segunda-feira, 02 de março de 2015 - Foto: Divulgação

As baixas taxas de juros cobradas pelo governo federal desde 2010 para empréstimos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) fazem com que o governo banque um terço do valor total dos cursos nas universidades particulares para 1,9 milhão de estudantes. Como o prazo para o início do pagamento é de no mínimo cinco anos, a diferença começará a ser sentida nos cofres públicos em 2016. Significa, na prática, que dos 15 bilhões de reais sugeridos no orçamento deste ano para o Fies, menos de 10 bilhões de reais voltarão aos cofres públicos até 2033.
A dívida somada de cada um desses 1,9 milhão de alunos é estimada hoje em 58,8 bilhões de reais, considerando financiamento médio de 645 mensais de reais, como calculado pela CM Consultoria, a partir dos dados do anuário da Hoper Consultoria. Mesmo que todos paguem integralmente os empréstimos e a taxa de inadimplência seja zero, o déficit total só desses alunos ultrapassará 17,6 bilhões de reais - a ser bancado pelos contribuintes até 2033.
Há cinco anos, o governo federal relaxou as regras para incentivar novas adesões, passando de 6,5% para apenas 3,4% de juros ao ano - o que corresponde a quase metade da média da inflação nos últimos três anos. Quando a inflação é maior que os juros cobrados, o governo recebe do aluno menos do que pagou inicialmente à faculdade, uma vez que o real se desvalorizará mais do que os juros cobrados compensarão.