dois amarelos no mesmo jogo. Com a expulsão, foi suspenso de forma automática e seu amarelo neste jogo foi anulado. Mas o anterior, contra o Gonçalense, seguiu sendo contabilizado. A partir daí é que começa a confusão.
O cartão que Victor levou contra o Artsul aconteceu no último jogo do Sampaio na Série B1. Ou seja, não haveria nenhuma outra partida naquele campeonato para que o atleta cumprisse a suspensão. No entanto, não existe clareza nos regulamentos que controlam os campeonatos. O Regulamento Geral de Competições (RGC) da FFERJ prevê, em seu Artigo 53º, que "o atleta advertido com o terceiro cartão amarelo ficará automaticamente impedido de participar da partida subsequente desta mesma competição, resguardadas as exceções estabelecidas no respectivo REC". No entanto, não há nenhuma especificação sobre o que deve acontecer caso a suspensão fique em aberto ao fim de uma competição.
A lacuna poderia ser preenchida no artigo seguinte, o 54º, mas também fica à mercê de interpretações. Nele, se diz que "o atleta suspenso pelo TJD, após o término de uma competição, cumprirá a suspensão em qualquer competição oficial subsequente organizada pela Entidade, salvo conversão da penalidade de suspensão em pena alternativa, por decisão do TJD". Porém, o caso de Victor não chegou ao Tribunal, uma vez que o mesmo só julga casos de expulsões, enquanto o zagueiro levou apenas cartões amarelos. Também não fica claro, nem no RGC, tampouco no regulamento específico da Série B1, se a punição é acumulativa para o campeonato do ano seguinte. Assim, há mais de uma forma de observar o caso e paira a incerteza sobre quando e se Victor Silva deveria cumprir sua suspensão.
A diretoria do Goytacaz pretende requerer a denúncia junto ao TJD já nas primeiras horas do dia, nesta quarta-feira, horas antes de Nova Iguaçu x Cabofriense, no Laranjão. Já a estreia do Goyta no Grupo X está marcada para o próximo dia 22, uma segunda-feira, contra o Bonsucesso. Até lá, no entanto, os bastidores do Campeonato Carioca devem ferver, com a primeira controvérsia da competição tomando parte antes mesmo do fim da primeira rodada de sua etapa principal.
Fonte: FutRio